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São Paulo São Encontros


A Benê Food Des Arts faz, durante todo o mês de dezembro, uma temporada de ocupação da praça Oswaldo Cruz. A praça será tomada por diversas atividades que unirão expositores de comida de rua, intervenções artísticas. Parte do projeto do evento também propõe a revitalização com paisagismo dos quatro cantos da praça, cortada pela Avenida Paulista. A ocupação funciona de segunda a segunda, com programação das 11h às 21h.

 

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Evento gastronômico e cultural fará temporada na praça Oswaldo Cruz em dezembro. Foto: Divulgação.

A ideia é que o espaço sirva como escape da rotina corrida da capital, onde quem passar por ali, além de poder provar uma variedade de pratos tradicionais e contemporâneos, preparados por food trucks, terá uma série de opções de entretenimento e um espaço para descanso. 

Durante as cinco semanas de ocupação, atividades como oficinas de cultivo de hortas caseiras, proposto pela equipe Benê Food des Arts, que será responsável pela seleção de plantas que vão compor os novos canteiros da praça e harmonizando com a paisagem urbana, serão rotina no espaço. 

O grafitteiro Cajú Napaz Crew, riscará paisagens da antiga São Paulo em painéis pela Praça e fará uma intervenção em Vetor em uma das bancas de jornal do local, enquanto um som ambiente manterá um clima descontraído. Ainda aproveitando a temporada de fim de ano, a praça ganhará uma decoração natalina especial, se tornando mais uma das passagens obrigatórias dos paulistanos em clima de natal.

Para as atrações gastronômicas, a seleção de expositores considerou tickets médios a preços justos e produtos de qualidade. Nomes como Brasa Food Truck, que traz pratos com diferentes cortes de carnes preparadas na brasa, prometem deixar sua marca olfativa na região. Hambúgueres artesanais serão representados pelo Maria Gasolina e o Pirata Food Truck, enquanto comidas tipicas mexicanas e portuguesas ficam por conta do Burritos Bravo e Por Aí Gastronomia Portuguesa Sobre Rodas. Para acompanhar as especialidades, o Bang Bang Beer Truck, levará ainda 160 rótulos de cervejas artesanais.  

Ao longo do mês, diversos trucks se alternarão para compor a programação gastronômica direcionada aos mais variados públicos. Quem mora ou trabalha na região poderá também utilizar os serviços delivery, oferecidos gratuitamente pela Benê, onde uma bike customizada usará as ciclovias para chegar ao seu destino com a refeição escolhida. Destaque também para a presença da Komborgânica, uma feira orgânica móvel, montada em uma kombi, que traz legumes e verduras frescos. 

A feira itinerante Benê Food Des Arts, que fez história com suas edições no Minhocão, tem como objetivo ocupar espaços públicos e incentivar o melhor aproveitamento da cidade de São Paulo pelos paulistanos. Fazem parte de todas as edições do evento intervenções artísticas, debates e atividades de conscientização sustentável e ambiental e a coleta seletiva sempre unidos a uma seleção de Food Trucks e Food Bikes com o melhor da gastronomia de rua.  A programação com todas as atividades que acontecerão na Paulista, será divulgada diariamente no evento do facebook

Serviço

Benê Food Des Arts na Avenida Paulista.
Local: Praça Oswaldo Cruz.
Data: até 3 de janeiro.
Horário: segunda a domingo das 11h - 21h.
Entrada Gratuita.

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Com informações de Ligia Otero / Assessoria de imprensa do evento.


Referência do famoso reduto boêmio paulistano da rua Augusta, o bar Z Carniceria mudou o endereço para outro centro efervescente da noite local, o Largo da Batata. Agora, como bar, restaurante e palco para apresentações musicais.

O estabelecimento se fixará a partir de 4 de dezembro no local em que um dia funcionou o Aeroanta, casa que entre os anos 1980 e 1990 chegou a receber Chico Science & Nação Zumbi, Mercenárias, Cazuza, Buzzcocks, entre outros.

