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A partir da segunda quinzena de abril, São Paulo ganhará o maior evento Árabe de rua do país, o Festival Árabe na Rua Oriente. A 1ª edição acontecerá nos dias 23 e 24 de abril, das 10h às 22h, e segue todos os sábados e domingos durante o ano de 2016.

O festival contará, já no primeiro mês, com mais de 100 tendas que homenageará todos os países do mundo árabe, trazendo o melhor da cultura de cada país que inclui gastronomia, moda, artesanato, acessórios, lenços, tapetes, tatuagem em Henna, Maquiagem Árabe (Halal), além de diversas atrações e artistas como Djs, danças folclóricas, cantores árabes e muito mais.

O público terá a oportunidade única de conhecer e se aproximar da cultura e gastronomia de países árabes como Bahein, Comores, Djibouti, Chade, Kuwait, Líbia, Mauritânia, Omã, Catar, Sudão, Iemen, Somália, Tunísia e Iraque, além dos mais conhecidos como Líbano, Síria, Egito, Marrocos, Arábia Saudita, Jordânia, Palestina, Argélia, Emirados Arábes.

Realizado pela UNI (União Nacional Islâmica), o festival tem como objetivo principal difundir a cultura árabe, suas origens, seus costumes e suas tradições, aproximando cada vez mais o público brasileiro da cultura árabe.

Segundo os organizadores do evento, a previsão é de receber aproximadamente 150 Mil pessoas por fim de semana, visitando todo espaço, com a meta de chegar em 640 tendas a partir do terceiro mês, com a representação de todos os países árabes.

O evento está localizado na Rua Oriente, próximo a estação Brás de metrô e trem, com várias linhas de ônibus e de fácil acesso de carro pelas vias marginais Pinheiros e Tietê, Avenida do Estado, Radial Leste e próximo ao Mercadão Municipal e Zona Cerealista. O evento conta com o apoio da Prefeitura Municipal de São Paulo, Policia Militar e Guarda Civil Municipal.

Sobre o Projeto Machine

O Festival Árabe da Rua Oriente estende a mão a interessados em participar do evento, mas que não tem como investir ou abrir o seu próprio negócio, dando a oportunidade de ter uma Tenda no festival e expor algum tipo de produto árabe.

Trata-se do Projeto Machine ou Machini – que em árabe significa Encaminhar. O projeto financiará, a juros zero, 200 Tendas dentro do Festival Árabe para brasileiros ou estrangeiros que não tem condições financeira, mas tem habilidades e ou conhecimento em algum produto que envolva a cultura Árabe.

Para se inscrever basta acessar: www.projetomachine.com

Serviço:
Festival Árabe na Rua Oriente.
Quando: 23 e 24 de Abril – e os próximos os sábados e domingos de 2016.
Horário: das 10h às 22h.
Local: Rua Oriente – Bairro do Brás (Zona Leste).
Entrada Gratuita.
Mais informações aqui.
Realização: UNI (União Nacional Islâmica).

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Natt Naville no Mistura Urbana.


Há seis meses a cena se repete. Douglas Utescher abre a porta da loja 116 da Galeria Ouro Velho, na Augusta, olha ao redor, respira fundo e sente aquele orgulho: “Eu tenho uma livraria”. Ele, 38, e Dani, 32, são donos da Ugra Press, que começou como editora em 2010, virou loja virtual em 2013, participou de várias feiras de livro e, em agosto do ano passado, inaugurou sua primeira loja física. Dedicada desde sempre a publicações independentes, sobretudo a HQ, a Ugra conquistou seu espaço numa cidade que já contava com lojas bem estabelecidas, como a Comix, HQ Mix, Gibiteria, Monkix, Cidade de Papel e Terramédia, Banca Tatuí, entre outras, além de sebos especializados. Cada uma, no entanto, tinha um perfil diferente. No próximo mês, depois de tanto investimento, ela deve fechar pela primeira vez no azul. E também em março, ela vai ganhar nova concorrente.
 
