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Com mais de um século de existência, a Pina, como também é conhecida a Pinacoteca de São Paulo é considerado o museu de artes mais antigo da capital paulista. Foto: Divulgação.Com mais de um século de existência, a Pina, como também é conhecida a Pinacoteca de São Paulo é considerado o museu de artes mais antigo da capital paulista. Foto: Divulgação.

O museu público estadual projetado por Ramos de Azevedo e batizado de Pinacoteca de São Paulo vai ganhar um novo prédio, que já começou a ser construído. A instituição pertence à Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e, com a ampliação do espaço, se tornará um dos maiores museus de arte da América Latina.

Hoje, a Pinacoteca é constituída por dois prédios: a Pinacoteca Luz e a Pinacoteca Estação. Juntas, elas ocupam 22.041m², sendo 9.112m² somente de área expositiva. Com a expansão do espaço cultural, a expectativa é de que, a partir de novembro de 2022 — data prevista de inauguração do novo espaço — a “Pina” tenha potencial para receber até 1 milhão de visitantes por ano.

Será construído ainda o Jardim da Arte, que vai conectar o prédio da Pinacoteca Luz com o novo edifício.. Imagem: Divulgação.Será construído ainda o Jardim da Arte, que vai conectar o prédio da Pinacoteca Luz com o novo edifício.. Imagem: Divulgação.

O orçamento inicial destinado às obras é de R$ 85 milhões — e essa verba será provida por uma parceria entre o Governo de São Paulo, que investirá R$ 55 milhões, e a iniciativa privada. O intuito da iniciativa é consolidar e revigorar o eixo cultural da região central da cidade de São Paulo.

“Nós estamos expandindo os programas de museus, tanto com a criação de novos quanto com a expansão dos existentes. Estamos mantendo e elevando o investimento em Cultura desde 2019, mesmo com o quadro da pandemia que impactou o setor de Cultura e economia criativa”, comentou o secretário de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão.

Governo de São Paulo anuncia o início das obras do Pina Contemporânea, que se tornará um dos maiores museus da América Latina. Imagem: Divulgação.Governo de São Paulo anuncia o início das obras do Pina Contemporânea, que se tornará um dos maiores museus da América Latina. Imagem: Divulgação.

De acordo com o projeto, a Pina Contemporânea terá um centro para atividades socioeducativas e duas galerias, que foram idealizadas especialmente para exposições que abriguem obras de diversos portes. Além disso, os espaços também acolherão a Biblioteca da Pinacoteca de São Paulo e o Centro de Documentação do Museu, ambos transferidos para o novo edifício. O prédio terá, ainda, um Jardim de Arte — que ligará o edifício da Luz ao novo prédio, hoje separados por um pequeno trecho —, uma área de serviços, restaurante, lojas e espaços comuns para o fluxo de visitantes.

Os dois blocos já existentes permanecerão intactos: com a nova construção, a única diferença na estrutura original será a conexão criada entre eles, através de uma grande praça pública coberta, de 1.340 m². Apesar de não passar por um processo construtivo propriamente dito, os antigos pavilhões enfrentarão uma reorganização, de forma que se adaptem aos possíveis novos usos. Para isso, serão adicionados um subsolo e um mezanino, que complementam a proposta.

A nova unidade terá duas galerias para exposições de obras de diversos portes e um centro para atividades socioeducativas. Imagem: Divulgação.A nova unidade terá duas galerias para exposições de obras de diversos portes e um centro para atividades socioeducativas. Imagem: Divulgação.

O conceito da obra é conceber um ambiente inclusivo, aconchegante, integrado ao Parque da Luz e aos edifícios da Pinacoteca, ao mesmo tempo que dispõe dos requisitos de um museu do século XXI. O projeto foi assinado pela parceria entre o escritório Arquitetos Associados e Silvio Oksman.

