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Em comemoração aos seus 68 anos, o Masp (Museu de Arte de São Paulo) reverterá a idade em desconto. A partir desta sexta-feira (2), a instituição oferecerá seus ingressos a R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia-entrada) até a próxima quinta (8). 

A iniciativa é válida para a bilheteria física e online. A entrada continua gratuita às terças (o dia todo) e às quintas (17h-20h). O programa Amigo Masp também foi incluído na celebração: o desconto se repete, mas desta vez por apenas um dia –amanhã, a R$ 22,40 para estudantes e professores, R$ 32 para idosos, R$ 44,80 em passe individual e R$ 76,80 para a família (estes últimos para os não contemplados nos pacotes anteriores).
 
Inaugurado em 2 de outubro de 1947, o Masp foi idealizado pelo empresário e jornalista Assis Chateaubriand junto ao também jornalista e crítico de arte italiano Pietro Maria Bardi. 
 
Desenhos de Lina Bo Bardi para o MASP. Henrique Luz / Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.
 

Lina Bo Bardi concebeu arquitetonicamente a atual sede do MASP. Para preservar a vista exigida para o centro da cidade era necessário ou uma edificação subterrânea ou uma suspensa. A arquiteta optou por ambas as alternativas, concebendo um bloco subterrâneo e um elevado, suspenso a oito metros do piso. A construção é considerada única pela sua peculiaridade: o corpo principal pousado sobre quatro pilares laterais, resultando em um vão livre de 74 metros, à época considerado o maior do mundo. A inovação foi viabilizada pelo trabalho do engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz, que aplicou na obra a sua própria patente de concreto protendido.

O edifício, projetado em 1958, levou dez anos para ser concluído. As obras se estenderam ao longo dos mandatos de Ademar de Barros e Prestes Maia, sendo somente finalizadas durante a gestão de Faria Lima. A nova sede do MASP foi finalmente inaugurada em 8 de novembro de 1968, na presença do príncipe Filipe e da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, a quem coube o discurso de inauguração. Lina Bo coordenou a exposição de abertura, intitulada 'A mão do povo brasileiro', dedicada à cultura popular do país. A arquiteta inovou na forma de expor a coleção permanente, ao utilizar lâminas de cristal temperado amparados por blocos de concreto como suportes para as pinturas. 

 
A nova sede do MASP inaugurada em 8 de novembro de 1968 com a presença da Rainha Elizabeth II.
 
O Museu de Arte de São Paulo possui a maior e mais completa coleção de arte ocidental da América Latina e de todo Hemisfério Sul. O acervo do Museu tem obras de Rafael, Ticiano, Delacroix Renoir, Monet, Cézanne, Toulouse-Lautrec, Van Gogh, Gauguin e Modigliani, entre outros. 

Na semana passada, o museu renegociou uma dívida de dez anos – que já passava dos R$ 40 milhões – com a operadora Vivo. Com o acordo, que reduziu o valor para R$ 10 milhões, a telefônica torna-se patrocinadora do Masp e terá sua marca exposta em placas, no site e no material impresso da instituição.
 
Com informações da Folha de S.Paulo e Wikipedia.


A segunda etapa do Circuito Municipal de Cultural 2015, que começa nesta quinta-feira (1º) e seguirá até dezembro, levará mais de 1.500 atrações gratuitas para quase 150 locais em diferentes bairros da cidade de São Paulo.

A programação, apresentada em entrevista coletiva nesta quarta-feira (30), contará com shows musicais, peças teatrais, exibições de cinema, espetáculos de dança, apresentações circenses, infantis e atividades literárias para todas as idades e estilos. Confira a programação completa.

Uma das grandes demandas da cultura na cidade era a descentralização, que as atividades não aconteçam só no centro e que sejam o ano todo. Essa era a demanda dos coletivos de cultura há dois anos, e a realização do Circuito é a expressão de um projeto que vai ao encontro dessa demanda”, afirmou prefeito Fernando Haddad.

Além das apresentações em teatros, bibliotecas, pontos de leitura e centros culturais e também em oito parques municipais, como aconteceu na primeira etapa, as novidades serão as atividades nos 46 Centros Educacionais Unificados (CEUs) e cinco palcos externos que serão montados nos bairros, descentralizando a programação musical. As 17 casas de cultura também terão atrações do Circuito.

“É o maior circuito cultural que existe na cidade. À medida em que a gente vai organizando a programação, percebe que a ação da secretaria e da Prefeitura tem uma abrangência que nenhuma outra programação tem, seja pela cobertura territorial ou pela diversidade das atrações em suas várias linguagens”, disse o secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki.