A história começa com a publicação do Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Independentes - o primeiro dos 15 títulos lançados pela Ugra. “Vimos que havia uma quantidade grande de material sendo produzido e que as pessoas não conheciam. Eu tinha, sim, o desejo de editar, mas surgiu também o desejo de dar visibilidade para esse material que já existia”, diz Douglas. O acesso a essa produção é difícil. “Se a pessoa quer comprar 10 livros, ela tem que falar com 10 autores diferentes, fazer 10 pagamentos diferentes, receber 10 envelopes. A ideia da loja virtual surgiu nesse contexto”, completa. Ela foi inaugurada com 30 títulos. Os clientes foram chegando, pedindo um título aqui e outro ali, e o acervo foi crescendo aos poucos. Hoje, são cerca de 1.500 títulos.
 
Ao abrir a simpática loja física, que tem dois andares e espaço para cursos, exposições e eventos, o casal resolveu incluir obras publicadas por editoras tradicionais - mas que dialogavam com o material que já comercializavam. Há, então, nas prateleiras, livros da WMF Martins Fontes, Companhia das Letras, Veneta e por aí vai. 
 
“Seria muito arriscado ficar só com as publicações independentes. É um mercado que está crescendo, mas ainda está em formação. É preciso tempo de amadurecimento, tempo para as pessoas incluírem esse tipo de publicação no orçamento e a compra deixar de ser casual. Para quem não está no negócio, parece que a cena de quadrinhos independentes explodiu. Não explodiu. Ainda precisamos formar público.” 
 
E nesse contexto, foi inaugurada a Ilustrarquia. “Fomos chamados de loucos por abrir uma livraria em plena Paulista, entre a Cultura e a Fnac, mas nossa proposta é outra. Achamos que o pequeno produtor é aquele que pode trazer o diferencial com a liberdade de publicações”, explica o casal Fernanda Terra, 35, e Nat de Abreu, 39, que deixaram o emprego em agência de publicidade e investiram as economias nessa loja dedicada a tudo o que for relacionado a ilustração: HQs, pôsteres, zines, graphic novels, gravuras originais, canecas, botons, etc. “Estamos abrindo o espaço como uma forma de distribuição desses ilustradores independentes”, contam.
 
A Ilustrarquia também vai funcionar numa galeria, na esquina da Paulista com o Parque Trianon. A ideia era ocupar apenas um andar e usar o outro para o estoque, mas a procura de artistas tem sido tão grande, eles contam, que já estão considerando usar o outro piso para eventos - mas isso deve ficar para a segunda etapa. Sobre o tipo de publicação que venderão, dizem: “Sem uma editora determinando o que deve ser lançado, os artistas independentes podem experimentar, usar novas técnicas, testar formatos e reinventar o próprio impresso. Assim, teremos uma diversidade de títulos e todos os públicos se identificarão”.
 
Douglas e Dani, Fernanda e Nat resolveram abrir uma livraria num momento delicado para o setor e para o País. “É na hora da crise que o meio underground, independente, aparece com mais força, trazendo novas soluções, aquecendo a economia informal e usando a criatividade como solução. Isso faz com que novos artistas apareçam, se divulguem e sejam descobertos, favorecendo a economia do segmento”, comentam os proprietários da Ilustrarquia.

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Maria Fernandes Rodrigues no caderno Literatura em O Estado de S.Paulo.
 

 
Foi aberto ao público na manhã do último sábado (26), o primeiro Centro de Esportes Radicais da cidade de São Paulo, localizado na região do Bom Retiro. Voltado para a prática de skate, bike BMX, patins inline, patinete e Parkour, com circuitos e pistas para todas as modalidades, o equipamento público ocupa uma área de 38 mil m² e é um dos maiores do setor na América Latina. 
 
Com investimentos de R$ 13,4 milhões, o Centro de Esportes Radicais conta ainda com ciclovias, pista de caminhada, área para shows e playground, em local de fácil acesso, na Marginal Tietê, se tornando mais um espaço de lazer e diversão para os paulistanos, assim como o Clube Esportivo Tietê, reaberto como área pública em 2014.
 
"Essa era uma área da cidade que estava completamente esquecida da cidade e que combina com o Clube Tietê como um conjunto de equipamentos esportivos na margem do Tietê, que será muito utilizada pela juventude de São Paulo, do centro e da periferia. O povo virá para cá, porque tudo o que tem de melhor em termos de desenho e formato dos circuitos está nesse local", disse o prefeito Fernando Haddad, que visitou o local nesta manhã.
 