O diretor-geral da instituição, Jochen Volz, ainda afirmou que, com as novas galerias, o museu terá mais espaço e flexibilidade para expor as mais de 10 mil obras de sua coleção, incluindo as de grande porte. “A Pinacoteca de São Paulo reafirmará a missão de constituir um museu de arte brasileira em diálogo com as culturas do mundo”, completa.

Com as novas galerias, o museu terá mais espaço e flexibilidade para expor as mais de 10 mil obras da sua coleção. Imagem: Divulgação.Com as novas galerias, o museu terá mais espaço e flexibilidade para expor as mais de 10 mil obras da sua coleção. Imagem: Divulgação.

As contratações e aprovações relacionadas ao projeto foram feitas pela Associação Pinacoteca Arte e Cultura (APAC), a Organização Social que administra a Pinacoteca de São Paulo desde 2006, junto aos órgãos de preservação patrimonial e a Prefeitura. Quem quiser conhecer o resultado da Pina Contemporânea, antes mesmo da sua conclusão, poderá conferir através de realidade aumentada como o edifício ficará no horizonte, em uma das varandas da Pinacoteca Luz.

O prédio da Pinacoteca Contemporânea, extensão da Pinacoteca de São Paulo, deverá estar pronto em novembro do ano que vem. Imagem: Divulgação.O prédio da Pinacoteca Contemporânea, extensão da Pinacoteca de São Paulo, deverá estar pronto em novembro do ano que vem. Imagem: Divulgação.

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visais com foco na produção brasileira do século XIX, até os tempos contemporâneos. O museu mais antigo da cidade de São Paulo também tem, como foco, o diálogo com as culturas do mundo. Hoje, seu acervo conta com cerca de 11 mil peças, incluindo artistas como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Almeida Júnior, Candido Portinari, entre outros.

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Por Naíza Ximenes no AECweb.

Criado em 2 de junho de 1929, o Parque da Água Branca foi tombado em 1966 pelo Condephaat. Foto: João A. Fagim.Criado em 2 de junho de 1929, o Parque da Água Branca foi tombado em 1966 pelo Condephaat. Foto: João A. Fagim.

Após um difícil período de isolamento, finalmente estamos voltando a circular. Na busca por novas atividades que podem ser realizadas de forma segura, os parques e passeios ao ar livre tem ganhado ainda mais destaque. São Paulo é famosa por ser a "selva de concreto", marcada por sua arquitetura moderna, mas também é possível se deparar com muito verde em seu entorno.

Aqui, elencamos alguns dos principais parques, praças e jardins paulistanos que ajudam a quebrar com o cinza e trazem diferentes atmosferas para a cidade através de sua fauna, flora, programas culturais e esportivos. Confira os destaques, a seguir.

Zona Sul

Parque Burle Marx

Foto: Divulgação.Foto: Divulgação.

Roberto Burle Marx foi o responsável pela realização e posterior restauração do paisagismo da casa de Baby Piganatari, projetada por Oscar Niemeyer. A chácara foi doada à prefeitura em 1994, permitindo a abertura do parque em 1995. Neste, além do conjunto de esculturas, espelhos d'água e vegetação frondosa composta pelo paisagista, também é possível se deparar com trechos de mata nativa e uma infraestrutura completa. Mais informações, aqui.

Cantinho do Céu

projeto de urbanização do Cantinho do Céu. Revela a importância do espaço público e coletivo para a população local, transformando-o no instrumento principal para a qualificação do bairro e em contato com a represa Billings.

Guarapiranga

Ao longo da represa do Guarapiranga existem uma série de intervenções e parques que permitem passar mais tempo ao ar livre enquanto contempla a água: Barragem do Guarapiranga, Linear Castelo, Linear Nove de Julho e o Linear São José.

Jardim Botânico

Foto: Divulgação.Foto: Divulgação.

Implantado no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, o Jardim Botânico exalta a importância da biodiversidade. Em sua área de aproximadamente 360 mil metros quadrados, ele abriga o Instituto de Botânica e o Museu Botânico de São Paulo, além de inúmeras espécies da fauna e flora. Mais informações, aqui.