Com capacidade para 300 pessoas, o Z Carniceria mantém a tradição reservando em sua agenda as quintas-feiras para jazz e blues. Às sextas-feiras, novas bandas tocarão de rock a música experimental e brasileira.

O sábado será o dia de artistas e bandas convidados interpretam projetos especiais, que podem incluir a performance de um álbum inteiro de um artista que influenciou suas carreiras. Aos domingos, inicialmente uma vez ao mês, o Z Carniceria oferece seu palco para que novos artistas mostrem seu trabalho, como nas tradicionais noites de “open mic” das casas de shows norte-americanas.

Sala Espacial, Mundo Alto, Marrero, Aldo, Catatau e o Instrumental e Rock Rocket vão inaugurar o estabelecimento. O DJ residente é o Focka, que entra em ação após os shows para animar a pista. Os ingressos para os dias de shows custarão entre R$ 25 e R$ 35.

“O Z Carniceria foi um bar montado para os amantes de rock e da música ao vivo, mas sempre teve a deficiência de não ter palco, o que não nos impediu de realizar alguns shows e festas ali dentro. Após sete anos de operação com público fiel e entusiasta, o bar merecia um novo espaço, com melhor infraestrutura de cozinha e palco. Especialmente no Largo da Batata, que vive um momento de resgate e do cenário musical paulistano, que não para de mostrar bandas novas e interessantes”, diz Facundo Guerra, diretor do Grupo Vegas.

“O Aeroanta foi um dos epicentros do rock paulistano no século passado. Voltar pra esse espaço é emblemático, além do Largo da Batata ser hoje muito parecido com a Augusta antes de existir a região que hoje nos acostumamos a chamar de Baixo Augusta”, completa ele.

A partir de agora, o Z Carniceria também abrirá para almoço e jantar com cardápio elaborado pela chef Mariana Gilbertoni.

Serviço

Z Carniceria
Av. Brigadeiro Faria Lima, 724. 
Terça a domingo: aberto / segunda: fechado.
Almoço - terça a sexta: 12h às 15h / sábado e domingo: 13h ás 17h
Jantar - terça a quinta: 19h à 00h / sexta a sábado: 19h às 2h / domingo: 19h à 00h
Abertura do bar: 21h; horário dos shows: 23h
Capacidade: 400 pessoas (sendo 80 sentadas)
Possui área de fumantes e acesso a pessoas com deficiência.
Site: www.zcarniceria.com.br

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Redação da Rolling Stones Brasil.


Um dos principais palcos da cidade de São Paulo poderá ser visitado pela internet a partir desta terça-feira, 1º. O Google anunciou que o interior do centenário Theatro Municipal de São Paulo foi mapeado e agora está disponível por meio do serviço Street View.

O anúncio aconteceu na manhã desta terça, no próprio Theatro, e faz parte de um projeto do Instituto Cultural do Google, no qual há também a captação da mais recente montagem da ópera Lohengrin, de Richard Wagner em vídeo 360º e a abertura de quatro exposições virtuais do acervo permanente do Theatro Municipal.

“O Municipal está no lugar onde precisa e tem de estar”, declarou o secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki, no anúncio do evento. Para ele, o projeto é uma oportunidade de dar acesso amplo ao local, que tem uma aura de erudito e para poucos. Segundo o secretário, a intenção é transformar a parceria com o Google em uma visita virtual guiada pelo Theatro Municipal.

Além do Theatro Municipal, outras quatro grandes casas de espetáculos de outros países estão presentes no projeto: a Ópera Nacional de Paris, na França; o Carnegie Hall, em Nova York, nos Estados Unidos, a Royal Shakespeare Company, da Inglaterra; e a Filarmônica de Berlim, na Alemanha. O Theatro Municipal é o único representante do hemisfério sul a participar desta nova fase do projeto do Instituto Cultural do Google, que já mapeou mais de 900 instituições, em 60 países diferentes.

No Brasil, além do Theatro Municipal, o acervo virtual do Street View conta com outros lugares como o Museu do Futebol, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e a Fundação Athos Bulcão, de Brasília.