A primeira semana do Circuito contará com shows de Chico César, Marcos Valle e Jerry Adriani. Além deles, Fafá de Belém, Elza Soares, Zeca Baleiro, Gabriel O Pensador e Eduardo Dussek também se apresentarão gratuitamente até o fim do ano. A programação de dança começa nesta quinta (1º), com o espetáculo “Sem conservantes”, na Sala Paissandu. Entre as atrações de teatro, está a peça “Folias Galileu”, da premiada companhia Folias d'Arte, que fará um circuito de apresentações em dez CEUs da cidade. 

Os fãs de histórias em quadrinhos poderão participar de oficinas em 22 espaços públicos que acontecerão até 19 de dezembro, com encerramento na Praça das Artes. Na Biblioteca Monteiro Lobato, no centro, segue a programação regular de cinema às terças-feiras. Entre os filmes que serão exibidos estão “O menino e o mundo”, de Ale Abreu, e “Zarafa” de Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie. O circuito também contará com o lançamento de filmes paulistas inéditos que fazem parte do circuito da empresa pública de fomento do audiovisual, Spcine, entre eles, “Aqui deste lugar”, de Sérgio Machado.  

“A curadoria fez muita escuta local e ela [a programação] é reflexo do que a população de cada região estava pedindo”, afirmou a coordenadora de programação da Secretaria Municipal de Cultura, Gabriela Fontana.

No primeiro semestre deste ano, a Secretaria Municipal de Cultura investiu R$ 5,4 milhões em mais de 1.000 atividades culturais. Nesta segunda fase do programa, que seguirá até dezembro, são 1.500 atividades com um orçamento de R$ 7 milhões. O circuito foi ampliado após a primeira experiência no ano passado, que proporcionou um aumento de 42% do público nos equipamentos de cultura, com mais de 1.000 atrações que reuniram cerca de 1 milhão de pessoas ao longo de 2014.

“Hoje, o Circuito tem um investimento maior que o da Virada Cultural, que foi R$ 7 milhões, enquanto o investimento anual no Circuito vai ser de R$ 13 milhões, praticamente o dobro. Nada contra a Virada, mas o Circuito tem a vantagem de acontecer na cidade inteira e no ano todo. Isso facilita muito o acesso de quem não tem disposição de vir em um dia específico virar a noite no Centro”, disse o prefeito.

Infantil
Em parceria com o São Paulo Carinhosa, política municipal para a primeira infância, o Circuito Municipal de Cultura celebrará o Mês da Criança com diversas atividades, entre elas a “Viradinha”. Nos moldes da programação infantil realizada nas duas últimas edições da Virada Cultural, shows musicais, circo, oficinas e outras atividades com foco em vivência e ocupação dos espaços públicos chegarão a 18 bairros periféricos da cidade. Artistas como o grupo Pequeno Cidadão e a Cia. Pia Fraus estarão na programação que promete animar crianças e bebês.

A programação também fará referência aos 30 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e os 80 anos da Educação Infantil em São Paulo. Cerca de 30% das atividades são voltadas ao público infantil, em especial, as crianças em maior situação de vulnerabilidade.

“A experiência tem sido muito interessante no sentido de que espaços que originalmente eram ocupados por uma programação adulta têm sido destinados a programação infantil. A Praça das Artes é um exemplo, e a gente tem conseguido, junto com a programação, montar atividades interativas, espaços com infraestrutura para famílias que estão com bebê e crianças de várias idades”, afirmou a coordenadora do São Paulo Carinhosa e primeira-dama, Ana Estela Haddad.

Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação.


O Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, em S.Paulo, foi totalmente refeito. Após mais de 10 anos, a obra entregue ficou muito diferente do projeto. Sem árvores, sem bancos, sem bicicletário, sem abrigo para os passageiros de ônibus, com blocos de concreto separando carros de pedestres. 

Apesar disso, um fenômeno interessantíssimo aconteceu: as pessoas da região começaram a demandar as melhorias, junto à subprefeitura e ao Grupo Gestor da Operação Urbana Faria Lima. Houve outros grupos que se organizaram em movimentos de ocupação da praça, com uma programação fixa e até construindo eles mesmos equipamentos no lugar dos que não foram entregues. Houve até quem plantasse árvores. O bicicletário foi construído, assim como dois abrigos de ônibus. 

O fato é que descobrimos que não existe um responsável no poder público a quem cobrar. O governo estadual constrói o metrô mas não se preocupa com a integração com a praça. A subprefeitura cuida da manutenção mas não manda no projeto. A Operação Urbana determina o uso da verba da venda dos CEPAC´s mas não está preocupada com a implantação. A CET, a SP Obras, etc etc. 