Parque do Ibirapuera

Inaugurado nas comemorações do IV Centenário de São Paulo, em agosto de 1954, o parque mais famoso de São Paulo foi concebido pelos arquitetos Oscar Niemeyer, Ulhôa Cavalcanti, Zenon Lotufo, Eduardo Kneese de Mello, Ícaro de Castro Mello, além do paisagista Augusto Teixeira Mendes. Além disso, nele estão espaços culturais fundamentais para a capital paulista como a Fundação Bienal, Museu Afro Brasil, Museu de Arte Moderna, entre outros. Mais informações, aqui.

Parque da Independência

Foto: Monique Renne.Foto: Monique Renne.

O parque foi inaugurado em 1989, no entanto sua história é marcada por ser o palco do grito de independência do país, em 1822. Ele abriga o Museu do Ipiranga, o Monumento à Independência e a Casa do Grito. Além disso, nele é possível apreciar todo o trabalho de paisagismo que tem como influência os jardins franceses. Mais informações, aqui!

Zona Centro-Oeste

Parque da Aclimação

Foto:  Estadão Conteúdo.Foto: Estadão Conteúdo.

O espaço era dedicado à criação de gato e leiteria. Com o desejo de reproduzir um jardim europeu, Carlos Botelho, o proprietário das terras, concebeu ali o Jardim da Aclimação, que abrigava também o primeiro zoológico da cidade. O parque foi a segunda área verde oficial de São Paulo.

Parque da Água Branca

Um refúgio no centro de São Paulo, o parque possui um total de 137 mil metros quadrados. Com uma vasta gama de atrações que vai do Museu Geológico à Arena Hípica, sua arquitetura traduz outros tempos de São Paulo, assim como a presença constante de galinhas, patos e pavões por toda a área.

Praça Buenos Aires

Foto: Divulgação.Foto: Divulgação.

Em Higienópolis, a Praça Buenos Aires oferece espaços de contemplação e lazer em meio a esculturas de Lasar Segall, Caetano Fraccaroli e Roberto Vivas, por exemplo. O fato curioso está em seu projeto, que foi pensado por Bouvard, arquiteto paisagista francês, e buscava preservar a vista sobre o Vale do Anhangabaú a partir da eleveção topográfica que se cria para proporicionar um mirante. Infelizmente, a densificação de edifícios no centro de São Paulo hoje impedem tal vista, mas o passeio continua imperdível.

Jardim da Luz

Ao lado do icônico edifício da Pinacoteca do Estado de São Paulo está o Jardim da Luz, o primeiro parque parque público do munícipio, que foi criado originalmente como Horto Botânico e, em 1825, foi aberto ao público como Jardim Público da Luz.

Parque Trianon

Foto: Divulgação.Foto: Divulgação.

O parque está na Avenida Paulista e em frente ao MASP, composto basicamente por trilhas em torno de um resquício remanescente da Mata Atlântica original - apresentando um contraste visível entre o que era natural e o impacto do "progresso" trazido pela mão do homem em seu entorno.

Praça do Pôr do Sol

Esta praça é famosa por se tratar de um espaço verde com vistas elevadas da cidade e, como diz seu nome, um ótimo lugar para apreciar o pôr do sol em São Paulo.

Parque Villa-Lobos

Foto: André Bueno.Foto: André Bueno.

Um dos maiores parques de São Paulo, com uma área de 732 mil metros quadrados, o parque apresenta um vasto programa que vai desde áreas dedicadas ao esporte até bosques com espécies da mata atlântica. O parque é famoso por receber diversos eventos. No espaço, vale conhecer o orquidário projetado por Décio Tozzi e o anfiteatro com sua exuberante estrutura em balanço. Mais informações, aqui.

Zona Leste

Parque do Carmo

Foto: SP Turis.Foto: SP Turis.