Exposições

Além dos vídeos de Lohengrin e do acesso à todo o prédio do Theatro Municipal, o projeto conta com quatro exposições virtuais. Ficha Técnica mostra a história do Theatro entre 1911 e 1940, através do programa de espetáculos antigos. #DIVASEASTROS mostra os grandes nomes que passaram pelo palco do teatro, enquanto Atrás da Cortina Vermelha exibe fotos de bastidores de quatro montagens recentes do Municipal. Por fim, Municipal tim-tim por tim-tim é um grande áudio-guia virtual em diversas línguas sobre a história e a arquitetura do prédio, que foi projetado por Ramos de Azevedo e construído entre 1903 e 1911.

“É só o começo”, disse Alessandro Germano, do Google, durante o evento. Nos próximos meses, o Google e o Theatro Municipal continuarão a digitalizar os conteúdos do acervo do teatro, com programas, cartazes e gravações em áudio e vídeo

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Bruno Capelas no LINK do Estadão.


Alguma coisa acontece em São Paulo. O ensaio que ilustra esta reportagem mostra que há beleza na megalópole de proporções avassaladoras: 12 milhões de habitantes, 12,7% do PIB do Brasil, 10ª cidade que mais gera riqueza no mundo. Uma beleza menos óbvia, quase deselegante — novamente Caetano Veloso —, desordenada, que não é abençoada por Deus como a carioca, mas sim feita pelo homem. Desde que surgiu como potência econômica no final do século XIX, São Paulo contou somente com o homem para construir sua identidade. É dele a arquitetura imponente em locais como a Estação da Luz ou o Viaduto Santa Ifigênia, que ilustra a capa desta edição.

Foram homens como Oscar Niemeyer que conceberam ícones como o edifício Copan e o Parque Ibirapuera, local preferido de nove entre dez paulistanos, citado, em agosto último, como um dos dez melhores parques urbanos do mundo pelo jornal inglês “The Guardian”. E são as pessoas que vivem aqui que têm buscado soluções para nossas crises financeira, de criatividade, de relação com o espaço público. Coisas boas vêm acontecendo em São Paulo: propostas novas de economia compartilhada, de eventos ao ar livre, gratuitos, de ofertas culturais e de mobilidade urbana. Mesmo que o fechamento de vias para carros, o aumento das ciclovias e a redução de velocidade nas marginais sejam projetos cercados de polêmica e dividam a opinião dos paulistanos, são experiências interessantes e atraem holofotes.


Espelhos. Conjunto de prédios comerciais, vizinho a dois shopping centers da Av. Morumbi. Foto: Marcos Alves / Agência O Globo.
 
Os serviços e a gastronomia são de primeiro mundo. Levantamento recente mostrou ainda que é o carioca, e não o paulistano, que gasta mais tempo para ir e voltar de casa para o trabalho: uma média de 47 minutos por trajeto, contra 45,6 em São Paulo. É notório, mas ainda não foi alvo de estudos mais aprofundados: o paulistano é pontual, buzina muito pouco no trânsito, raramente para em cruzamento e tem um respeito quase europeu ao pedestre. Claro que ainda há a feia fumaça e a violência. Claro que há muitas iniciativas controversas, e a população da periferia pode não ter acesso ao melhor que a cidade oferece. Mas como o papo é beleza...
 
- Não vou comparar São Paulo com o Rio, as duas cidades têm suas belezas e suas mazelas. Mas adoro observar São Paulo à noite, o skyline da megalópole. Adoro as manifestações culturais, ver cada vez mais gente andando pela cidade, os restaurantes com comidas de todos os lugares do mundo. Me sinto muito seguro nos bairros que frequento, ao redor da Paulista, dos Jardins, de Pinheiros, do Itaim Bibi, da Vila Madalena. A quantidade de galerias de arte surgindo me impressiona. São Paulo está muito up to date nessa modernidade que a cultura traz às principais cidades do mundo — atesta o designer Oskar Metsavaht, da Osklen, que mora no Arpoador, mas é frequentador assíduo da ponte aérea.