"Não conheço outro circuito de Parkour, e desse tamanho, impossível. Isso valoriza o esporte e mais do que isso, faz com que outras pessoas se interessem e tentem", afirmou o jovem Júlio Cesar Pellegrini, 23 anos, morador do Campo Belo. 
 

Foto: Luis Guadagnoli / Secom.
 
Todo o planejamento das pistas contou com apoio e envolvimento de atletas profissionais, que pensaram nos circuitos e até ajudaram na construção. As obras foram iniciadas no fim de julho do ano passado. O acesso ao público é gratuito, e os circuitos do Centro de Esportes Radicais atendem desde atletas experientes aos jovens iniciantes. 
 
"Como sabemos que ansiedade para fazer o esporte vai ser grande, há uma área específica para crianças, onde a chance de acidentes é muito remota, porque é uma pista mais tranquila e própria", afirmou o prefeito.Além disso, monitores serão contratados para dar aulas para as crianças e até adultos que querem iniciar em alguma das modalidades. "Já abrimos o chamamento público para a constratação de monitores específicos de cada modalidade para ensinar a garotada, de forma gratuita", afirmou o secretário municipal de Esportes, Lazer e Recreação, Celso Jatene.O Centro de Esportes Radicais ganhará ainda outros equipamentos, de acordo com o prefeito.
 
"Existe uma área ainda que está em análise. Ou vamos fazer uma pista de skate ou um ginásio, também para o skate, mas outra modalidade. Estamos avaliando o que é melhor. Esse equipamento combina com o Centro Esportivo Tietê, então, estamos vendo onde encaixar mais equipamentos tanto lá, quanto aqui", afirmou.
 
Turismo
A expectativa é que o novo espaço atraia turistas de todo o país para o local. Em São Bernardo, na região do ABC, o Parque da Juventude Città Di Marostica, com 21 mil m² e também dedicado a prática de esportes radicais, recebe mais de 100 mil visitantes por mês, grande parte de fora da cidade em busca de um espaço adequado e com equipamentos de ponta. Antes, o terreno abrigava barracões de duas escolas de samba, que não poderiam ocupar mais o espaço.
 
"Além de ser muito bom para as pessoas e para o esporte, dá um novo visual para a Marginal Tietê, porque ela é muito carregada, e com esse espaço, se abre um campo de visão da cidade, que convida as pessoas a usufruírem mais dos equipamentos públicos", disse Haddad.
 
"Moro em Carapicuíba e mesmo assim, vou vir aqui sempre. A pista é muito boa e diferente das que tenho mais perto de casa. Essa é com asfalto e não fica lama se chover. Tudo aqui está muito legal e é bom porque não tem tantas pistas abertas para o BMX", afirmou o garoto Gustavo Batista de Oliveira, 13 anos, que pratica BMX desde os 7 anos de idade.
 

Foto: Luis Guadagnoli / Secom.
 
Pump Track
Um dos destaques do Centro de Esportes Radicais é o circuito de Pump track, pista com início, meio, mas nunca um fim, onde o frequentador anda "bombeando", sem impulsionar, apenas ganhando velocidade na medida em que passa pelos obstáculos. Por ter piso asfáltico, uma novidade de São Paulo, o espaço pode ser utilizado pelas modalidades de skate, Bike BMX, patins inline e patinete.
 
No Centro de Esportes Radicais, a pista foi planejada para atender pessoas de qualquer idade e também de diferentes tipos físicos, onde é possível circular não somente colado ao chão, mas saltando um ou outro obstáculo, em três níveis: iniciante (com 100 metros lineares, para praticantes que nunca andaram em um Pumptrack), no qual se conhece os movimentos e embalos do equipamento, intermediário (com 130 metros lineares, voltada para praticantes que já dominaram os movimentos de embalo e curvas do nível iniciante) e avançado (com 220 metros lineares, para atletas que já dominaram os movimentos de embalo e curvas do nível intermediário). Em todo esse circuito é obrigatório o uso de capacetes, e orienta-se o uso dos outros equipamentos de segurança, como joelheira, cotoveleira e proteção de punho.
 