Famoso pelo Bosque das Cerejeiras e os monumentos à imigração japonesa, o parque é área da antiga fazenda do empresário Oscar Americano e também traz exemplares da arquitetura colonial e um conjunto de lagos envolto pelos jardins.

Parque Ecológico do Tietê

Com uma impressionante área de 14 milhões de metros quadrados, o parque preserva fauna e flora da várzea do rio Tietê, e proporciona uma série de atividades culturais, educacionais, recreativas, esportivas e de lazer. Inaugurado em 1982, seu projeto arquitetônico e paisagístico foi concebido pelo arquiteto Ruy Ohtake.

Zona Norte

Parque Cidade de Toronto

Foto: SVMA.Foto: SVMA.

Em 1987 foi criado um programa de intercâmbio pelas prefeituras de São Paulo e de Toronto (Canadá) que resultou na implantação deste parque próximo à Rodovia dos Bandeirantes. A zona se destaca pela presença da água, em brejos e com um lago.

Parque da Juventude

Através do projeto da Rosa Kliass conjuntamente ao escritório aflalo/gasperini arquitetos, o Parque da Juventude se apropria do paisgismo e da arquitetura para ressiginificar o espaço que traz em seu passado a triste história do Complexo Penitenciário do Carandiru. Interligado ao metrô, o parque apresenta um extenso programa que vai desde atividades ao ar livre até a premiada Biblioteca São Paulo.

Parque Vila Guilherme - Trote

Foto: Guia das Áreas Verdes.Foto: Guia das Áreas Verdes.

Parque da Vila Guilherme foi inaugurado em 1986 e o Parque do Trote em 2006. Por serem vizinhos, são tratados como um mesmo parque que totaliza uma área verde de cerca de 185 mil metros quadrados, na qual oferece atividades esportivas e trilhas para caminhada.

Para saber mais sobre estes e outros parques da cidade, seus endereços e horários de funcionamento, consulte o site da Prefeitura de São Paulo.

Leia também: 

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Da redação do Arch Daily.

O Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista, reabriu neste domingo (25), das 8h às 12h. Mesmo com a capital prestes a atingir 80% de imunização do público elegível, será necessário cumprir os protocolos de combate ao novo coronavírus e a população deverá respeitar o distanciamento social e utilizar máscaras no local. Agentes estavam no local para orientação aos protocolos de saúde, informou a prefeitura da capital paulista. Localizado entre os Viadutos do Chá e Santa Ifigênia, o Vale do Anhangabaú é um lugar de manifestações e shows populares.

A reabertura do local para lazer no domingo será gradual, seguindo todos os protocolos de saúde e segurança. A Secretaria Municipal de Cultura coordena a programação de eventos e atividades, que deverão ser realizados de maneira controlada e com limite no número de pessoas, com objetivo de evitar aglomeração.

A Subprefeitura Sé ampliou as equipes de fiscalização em combate ao comércio irregular para atender a capital aos domingos. Ao todo, 12 equipes compostas por 80 agentes atuarão de maneira orientativa nas regiões do Vale do Anhangabaú e da Avenida Paulista, enquanto os espaços estiverem abertos para lazer.

Serão quatro equipes em cada região e as demais atuarão de maneira volantes no entorno. A operação conta com o apoio da Polícia Militar, por meio da Atividade Delegada, e da Guarda Civil Metropolitana.

Programação cultural

A Secretaria Municipal de Cultura (SMC) elaborou uma programação com intervenções, como uma exposição em homenagem aos profissionais da saúde e a intervenção do coletivo SHN, com ilustrações de pessoas de máscaras em bandeirolas, fazendo alusão ao momento da pandemia de covid-19. As ações ocorrem a partir deste último domingo (25).

Vista no novo Vale do Anhangabaú, reaberto neste último domingo (25) no centro de São Paulo. Foto: William Moreira / Futura Press.Vista no novo Vale do Anhangabaú, reaberto neste último domingo (25) no centro de São Paulo. Foto: William Moreira / Futura Press.