Gastronomia é destaque turístico

Alguns números traduzem este up to date. São Paulo tem 15 mil restaurantes e 20 mil bares, com quase 60 tipos de comidas diferentes. Entre eles, o D.O.M., de Alex Atala, o 9º melhor restaurante do mundo em 2015 segundo a “The Restaurant”, além do Maní, de Helena Rizzo, eleita a melhor chef mulher no ano passado pela mesma publicação. São mais de 900 feiras de rua, 101 museus — muitos com programação gratuita —, 182 teatros, 111 parques, 39 centros culturais e 146 bibliotecas, uma delas, a Mário de Andrade, abrirá 24 horas a partir de janeiro. Quem diria, o carnaval de rua também ganhou força de dois anos para cá. O próximo promete atrair pelo menos dois milhões de pessoas, com 400 blocos. Anda cool dizer que vai se passar o carnaval em São Paulo.

E fazer cinema também. Se desde a criação da RioFilme, em 1992, o Rio dominava o mercado brasileiro de produção e distribuição de filmes, São Paulo entrou forte no jogo em dezembro do ano passado com a criação da SPcine. Somente este ano foram investidos R$ 30 milhões no setor de cinema, TV, games e outras plataformas digitais. Além disso, estão sendo modernizadas 20 salas, com o objetivo de se chegar a 80 pontos de exibição em bibliotecas, centros culturais e escolas, incluindo a periferia.

- Eu adoro essa pororoca de linguagem que acontece aqui — declara a cantora Tulipa Ruiz, expoente de uma nova geração de músicos que também agita o cenário cultural da cidade.

Tulipa, que começou a carreira em São Paulo, assim como Tiê, Mariana Aydar, Marcelo Jeneci, Criolo e Emicida, diz que a cidade é um “local de encontros”, que recebe gente de “tudo que é lugar do Brasil’’. Segundo ela, o fato de ter se deparado com músicos de Minas, Rio e Pará foi crucial para inspirá-la:

- Existe um circuito de música alternativa muito bacana, casas como Puxadinho da Praça (Pinheiros), Serralheria (Lapa), Casa de Francisca (Jardins) e Mundo Pensante (Bixiga). São novas vitrines para aristas, eu vivo indo a shows lá. O ser humano é a nossa tecnologia de ponta.

O grafite é outra característica que coloca São Paulo na ponta em termos mundiais: o Vale do Anhangabaú, no Centro, o Beco do Batman, na Vila Madalena, e o MAAU (Museu Aberto de Arte Urbana), em Santana, na Zona Norte, são locais para apreciar este museu a céu aberto.

- Conhecer São Paulo é explorar a arquitetura imponente e também o que colore o cinza. Assim como o rap, o grafite prolifera por dois motivos: vivemos uma tensão social, mas, ao mesmo tempo, temos liberdade — diz Binho, um dos precursores da street art em São Paulo.

Binho acha que a cidade está cada vez mais democrática, com museus que não cobram entrada e opções culturais infinitas, que ocupam praças e ruas, sem falar nas feiras gastronômicas e de food trucks, nos mercados de pulgas, nas festas no Museu da Imagem e do Som (MIS), na intensa programação da rede Sesc. Basta consultar guias locais e redes sociais. Perto da Avenida Paulista, há o recém-inaugurado Mirante 9 de Julho, que oferece uma visão de São Paulo ao estilo da do High Line nova-iorquino e recebe baladas todo fim de semana. Os programas mais descolados convivem com a força da grana: drinques no terraço de hotéis (como o Unique), spas e a nova filial do Eataly de Nova York.

- Ninguém, independentemente da renda, fica sem programa. São Paulo é uma cidade acolhedora para quem deseja não apenas se divertir, mas também trabalhar. Acho que essa diversidade, de gente vinda de tudo que é lugar do Brasil, e o comprometimento das pessoas gera essa oferta e nos obriga, por causa da forte concorrência, a oferecer os melhores serviços do país — diz o empresário Wolf Menke, de 34 anos, que transformou a Rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, em Pinheiros, numa pequena filial de Williamsburg, no Brooklyn.