Mas também descobrimos que existem muitas pessoas a fim de se responsabilizarem. E elas estão lá, na praça! 

Este vídeo, (na trilha sonora, 'Choro Novo') feito pelo fotógrafo Mauricio Cremonini em agosto último, mostra os dois lados dessa história. Em um minuto, um fim de semana inteiro e suas cenas: – o movimento dos bares à noite. – o vazio da praça nas áreas que não tm sombra, nem banco. – os poucos que vem jogar ping-pong numa mesinha no canto direito da cena. – o fluxo incessante de carros ao redor da praça, inclusive na rua do meio, que foi motivo de discussão com a CET para a implantação de uma faixa de pedestres – e até um baile no sábado à noitinha, que junta um grupo grande de pessoas que vêm dançar forró. 

Essa é uma história que não se acabou. Nos próximos meses, vai começar a terceira fase das obras. O resultado não sabemos, mas dá para ter certeza de que vai ter gente conferindo, cobrando. 

A urbanidade em São Paulo está sendo resgatada, não por decreto, mas por demanda.

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Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e consultor organizacional. 
*Este artigo foi publicado originalmente no Blog Caminhadas Urbanas em O Estado de S.Paulo.
 
 


O Teatro Municipal de Santo Amaro Paulo Eiró será reaberto à população na próxima segunda-feira (28), às 19h,  com um concerto especial da Orquestra Experimental de Repertório e o Coral Paulistano. A casa será devolvida à cidade totalmente modernizada, após reforma que instalou nova iluminação, melhorou a acústica e possibilitou acessibilidade total a pessoas com deficiência.

Em coletiva de imprensa na manhã de quarta-feira (23), o prefeito Fernando Haddad anunciou que a casa da zona sul receberá apresentações dos corpos artísticos do Theatro Municipal. “Este teatro não deve absolutamente nada ao teatro mais moderno na cidade. Os quatro corpos estáveis da cidade irão se apresentar aqui, inclusive porque este teatro tem a infraestrutura necessária. Podemos ter até uma ópera aqui tranquilamente, fazendo o povo da zona sul assistir com o mesmo conforto e qualidade que no Theatro Municipal”, afirmou.

Na apresentação de reinauguração, a orquestra será regida pelos maestros John Neschling, Carlos Moreno e Martinho Lutero Galati. No programa, obras de Carlos Gomes e Händel, entre outros compositores. “É um teatro muito importante na cidade e faz parte de um ciclo de projetos dos anos 50, criados com a preocupação de levar eventos culturais para bairros em que não havia programação. Isso continua atual e nós devemos ter aqui uma programação muito qualificada”, disse o secretário Nabil Bonduki (Cultura).

Ao longo de 2015 e 2016, estão programados eventos do projeto Municipal na Cidade, com destaque para os concertos matinais da Orquestra Experimental de Repertório, que se apresentará no teatro no terceiro domingo de cada mês, às 11h. A programação de reabertura conta também com peças de teatro, espetáculos infantis, dança, circo e música popular brasileira. Todas as atrações são gratuitas. 
 

Estrutura

O teatro tem a segunda maior plateia entre os equipamentos municipais, com 476 lugares, incluindo espaços reservados e adaptados para pessoas com deficiência e obesos. No total, o teatro tem 2,6 mil metros quadrados e recebeu investimentos de R$ 14,4 milhões. Nas obras, foram reformados todos os camarins e instaladas varandas em estrutura metálica de cenotecnia. Os espetáculos serão também favorecidos com o novo isolamento acústico em todas as paredes e teto do palco e plateia.Na área do proscênio foi instalado um elevador de palco, equipamento que permite apresentações de ópera, por criar um fosso para a orquestra. “Além do Theatro Municipal, somente aqui temos sistema de elevador. A estrutura com sistema spiralift foi importada do Canadá, porque é totalmente peculiar, usa uma técnica que a gente consegue baixar toda a estrutura do palco, com movimento lento e silencioso”, explicou o secretário Roberto Garibe (Infraestrutura Urbana e Obras).A plateia foi completamente remodelada, com a criação de rampas acessíveis e desníveis apropriados entre as filas das poltronas para dar melhor visibilidade do palco. Com a intervenção, o equipamento passa a ter acessibilidade para pessoas com deficiência, inclusive com elevador para acesso ao palco e ao mezanino superior. O teatro recebeu ar condicionado e sistema de prevenção e combate a incêndios, com detectores de fumaça, alarmes e hidrantes.Foi também realizada a completa substituição das instalações elétricas e hidráulicas e de toda estrutura metálica de sustentação do telhado, com a instalação de novas telhas com isolamento térmico e acústico de toda a cobertura.A praça localizada em frente ao teatro foi remodelada, com a instalação de fonte interativa. A ideia é criar um espaço de convivência com bancos e iluminação especial. O painel “Homenagem às Artes”, de Julio Guerra, também foi restaurado. Sua posição na praça foi modificada para favorecer a visualização da fachada do teatro e a circulação de pessoas pelo espaço público.O teatro foi inaugurado em 23 de março de 1957 e é um bem tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. Seu nome homenageia o professor, poeta, escritor e dramaturgo Paulo Eiró, nascido em Santo Amaro.