Com nove painéis em grande formato distribuídos pelo Vale, a Exposição Olhares da Linha de Frente, em homenagem aos profissionais da saúde, traz retratos de profissionais que atuaram na linha de frente do combate à covid-19. As pinturas são assinadas pelo artista Alexandre Ignácio Alves, dando continuidade ao seu trabalho iniciado na exposição Retratos Preto sobre Preto, exibido em 2019 no Centro Cultural São Paulo. O coletivo SHN traz ilustrações de pessoas de máscaras em bandeirolas, penduradas nos postes de iluminação do Vale.

Entre as outras intervenções, está a instalação Anhagabaú: um rio de luz e resistência, do Studio Visualfarm, que ocupa a nova fonte do vale com projeções e lasers. Serão realizados dois espetáculos por semana, às terças e quintas, totalizando vinte apresentações, a partir de 29 de julho. Outro destaque são as intervenções nos quiosques do Vale — cada um dos 11 quiosques receberá uma diferente.

Grupos teatrais consagrados da cidade, Os Satyros e Pia Fraus organizaram visitas guiadas lúdicas ao Vale do Anhangabaú. A atividade, com um grupo para o público em geral e outro para o público infantil e familiar, trouxe curiosidades e fatos da história do Vale e da região.

Valorizando a importância histórica do Vale, com cinco totens expositivos espalhados pelo Vale, a exposição O Vale em Constante Mutação traz um resgate histórico e afetivo das transformações pelas quais o local passou. A curadoria foi feita em parceria do Museu da Cidade de São Paulo com o Departamento de Patrimônio Histórico, ambos da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Parques com horário normal

É recomendado que os frequentadores evitem a prática de atividades em grupo que possam causar aglomerações no interior dos parques. Foto: Bigstock.É recomendado que os frequentadores evitem a prática de atividades em grupo que possam causar aglomerações no interior dos parques. Foto: Bigstock.

Os parques públicos municipais, Centros Desportivos da Comunidade (CDCs) e Centros Esportivos voltaram a funcionar no horário normal ontem (24). Os 109 parques municipais continuam obedecendo as regras do Plano São Paulo de não haver atividades entre 23h e 5h.

Continua obrigatório o uso de máscara e o respeito à regra de distanciamento social, além dos bebedouros que permanecem interditados. Além disso, é realizada a contagem de frequentadores na entrada dos parques.

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) vai orientar os frequentadores quanto às restrições, a fim de conter qualquer tipo de aglomeração nos espaços. É recomendado que os parquinhos infantis e equipamentos de ginástica sejam utilizados com consciência, e que os frequentadores evitem a prática de atividades em grupo que possam causar aglomerações no interior dos parques. Clique aqui para saber o horário de funcionamento de cada parque.

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Por Ludmilla Souza da Agência Brasil.

O estádio foi inaugurado em 1940, mas o tobogã só foi erguido na década de 1970 e, por isso, não estava protegido pelo tombamento. Foto: Fotos Públicas.O estádio foi inaugurado em 1940, mas o tobogã só foi erguido na década de 1970 e, por isso, não estava protegido pelo tombamento. Foto: Fotos Públicas.

Erguido em 1970 no lugar de uma concha acústica, o "Tobogã" do estádio do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, esteve longe de ser unanimidade. Pelo contrário: a maioria dos comentários parecia ser contra a obra, atrás do gol oposto ao portão principal.

Durante a gestão de Paulo Maluf, a concha acústica foi demolida (em 6 de setembro de 1969) e no seu lugar construído o "Tobogã", uma arquibancada com capacidade para, em média, dez mil pessoas. Na manhã fria e chuvosa desta última terça-feira (29), o tobogã do antigo estádio municipal – inaugurado em 1940 e tombado em 1998 –, começou a virar lembrança, com o início de sua demolição.