Foto: Luis Guadagnoli / Secom.
 
Parkour e skate
Com uma área de 650 m², o circuito de Parkour do Centro de Esportes Radicais contará com uma série de obstáculos horizontais e verticais de diferentes níveis, para que o praticante os transponha utilizando apenas o corpo, com técnicas de corrida, salto, equilíbrio e escalada.
 
O centro ainda apresenta uma pista de skate com 480 m², chamada “Mini-Ramp”, que é um equipamento em formato de “U”, voltado para pratica da modalidade Vertical. O espaço pode ainda ser utilizado pelas modalidades de skate, BMX e Inline, com foco para crianças de até 12 anos.
 
O local ainda conta com 123 luminárias LED, garantindo maior luminosidade e mais economia de energia elétrica, ampliando a sustentabilidade do equipamento.

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Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação / Portal da Prefeitura.
 
 
 


O que poesia e esporte têm em comum? Para os poetas que frequentam Poetry Slams – competição de poesia criada nos EUA que tem tomado as periferias e parte do Centro de São Paulo – mais do que você imagina. Reunindo pessoas das mais diferentes idades, etnias e classes sociais em nome do diálogo de opiniões, da arte e em clima de arena esportiva, o evento tem dado voz a artistas da periferia e pessoas marginalizadas.

Proporcionando um espaço democrático e regulamentado de expressão, os slams tornam-se verdadeiros palcos para os questionamentos das minorias e o levante de questões sociais. No entanto, o grande destaque dos eventos é sua capacidade de unir diferentes temas em um só espaço.

Para competir em um slam, cada poeta ou poetisa, usando roupas comuns e sem adereços ou ferramentas cênicas, deve se inscrever com no mínimo três poesias de autoria própria minutos antes do início do evento, normalmente realizados em ambientes públicos como praças ou centros culturais.

Eles então se apresentam por até três minutos ao público e a cinco jurados, tradicionalmente escolhidos da própria plateia pela organização do slam. Cada jurado dá uma nota de zero a dez. A nota mais alta e a mais baixa são, então, eliminadas, e se classifica à próxima fase quem tiver a maior média entre as três restantes. O vencedor da noite fatura o prêmio: normalmente, livros.

“A gente exclui a nota mais alta e a nota mais baixa, para evitar qualquer favorecimento”, explica a atriz, música e poetisa Roberta Estrela D’alva. Foi ela quem, em dezembro de 2008, trouxe a prática ao Brasil pela primeira vez, fundando o ZAP! Slam, em São Paulo. A onomatopeia, segundo ela, serve de sigla para o título ‘Zona Autônoma da Palavra’.

Desde então, junto do coletivo cultural Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, Estrela D’alva promove o ZAP! a partir das 20h da primeira quinta-feira de cada mês, com exceção de Janeiro, em um ponto do Centro da capital paulista. “O diferencial do ZAP! é geográfico praticamente. Por ele estar no Centro, pessoas de todo tipo o frequentam. É um encontro de estilos e opiniões”, ela fala.

A poetisa Mariana Félix em apresentação no ZAP! Slam, em São Paulo (Foto: Eduardo Pereira/G1)A poetisa Mariana Félix em apresentação no ZAP! Slam, em São Paulo (Foto: Eduardo Pereira/G1)

A poetisa Mariana Félix em apresentação no ZAP! Slam, em São Paulo. Foto: Eduardo Pereira / G1.

O evento tem início com um momento tradicional dos slams, em que qualquer um pode se apresentar artisticamente com poesias, monólogos e performances: o “microfone aberto”. Às 21h, começa a competição. A platéia interage o tempo todo.

Segundo Estrela D’alva, cada edição mensal de um slam consagra um vencedor que, em dezembro, disputa, contra até outros nove vencedores mensais, o direito de representar seu slam no torneio nacional, o Slam BR. O evento acontece também em dezembro, na capital paulista, e reúne poetas de slams realizados em todo o país.

Uma vez campeão nacional, o poeta ganha uma vaga na Copa Mundial de Poesia, realizada na França e que reúne artistas de 20 países. Em 2011, Estrela D’alva conquistou a vaga e representou o país na competição. Ela ficou em terceiro lugar; o mais longe que um artista brasileiro já havia chegado até 2014.