Dono de quatro casas: House of Food, House of Work, House of Learning e House of Bubbles, Wolf aposta na economia compartilhada como um novo ramo de negócio porque acha “que todos vamos ter que rever nossos padrões de consumo”. Ele oferece desde um espaço para chefs que não têm restaurantes cozinharem e venderem sua comida, locais para profissionais darem aulas, escritórios para autônomos, lavanderia até uma recém-inaugurada roupateca — onde é possível alugar peças descoladas. A rua é palco de algumas das festas mais badaladas de São Paulo, capitaneadas pelas casas de Wolf.

Morador de São Paulo, o cineasta Fernando Meirelles elogia os serviços, a qualidade dos parques, a agitação cultural e diz que vê uma cidade cada vez mais humanizada, “numa clara apropriação por seus moradores, que estão curtindo ir para a rua”. Para o cineasta, ao lado de Bogotá, São Paulo hoje é uma das cidades mais interessantes da América Latina — vivendo um fenômeno pelo qual a capital colombiana passou no começo dos anos 2000, com seus “moradores saindo sem carro para aproveitar a cidade, algo impensável alguns anos atrás”. E são as experiências de mobilidade urbana de cidades como a capital colombiana que inspiraram as atuais políticas da prefeitura: ampliar as ciclovias para 400 quilômetros até o final do ano, construir mais corredores de ônibus, ampliar faixas de pedestres e restringir a circulação de carros em locais icônicos nos fins de semana.
 
Região da Estação da Luz, no Centro: prédio de 1901 - Foto: Fernando Donasci / Agência O Globo

Paulista fechada ao trânsito aos domingos: “calçadão’’

A Avenida Paulista está fechada para carros todos os domingos. Basta um passeio por ali para conhecer um pouco a diversidade que torna São Paulo uma cidade tão plural, terra da garoa e do futebol, com seus times, aliás, em ótima fase. Pais com carrinhos de bebês, jovens, travestis pulando elástico, ciclistas, ações de marketing distribuindo sorvete de graça, artistas de rua.

- Não sou eleitora do Haddad (o prefeito Fernando Haddad), sou muito decepcionada com o PT, mas realmente abrir a Paulista aos domingos foi uma ideia maravilhosa. Antes a gente só ia passear no shopping — diz Cláudia Costa, 45 anos, produtora de eventos.

A medida, segundo pesquisa do DataFolha, é aprovada por 47% dos paulistanos, mais ou menos o mesmo número que reprova a gestão do prefeito petista (49%). Quem é contra, a maior parte idosos (os jovens aprovam mais), alega que houve poucos estudos para a decisão ser tomada e que o acesso a hospitais localizados na região, por exemplo, pode ser prejudicado. A redução da velocidade para os carros em grandes avenidas também é alvo de polêmica, “tudo compreensível”, segundo o arquiteto Fernando de Mello Franco, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano.

- São Paulo é uma cidade imensa, difícil de mudar. Mas, desde 2013, muito impulsionada pela juventude que foi às ruas, parece que resolveu sair da inércia. A iniciativa privada percebeu isso e nós como poder público também. O que estamos tentando criar é uma nova cultura urbana, fazendo muitas experiências. E tudo que é novo assusta. Estamos tentando mudar a cultura do carro na cidade, hoje muito mais gente anda de bicicleta, por exemplo — comenta ele, citando uma pesquisa que mostrou que o número de paulistanos usando bikes cresceu 50% na cidade no ano passado. --- Este ano deve crescer ainda mais.

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Por Mariana Timóteo da Costa. Colaborou Alessandro Giannini. Artigo publicado no Jornal O Globo em 29/11/2015 (e ainda atual).

 


A segunda edição do Festival da Consciência acontece neste domingo (29), das 14h às 20h, na Praça Victor Civita em São Paulo e terá atividades para adultos e crianças em clima de “ sunsetparty”. A programação inclui yoga, mindfulness, meditação dinâmica dançante, shows, terapias, debate sobre os caminhos para as novas relações humanas, atividades para crianças e, para encerrar, show do incrível Chandra Lacombe e Fusão Divina.