A derrubada da estrutura foi possível depois que a prefeitura paulistana liberou alvará com a autorização. As obras no estádio deverão levar mais de dois anos (28 meses), a um custo de R$ 400 milhões. A empresa Allegra Pacaembu venceu polêmico processo de concessão, que inclui o estádio e o ginásio esportivo, pelo período de 35 anos.

No lugar do Tobogã deverá ser erguido um prédio de cinco andares, com 44 mil metros quadrados de área construída. Imagem: Allegra Pacaembu. No lugar do Tobogã deverá ser erguido um prédio de cinco andares, com 44 mil metros quadrados de área construída. Imagem: Allegra Pacaembu.

“A obra começa pela demolição do tobogã porque é a obra mais longa, a obra mais demorada em função do fato de que debaixo da projeção do tobogã nós vamos executar a construção do Centro de Convenções e Eventos”, declarou o CEO do Allegra Pacaembu, Eduardo Barella. “Após a demolição do tobogã, nós vamos fazer uma escavação para 15 metros embaixo do nível da terra. Toda a obra do clube poliesportivo é uma obra de restauro, onde não terá uma intervenção tão significativa.” Onde está o tobogã, será construído um prédio de cinco andares e quatro subsolos.

Era uma vez a Concha Acústica
Concha acústica foi demolida para que o Pacaembu pudesse acomodar mais torcedores. Foto: Acervo / Estadão.Concha acústica foi demolida para que o Pacaembu pudesse acomodar mais torcedores. Foto: Acervo / Estadão.

Jogos de futebol e sinfonias de música clássica, durante mais de duas décadas o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho(Estádio do Pacaembu) foi o local certo para sediar os dois tipos de eventos. Isso, graças à charmosa Concha Acústica que existia atrás do seu gol. Foi só no final dos anos de 1960 que as atrações da concha perderam o jogo para as partidas de futebol.

O estádio estava carente de mais lugares para o público, que se espremia para ver a bola rolar, e decidiu demolir a concha para erguer novas fileiras de arquibancadas. A nova estrutura, conhecida como Tobogã, foi inaugurada em 1970 e acrescentou mais dez mil novos lugares à lotação do estádio, que oficialmente passou a ter capacidade para 37.730 mil pessoas.

Idealizada já no projeto do estádio e inaugurada junto com as demais dependências, em27 de abril 1940, a concha servia para amplificar o som das apresentações no palco. Na matéria sobre a inauguraçãodo Pacaembu, o Estado falava sobre sua funcionalidade: “o proscenico em arquivolta”, a concha, poderia “servir de estrado scenico para grandes concertos symphonicos ou coraes e outros espectalulos ou festividades cívicas”. E, assim foi. Ali tocaram bandas, orquestras e se apresentaram peças e palestras. O efeito sonoro criado pela estrutura em arco transformava as arquibancadas à sua volta numa grande plateia.

O Estado de S.Paulo - 28/4/1940

Na década em que o Estádio foi rebatizado para Paulo Machado de Carvalho, os Jogos Pan-Americanos seriam disputados pela primeira vez em São Paulo. Foto: Acervo / AE.Na década em que o Estádio foi rebatizado para Paulo Machado de Carvalho, os Jogos Pan-Americanos seriam disputados pela primeira vez em São Paulo. Foto: Acervo / AE.

A concha, assim como a estátua de Davi - uma réplica de 5,5 metros da famosa obra de Michelangelo- era uma marca registrada do Estádio do Pacaembu. O local era sempre usado durante as celebrações sediadas no estádio. Em 1945, abrigou as apresentações musicais da festa de recepção para os soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que voltavam da Segunda Guerra. Na abertura dos Jogos Pan-Americanos de 1963, abrigou as bandas musicais da Força Pública, da Guarda Civil e do Exército. Na comemoração da conquista da Copa do Mundo de 1958, uma enorme bandeira do Brasil foi estendida em toda a largura da concha, que passou a carregar nos seu arco a inscrição: “Salve Campeões do Mundo”. A inscrição foi alterada em 1962, um “Bi” foi acrescentado antes de “Campeões”.