Foi nesse ano que o poeta, ator e atual coordenador de cultura da Prefeitura de São Paulo, Emerson Alcalde, de 33 anos, ficou em segundo lugar no mundial “por uma diferença de décimos”, diz ele.

 

Emerson Alcalde, 33 anos, fundador do Slam da Guilhermina (Foto: Eduardo Pereira/G1)Emerson Alcalde, 33 anos, fundador do Slam da Guilhermina (Foto: Eduardo Pereira/G1)

Emerson Alcalde, 33 anos, fundador do Slam da Guilhermina. Foto: Eduardo Pereira / G1.

Slam da Guilhermina

Alcalde é fundador do segundo slam do Brasil, o Slam da Guilhermina, que acontece toda última-sexta feira de cada mês (também com exceção de janeiro), na praça Guilhermina-Esperança, ao lado da estação homônima do Metrô, na Zona Leste. Um dos mais frequentados da capital, o Guilhermina chega a reunir quase 100 pessoas ao redor de um lampião a gás, símbolo do evento, em noites de competição.

O Guilhermina começa também às 20h, com microfone aberto, e a competição tem início por volta das 21h. As regras são quase as mesmas do ZAP!, com excessão de uma: “Como muita gente costuma vir, tivemos de colocar um máximo de 20 poetas por noite”, relata o slam master, título dado aos mestres de cerimônia dos slams.

Esse sucesso com o público é resultado do crescimento dos Poetry Slams em São Paulo, diz Alcalde: “No começo, só tinha o Guilhermina e o ZAP!. No ano seguinte, tinha cinco slams. No outro, 10. Hoje tem, sei lá, uns 15? Você perde a conta. São tantos”, brinca ele, realmente por fora dos números atuais.

Segundo Estrela D’alva, a capital conta hoje com, no mínimo, 25 slams, espalhados por todas as regiões da capital paulista. No Brasil todo, seriam mais de 30. “Eu vejo uma expansão que considero positiva. A gente está em uma situação da educação em que qualquer coisa que chame atenção para a poesia é válida”, afirma.

O rapper, MC e poeta Lucas Afonso, de 23 anos, é um dos representantes dessa expansão. Atual campeão brasileiro pelo Guilhermina, ele organiza há pouco mais de um ano o Slam da Ponta, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Sua primeira vez em um slam foi no ZAP!. Fã de Alcalde por seu desempenho no mundial, Afonso não esconde sua paixão pela prática.

“O Slam é um lugar de encontro, onde a gente pode discutir de tudo, democraticamente, ninguém é acima de ninguém, é de igual pra igual, é um espaço diferente, um espaço autônomo. De encontro e de reflexão”, diz Afonso.

No Ponta, as reuniões acontecem em toda primeira sexta-feira do mês, às 19h, com um tempo livre de confraternização. O microfone aberto e a competição seguem os horários dos slams veteranos, às 20h e 21h, respectivamente.

Público assiste à performance de Afonso, no Slam da Ponta, na Zona Leste de SP (Foto: Eduardo Pereira/G1)Público assiste à performance de Afonso, no Slam da Ponta, na Zona Leste de SP (Foto: Eduardo Pereira/G1)

Público assiste à performance de Afonso, no Slam da Ponta, na Zona Leste de SP. Foto: Eduardo Pereira / G1.

Diversidade

A auxiliar técnica de educação Mariana Félix, de 30 anos, frequenta slams desde 2013. Com poesias engajadas e ancoradas principalmente em temas feministas, ela enxerga nos slams uma forma de enfrentar o machismo em um contato direto com outros homens, geralmente maioria nos eventos.

“Eu nunca quis ser algo maior que os homens. Eu quero que nós tenhamos consciência de que somos iguais. Queremos os mesmo direitos civis, mesmos direitos sociais. Então, eu gosto de estar entre eles no slam e discutir essas questões porque esse é o espaço que não foi dado na sociedade”, afirma.

“A palavra tem uma força muito grande. Ela é transformadora. E é esse o nosso objetivo: tentar alcançar cada vez mais gente que nunca teve contato com essa arte”, diz a atriz e poetisa Andressa Fernandes, de 32 anos, que compete sob o pseudônimo de Deusa Poetisa. Segundo ela, o codinome é “uma afronta para os machistas”.