O Festival da Consciência foi idealizado e é coordenado pelo pessoal do UNUS e da Virada Zen, mas a sua realização é totalmente colaborativa. Isso significa que os organizadores, palestrantes, professores e artistas doam o seu tempo e trabalho. Mesmo assim, alguns custos são inevitáveis. E é aí que entra você. Apesar de aberto e gratuito, para arredar fundos e pagar despesas como aluguel de aparelho de áudio e vídeo, segurança, limpeza, serviço de ambulância entre outros, os organizadores estão vendendo ingresso no site Eventioz.

A proposta central é criar uma plataforma colaborativa que dê ferramentas e inspirações ao desenvolvimento pessoal de cada um, trazendo luz à importância do compromisso individual para superar os desafios cada vez mais complexos do momento em que vivemos.Neste dia será abordada a temática das novas relações humanas que estão emergindo nesse momento de transições econômicas, sociais e ambientais.

Programação – 29 de novembro

14h: Abertura do evento com Mariana Amaral (Virada Zen), Renata Rocha (UNUS) e Marcelo Rosenbaum (AGT – A Gente Transforma)

14h30: Prática de Yoga com Pedro Franco (Yoga Flow)

15h15: Meditação coletiva conduzida por Moira Malzoni

15h30: Diálogos transversais sobre as novas relações internas e externas do Ser Humano:

Como é a sua relação consigo mesmo? Como criar espaços internos para acolher o outro e toda a sua comunidade?

Como a relação com os meios de comunicação influenciam na constituição de novos seres humanos?

Como vem ocorrendo a nossa evolução como sociedade?

Como funcionam as novas economias colaborativas que estão emergindo?

Como pode ser a nova relação do ser humano com a natureza?

Participantes da Roda de diálogos:

– Marcelo Rosenbaum: designer, curador do MAM, visionário e fundador do AGT – A Gente Transforma.

– Kaká Werá: ambientalista de origem indígena caiapó.

– João Cavalcanti: fundador da Box1824, especialista em tendências e novas mídias.

– Diego Sangiorgi: cientista, fundador do Instituto Vector Equilibrium;

– Lala Deheinzelin: futurista, com foco em futuros desejáveis e como concretizá-los, é uma das pioneiras da economia criativa no Brasil;

16h30: Experiência MOVE (Movimentos do Ser) com Lilly Hastings: Fundamentada nos 5 ritmos universais utilizados por Gabrielle Roth em seu trabalho “The 5 Rhythms”. É uma meditação ativa, profunda e simples, que ensina como lidar com os diferentes ritmos da vida, a compreender a importância de cada um deles nas diferentes fases da vida e também nos ciclos de criação de nossos projetos e sonhos. Através deste trabalho é possível desenvolver um novo olhar para os acontecimentos da vida e aprendermos melhor como “dançar” – a nossa verdadeira dança – conforme a música.

17h30: Show da Banda Canta Mantra do Grupo de Estudos de Evolução da Consciência e Meditação.

18h30: Show Nicole Salmi.

19h: Show do Chandra Lacombe e banda Fusão Divina.

Atividades paralelas

Tenda de cura com massagem tailandesa e cura por meio do som.

Conheça mais aqui.

Distribuição de alimentos orgânicas.

Para as crianças:

15h30: Oficina “Mimosas Flores” com Marie Gabriella.

Sobre o UNUS

O UNUS promove experiências para a Evolução da Consciência, tendo como tema central o autoconhecimento e a meditação, através de cursos, workshops, viagens e retiros. Tem como visão a cocriação de uma sociedade de mais sabedoria e amor.

Incentiva pessoas e organizações a buscarem novas compreensões de si mesmas e das suas relações, com o propósito de refletir e criar novos caminhos para uma vida mais íntegra e una e serem agentes de evolução nas transformações coletivas que o mundo contemporâneo está passando.