Inauguração com Vargas

O estádio municipal foi inaugurado em 1940, com a concha acústica (ao fundo), que seria derrubada 30 anos depois. Agora, o tobogã, ao fundo, começou a cair. Foto: SME.O estádio municipal foi inaugurado em 1940, com a concha acústica (ao fundo), que seria derrubada 30 anos depois. Agora, o tobogã, ao fundo, começou a cair. Foto: SME.

O Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho foi inaugurado em 27 de abril de 1940, com a presença do então presidente da República, Getúlio Vargas, acompanhado do interventor Ademar de Barros e do prefeito Prestes Maia. A obra também atuava como uma maneira de evidenciar o espírito presente no momento histórico de sua inauguração, buscando a fé do país e a busca pela grandeza da nação, atuando como símbolo de progresso ao Brasil.

No dia seguinte, 28 de abril de 1940, a política ficou de lado, dando espaço ao futebol. Foi nesta data que teve início, em rodada dupla, o torneio Taça Cidade de São Paulo, criado para inaugurar o Pacaembu. Com apenas quatro participantes — Palestra Itália, atual Sociedade Esportiva Palmeiras, Corinthians, Coritiba e Atlético Mineiro —, a competição era no formato eliminatório. Dois jogos na fase semifinal e os vencedores se classificavam à final.

Durante 10 anos, o estádio municipal paulistano foi o maior do país, até a inauguração do Maracanã, construído para a Copa de 1950. Torcedores mais antigos sempre lembram da voz do locutor oficial: “O seu, o meu, o nosso Pacaembu!”. No mesmo ano em que foi inaugurado, nasceu em Três Corações (MG) o menino Edson Arantes de Nascimento, depois conhecido como Pelé.

Mudança de nome

A emblemática fachada do estádio, tombada, não poderá ser alterada. Foto: Acervo / Estadão.A emblemática fachada do estádio, tombada, não poderá ser alterada. Foto: Acervo / Estadão.

Apesar de ser normalmente chamado de Pacaembu, foi em 1961 que o nome oficial do local passou a ser Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho. Isso ocorreu porque a Prefeitura de São Paulo quis homenagear o chefe da delegação brasileira da Copa do Mundo de 1958, que rendeu o primeiro título mundial de futebol ao país. Formado em Direito, a relação próxima de Paulo Machado de Carvalho com o futebol já havia começado dentro do São Paulo Futebol Clube, onde chegou a assumir o cargo de presidente entre 1946 e 1947.

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Da Redação com informações do Acervo do Estadão.

Lazer no Parque do Ibirapuera após a flexibilização do isolamento social durante a pandemia de covid-19. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.Lazer no Parque do Ibirapuera após a flexibilização do isolamento social durante a pandemia de covid-19. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.

São Paulo continua em quarentena e, desde o último sábado (24), avançou para a segunda etapa da "fase de transição" do Plano São Paulo, com retorno gradativo e seguro de alguns setores da economia. Restaurantes, atividades culturais, parques e serviços em geral, como salões de beleza e academias, passam a ser liberados com limite de ocupação e horários específicos. Comércio e atividades religiosas já estavam liberados desde o domingo (18).

O skate park da Chácara do Jóquei é um dos três maiores do país. Foto: Cesar Ogata / SECOM.O skate park da Chácara do Jóquei é um dos três maiores do país. Foto: Cesar Ogata / SECOM.

São Paulo pode ser considerada uma das principais cidades da América Latina e do mundo por diversas razões. É um grande polo econômico e financeiro, uma potência reconhecida no mundo dos negócios, uma referência em artes, música e cultura em geral, tem uma das gastronomias que mais despertam a curiosidade do mundo, entre outros motivos.