Andressa trabalha a junção de dois dos temas mais recorrentes dos slams em seus poemas: sexismo e racismo. Ela elogia o espaço proporcionado pelos eventos, mas critica o ambiente muito masculinizado que, segundo ela, acaba intimidando algumas poetisas. “Quando outra menina compete, até dá um apoio, uma moral pra você”, diz.

O professo de teatro Beto Belinatti, de 32 anos, é freqüentador do ZAP! Slam. Apresentando-se como um “branco, hétero, cisgênero e de classe-média”, ele afirma nunca ter passado pelas dificuldades que muitos freqüentadores do slam, de classes econômicas mais baixas ou vítimas de discriminação, já passaram. Mas explica que isso não o impede de participar do diálogo poético.

 

Roberta Estrela D'alva, fundadora do ZAP! Slam (Foto: Eduardo Pereira/G1)Roberta Estrela D'alva, fundadora do ZAP! Slam (Foto: Eduardo Pereira/G1)

Roberta Estrela D'Alva, fundadora do ZAP! Slam. Foto: Eduardo Pereira / G1.

“Eu nunca fui parado pela polícia. Nunca fui discriminado. Mas eu também não sou ignorante. A gente vê os problemas sociais que estão aí, e eu acho que todo mundo vê”, afirma. “Acho que quem freqüenta o slam quer mais do que só o enfrentamento político. Estar aqui já é um ato político. Há espaço, também, para outros temas, outras formas de arte”, completa.

Aos 66 anos, o cabeleireiro Joilson de Matos não se intimidou pela idade baixa dos outros competidores ao participar do Slam da Guilhermina. Vizinho do evento, ele apresentou um de seus mais de 14 miil poemas - ele afirma guardar todo que escreve há 25 anos - de temática evangélica. “Eu gostei muito. O pessoal é todo alegre e a juventude nos inspira, né?”.

Do outro extremo das idades, a estudante Valquíria de Lima, de 14 anos, passou a frequentar slams depois de se envolver em um projeto cultural de seu colégio, relacionado à poesia. Ela admite o medo inicial de competir com gente grande, mas diz que “pretende ir sempre”.

“A gente fica um pouco nervoso e tal, mas logo percebe que todo mundo é poeta, sem ninguém ser menor ou melhor que ninguém e o importante é a gente se divertir”, afirma Valquíria.

Para Estrela D’alva, é essa junção de diferentes perspectivas de mundo que faz do slam especial. “A competição não é o que vale mais, não é quem ganha que importa, mas é quem apresenta a poesia. De qualquer forma, a poesia sempre vence”, conclui.

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Eduardo Pereira do G1 em São Paulo.


 
As palavras de ordem são "ocupe o centro". Enquanto espera para comer na Casa do Porco, badalada casa de Jefferson Rueda – que tem espera que chega a três horas ou simplesmente pelo prazer de sair por aí, explorando a cidade.

Em um caso ou em outro, vale se programar para almoçar em um lugar, tomar um café em outro e aproveitar o cair da noite em um terceiro. Veja aqui bons motivos para descer na estação República (ou Santa Cecília) do metrô.
 

Foto: Mari Gourmet.
Bar da Dona Onça
O quê: receitas com dobradinha, rabada, fígado e galinha onde av. Ipiranga, 200, Lojas 27/29; tel. (11) 3257-2016.

 
Foto: Leonardo Soares / UOL.
Conceição Discos
O quê: arroz com coração de galinha, pão de queijo e pudim onde r. Imaculada Conceição, 151, Santa Cecília; tel. (11) 3477- 4642.
 
 
Foto: Tadeu Brunelli / Divulgação.
Così
O quê: carnes e massas de sotaque italiano de Renato Carioni onde r. Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília; tel. (11) 3826-5088.
 
Foto: Lucas Lima
Jazz B
O quê: jantar com jazz e almoço executivo, à la carte ou bufê onde r. General Jardim, 43, Vila Buarque; tel. (11) 3257-4290.