Clique aqui e confira a programação.

Serviço
Teatro Municipal Paulo Eiró.
Endereço: Av. Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro (Zona Sul).
Telefone: 5546-0449 e 5686-8440.

Fonte: Secretaria Municipal de Cultura.

 


As primeiras cinco ruas que serão fechadas aos domingos no novo programa de abertura para pedestres da gestão Fernando Haddad (PT) foram divulgadas neste fim de semana. Além da Paulista, integram a lista as Avenidas Sumaré (zona oeste), Carlos Caldeira Filho (Campo Limpo) e do Mar Paulista (zona sul), além da Rua Benedito Galvão, na zona leste.

Segundo nota da Prefeitura, as vias foram definidas em cinco audiências públicas, que contaram, ao todo, com 320 pessoas – isso incluindo o evento realizado no sábado, 19, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, em que 150 pessoas debateram o fechamento daquela via.

O menor trecho do programa, que se chama Rua Aberta, terá apenas 130 metros, na Rua Benedito Galvão, na Subprefeitura de Aricanduva. Esse percurso na zona leste é percorrido a pé em menos de dois minutos. E fica no meio de uma área verde, a Praça Albino Francisco Figueiredo. “A sugestão foi apontada por um técnico de Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que alegou que afeta menos o trânsito, pois a via é larga, tem 10 metros de largura, facilitando a ocupação das pessoas”, diz a nota da Prefeitura.

Enquanto isso, a Avenida do Mar Paulista, que também fica em um trecho cercado de verde, às margens da Represa Billings, terá 1,1 quilômetro fechado – a via também não tem cruzamentos importantes para o fluxo local, o que facilitará o bloqueio total de carros.

Já a Avenida Carlos Caldeira Filho, um dos principais acessos ao Campo Limpo, será bloqueada no trecho entre as Estações Campo Limpo e Capão Redondo do Metrô. “A ausência do itinerário de ônibus não vai causar dificuldades para locomoção da população, pois a via é servida pelo metrô e tem acesso fácil ao corredor de ônibus da Estrada de Itapecerica”, justificou a gestão Fernando Haddad (PT).

Sumaré 

No caso da Avenida Sumaré, que tem ao todo 1,8 quilômetro de extensão, o trecho da interdição não foi definido. Só 20 pessoas compareceram à audiência pública. “A escolha se deu porque a via apresenta diversos comércios atrativos a pedestres e ciclistas, é de fácil acesso e possui transporte público próximo”, informa a Prefeitura. A escolha do endereço, entretanto, não foi por consenso. Entre os presentes, houve quem sugerisse outras ruas, como a Gastão Vidigal e a Rua Froben, na Vila Leopoldina. Há ainda 27 audiências públicas previstas até o dia 17 para discutir o assunto em outras subprefeituras. 

Bruno Ribeiro / O Estado de S.Paulo.


Quando Niufer Demir fotografou o corpo do menino sírio Aylan na praia, não sabia que estava fotografando um anjo, que faria o mundo olhar melhor a crise migratória. Ela estremeceu ao fazer a foto, contou numa entrevista, e com certeza estremeceu os corações dos que a olharam.

Ser fotógrafo é olhar com imparcialidade a cena e fotografar. A paixão pelo fotojornalismo vem disso.

Hoje essa arte se tornou medíocre nas mãos dos que se preocupam em fazer selfies o tempo todo para satisfazer os seus egos, mas acho valiosa a contribuição dos amadores que fotografam a cultura das suas famílias, porque isso é história e comportamento de uma época.

Como Barthes diz, a fotografia representa um instante que já morreu, porque aquele instante não se repetirá nunca mais.

Hoje, com o advento da fotografia digital, todos se acham fotógrafos e isso não é novidade. Lembro que até pouco tempo atrás, quando eu dizia que era fotógrafa, muitos se emocionavam. Agora, quando digo isso, muita gente responde de pronto: eu também sou.