 
Foto: Helena Peixoto / Folhapress.
Holly Burguer
O quê: pequena e lotada casa de caprichados hambúrgueres onde r. Doutor Cesário Mota Júnior, 527, Consolação; tel. (11) 4329-9475.
 
 
Foto: Adriana Vizoni / Folhapress.
La Central
O quê: receitas mexicanas em um belo salão no Copan onde av. Ipiranga, 200, loja 48; tel. (11) 3214-5360.

 
Foto: Zé Carlos Barretta / Folhapress.

Ramona
O quê: clima de bar, hambúrgueres, pratos e drinques onde av. São Luís, 282, centro; tel. (11) 3258-6385.
 
 

Foto: Divulgação.
Rinconcito Peruano
O quê: ceviches e arroz chaufa, com bons preços e espera onde r. Aurora, 451, Santa Efigênia; tel. (11) 3361 -2400.

 
 
Foto: Renato Luiz Pereira / Folhapress.
Vovô Ali
O quê: libanês com sanduíches enrolados, esfihas e pastas onde al. Barão de Limeira, 608, Campos Elíseos; tel. (11) 3331-7509.
 
Depois do almoço
 
Foto: Divulgação.
Beluga Café
O quê: café de grãos especiais, bolo e bom pão de queijo onde r. Doutor Cesário Mota Júnior, 379, Vila Buarque; tel. (11) 3214-5322.

Foto: Divulgação.
Por Um Punhado de Dólares
O quê: café preparado em diferentes métodos e sanduíches onde r. Nestor Pestana, 115, Centro; tel. (11) 3214-5891.
 
  
Foto: Tomás Cytrynowicz / Divulgação.
Mandíbula
O quê: bar moderninho, com gim-tônica e vista para a praça onde pça. Dom José Gaspar, 106, 2º andar, loja 40, Centro; tel. (11) 3129-3556.
 
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Redação do Caderno Comida da Folha de S.Paulo.

 
Na terça-feira (8/3), o Festival Bananada anunciou uma parceria que tem tudo para ser um ponto de resgate do formato anterior do evento e que hoje não tem mais tanto espaço pela proporção e tamanho que o Bananada ganhou. Festival de grande porte, ao lado dos mais importantes do Brasil, o Bananada divulgou a parceria firmada com a Casa do Mancha. Mas peraí, o que é Casa do Mancha?
 

Casa do Mancha. Imagem: vilamada.com
 

Se você nunca ouviu falar desse lugar, da próxima vez que for a São Paulo e quiser ouvir música independente, uma parada obrigatória é a Rua Filipe de Alcaçova, em Pinheiros, colado na Vila Madalena. A Casa do Mancha tem como criador, que se identifica hilariamente como pastor de um espaço que existe para “propagar a paz e a harmonia entre as pessoas”, Mancha Leonel.

Ele saiu de Castilho (SP) em 2000 e foi para a capital paulista, onde abriu no ano de 2006 um estúdio que se tornou, no ano seguinte, um dos lugares mais intimistas e comentados da cena alternativa brasileira. A Casa do Mancha é um misto de estúdio com palco baixo, revezamento de músicos e estilos sonoros.

No ano passado, o pastor Mancha criou seu próprio festival, o Fora da Casinha, que aconteceu no Centro Cultural Rio Verde, pertinho da Casa do Mancha, em outubro.

Boa parte das bandas goianas conhece a Casa do Mancha, como Boogarins, Carne Doce, Luziluzia, Caffeine Lullabies e outras, que só tem coisas boas a comentar quando o assunto é o espaço do pastor Mancha.

A programação do 18º Festival Bananada, que acontece de 9 a 15 de maio em diversos lugares de Goiânia, e terá, nos três dias finais, residência fixa na Esplanada JK do Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON). E no meio de toda a programação, a Casa do Mancha estará lá.

A proposta? Novos artistas. A ideia da Casa do Mancha no Bananada é a de preservar as características intimistas e próximas do público que o espaço paulistano tem: palco de 30 centímetros de altura, estrutura pequena e revezamento de atrações pouco conhecidas de diferentes estados do País em uma parte paralela da programação do festival.

“Esse projeto do Bananada tem a função de apontar bandas promissoras, nomes que daqui cinco anos vão estar nos palcos principais dos festivais. São apostas”, disse Mancha à assessoria do evento.

Com sete atrações confirmadas para essa versão da Casa do Mancha em Goiânia, apenas o goiano Kastelijns, nome artístico de Pedro Kastelijns, nunca tocou no espaço em São Paulo.

Sara Não Tem Nome (MG)

Entre as outras atrações estão a mineira de Contagem Sara Braga, que atende pelo nome de Sara Não Tem Nome. O Sara Não Tem Nome lançou seu primeiro disco em 2015. Ômega III tem 12 canções e é tão intimista quanto a proposta da artista, que encanta com sua proposta, praticamente inteira em cima da formação voz e violão.

Gravado no Red Bull Station, em São Paulo, o disco de Sara Não Tem Nome foi masterizado por Rob Grant, que trabalhou com bandas do calibre de Tame Impala, Pond e Death Cab for Cutie, além da brasileira BIKE, que esteve no Bananada de 2015.

Kasteljins (GO)

Pedro Kasteljins, ou apenas Kasteljins, lançou no ano passado pela LALONGE a fita k7 Raposa, com 10 músicas escolhidas entre as primeiras gravações feitas pelo músico, entre 2012 e 2013, em seu quarto. Kasteljins contou com a ajuda do guitarrista do Boogarins, Benke Ferraz, para finalizar o material e lançar.

Como são canções registradas de forma amadora pelo próprio artista, a qualidade do registro não é das melhores, mas em Raposa é possível perceber a atmosfera experimental e tranquila de faixas como a interessante Answer.

My Magical Glowing Lens (ES)

De Vitória (ES) vem a My Magical Glowing Lens. Gabriela Deptulski (guitarra, baixo, bateria e vocal), Rafael Borges (bateria) e Gil Mello (baixo) são um trio de “música psicodélica mística esquizofrênica barulhenta progressiva”, como eles se definem.

Os capixabas já lançaram o EP My Magical Glowing Lens (2013), com quatro canções, e o single Windy Streets, em março de 2015. A banda, que está nos selos Honey Bomb Records e Midsummer Madness, anunciou no Facebook que está compondo com direção do fundador dos Beach Boys, Brian Wilson, o novo trabalho, que tem o nome de Cosmos.

Vitreaux (SP)

Vitreaux é um quarteto paulistano que faz do rock e do folk com letras em português seu estilo. O grupo começou a divulgar o que será o primeiro disco, Pra Gente Poder Passear, sucessor do EP de estreia, Dois Por Dois, de 2014.

Ventre (RJ)

Larissa Conforto (bateria), Gabriel Ventura (vocal e guitarra) e Hugo Noguchi (baixo) formam o Ventre, do Rio de Janeiro. O disco Ventre (2015) tem 11 músicas, que vão da energia contagiante de Bailarina à calmaria de Aperto e um Beijo, com letras que seguem a tensão e evolução sonora das canções, que flertam com a energia do rock e o experimentalismo da MPB.

Wolfgang (SP)

Wolfgang, que no meio de 2015 estava no estúdio, é um grupo de garage rock de São Paulo. O resto você descobre no show.

FingerFingerrr (SP)

Flavio Juliano (vocal, guitarra e baixo) e Ricardo Cifas (bateria, teclados e vocais) são a paulistana FingerFingerrr, que já lançou o The Lick It EP (2012), com quatro sons, além das músicas Can’t You Hear Me Knocking e Buck You. É basicamente rock’n’roll e muito efeito nas gravações.

Outras atrações

O 18º Festival Bananada, além das atrações do Casa do Mancha no CCON, já confirmou a presença de Jorge Ben Jor (RJ), Planet Hemp (RJ), Liniker (SP), Autoramas (RJ), The Helio Sequence (EUA), Frank Jorge (RS), Felipe Cordeiro (PA), Hellbenders (GO), Carne Doce (GO), Yonatan Gat (Israel/EUA), Supercordas (RJ), Mahmed (RN), Quarto Negro (SP), Molho Negro (PA), Neguim Beats (GO), Ventre (RJ) e os DJs Renato Cohen, Mau Mau e Anderson Noise.

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Da redação do Jornal Opção de Goiânia.