Não imaginam o comprometimento que essa profissão exige, seja técnico, ideológico ou simplesmente a consciência pura do que está fazendo no momento que fotografa.

A grande paixão da minha vida é a fotografia, que me levou a lugares e situações históricas, em alguns momentos. Fotografei tudo o que eu queria ver, desde uma cirurgia do coração – uma das primeiras — até a Floresta Amazônica, em avião sem porta.

Vi plataformas de petróleo, cidades, campos, atores e músicos, muitos empresários – donos do PIB nacional –, teatro… Enfim, passei a vida olhando de tudo um pouco e me apaixonei por isso. Fiz a fotografia do Lamarca em Quitaúna quando eu tinha 19 anos, para o Jornal Última Hora.

Ninguém sabia que ele fugiria com as armas um mês depois e essa imagem viveria até hoje. Muito menos eu, que deixei os meus negativos para trás e fui encontra-los no arquivo da Folha, depois de passar pelo Arquivo do Estado, no ano passado. Só havia restado quatro tiras, dos dois filmes TRI-X que usei naquela época.

Eu sempre gostei muito de fazer retratos, porque interagia com as pessoas e assim conseguia passar a imagem que eu desejava. No retrato de Oscar Niemeyer ele está sorrindo, o que é coisa rara. Lembro que fiz alguma brincadeira sobre social democracia x comunismo e ele me deu esse sorriso.

Muitos amigos já conhecem história do retrato do Gilberto Gil. Ele agendou nossa sessão no meio de um ensaio, vestia uma camisa comum e estava inquieto com o tempo. Cobrei que não estava me dando seu retrato e ele imediatamente tirou a camisa e me deu a fotografia.

Posso fazer o contrário, provocar o medo, como na fotografia do Pedro Collor, que fiz logo após a entrevista que levou ao impeachment do seu irmão. Ou como fiz com esse menininho: falei que iria roubar seu pirulito e ele travou o pirulito na boca, Adorava pedir para grandes empresários fazerem coisas impossíveis, como subir num guindaste – conseguia isso apenas elogiando a gravata ou dizendo que estavam bonitos.

Existem sonhos que eu não realizei: fotografar as pernas dos jogadores de futebol, que são maravilhosas; jogar as bolinhas de gude que eu carregava nas passeatas de 1968 e derrubar a repressão. Também queria fazer um ensaio sobre Vestidos Para Festejar, mostrando que festejar é um estado de espírito, não importa se a pessoa veste Versace ou uma saia de chita. Isto tudo vai ficar só no meus sonhos.

Agora, eu resolvi fazer Fine Art e buscar o que há de estético na natureza, na arquitetura, algumas casas e lugares históricos etc. Busco naquilo que está perto de mim de forma livre, sem comprometimento com as pautas dos editoriais e sem a ajuda de nenhum curador.

Eu nunca coloquei fotografias na parede, mas agora mudei. Quando decidi buscar este caminho, passei a assistir a palestras, workshops, ir a todas as exposições, one encontrei diversos colegas que também buscaram essa alternativa.

Hoje as galerias querem a história que fotografei, para fazer alguma exposição, enquanto eu quero mais é fotografar coisas novas todos os dias, porque isso é vital para a minha existência. Observo os detalhes e busco o encanto em cada clique. Eu me sinto merecedora dessa liberdade de expressão, depois de ter trabalhado 45 anos como fotógrafa. Quem quiser montar a minha história que o faça. Para mim tanto faz, porque eu já vivi tudo aquilo.

A Feira Cavalete, que será no próximo sábado dia 19, das 11h às 19h, na Rua Harmonia, 126, em São Paulo, foi uma alternativa que encontrei para mostrar esse meu trabalho novo, livre dos editoriais e mais autoral.

Fotógrafo sem qualquer compromisso que não seja o de colocar uma fotografia na parede que agrade os olhos de quem vê. Pesquiso algumas possibilidades de alinhavar tudo isso, dentro da minha proposta de olhar as coisas mais simples do mundo e fotografar.

A Feira Cavalete é uma iniciativa da DOC Galeria e Galeria Nikon e foi idealizada pelos curadores Mônica Maia e Fernando Costa Neto. A proposta é divulgar a fotografia Fine Art, gênero já consagrado na Europa e Estados Unidos, para um público novo. Espero que gostem.

Informações: [email protected]om.br

Bia Parreiras é fotógrafa e editora de fotografia. Texto publicado originalmente no DCM.

 

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