Sobre a Virada Zen

A Virada Zen será um evento gratuito durante um fim de semana em São Paulo que reunirá diversas atividades e conteúdos relacionados ao bem-estar, cultura de paz e expansão da consciência,

A proposta da Virada Zen é contagiar as pessoas a mudar sua percepção sobre o mundo em que vivemos a partir delas mesmas.

Serviço
II Festival da Consciência
Dia: 29 de novembro, das 14h às 20h
Praça Victor Civita – Rua Sumidouro, 580. Pinheiros, São Paulo/SP.


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Fonte: Envolverde.


Em fevereiro de 2014, a praça Roosevelt viu do encontro entre os amigos Rodrigo Buchiniani, Jorge Ribero e Otavio Fantinato nascer uma ideia: a criação de um circo livre para coroar a tomada artística do espaço público da capital. Assim surgiu a Noite da Rose, cabaré a céu aberto que tomará o cartão-postal do centro de São Paulo como picadeiro pela sétima vez neste sábado (28). 
 
Dos criadores, é Buchiniani quem toma as rédeas do projeto. Aos 36, ele equilibra a vida de artista e a profissão de advogado como os malabares que aprendeu a dominar ainda no colégio, em 1996. Era criança quando teve seu primeiro contato com o circo, levado pelos pais. 
 
O estímulo ao seu lado lúdico, reflexo de uma educação construtivista, levaram-no a passar cinco anos como malabarista de farol ao mesmo tempo em que cursava Direito no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas."Fico me questionando como as pessoas se dedicam a uma coisa só", ele brinca. 
 
Toda sua polivalência é colocada a cargo da "Noite da Rose", onde responde pela curadoria artística, presta consultoria jurídica e emprega os mais de 600 quilos de equipamentos da sua companhia Circo Herói na produção do espetáculo independente. 
 
"A gente não tem verba, patrocínio, grana, nada. É a vontade de fazer um projeto que demora, em média, três a quatro meses de pré-produção em cada edição", diz o artista à Folha.
 
Embora complexo, o caráter independente do esforço coletivo —ao todo, são cerca de 30 pessoas envolvidas na produção— traz um grau de liberdade característico da arte circense, conta Buchiniani. 

"O lado da resistência é muito forte no circo. Historicamente sempre foi. O circense se habitua a apanhar, mas também não larga o osso", afirma. Para atender a todos os requisitos exigidos pela prefeitura com a popularização do evento (como ambulâncias e banheiros químicos, custo orçado em R$ 35 mil), ele recorreu no fim deste ano ao Rumos, programa de incentivo financeiro do Itaú Cultural. 
 
Mas é a burocracia, e não os custos, o principal obstáculo enfrentado pelo circo popular. A necessidade de autorização e encerramento antes das 22h "cria muito conflito", segundo Buchiniani, que entrou com um mandado de segurança contra a administração pública para promover a edição de maio da iniciativa.

"A arte sempre teve de pedir licença, sujeita à vontade do governante. Ela tem uma força educativa enorme por reunir o público e fazer uma transformação que ele nem percebe, usando de linguagem abstrata." 
 
"Com a burocracia para usar o espaço público, acaba que a Noite da Rose é uma demarcação de território muito grande", opina Ésio Magalhães, 41, ator do Barracão Teatro, em Campinas, que se apresentará como palhaço no evento. 
 
"Lá, podemos conviver com todos de uma maneira democrática, em um espaço aberto. A arte circense contribui muito por ser popular: você não precisa ter lido nada, ser entendido em nada, para acompanhar um espetáculo de circo. Ele atinge desde letrados a analfabetos.
 
Presente na cultura brasileira "desde o descobrimento", com as trupes de mambembes, o circo em seu formato eternizado —com lona e mestre de cerimônia — chegou ao Brasil no século 18, conta Buchiniani, com o desembarque das grandes companhias europeias. 
 
"Hoje, esse formato é, infelizmente, cada vez mais raro, sobretudo em São Paulo, pela falta de espaço", lamenta. "A Noite da Rose se propõe a ser esse modelo de circo, com o respeito da linguagem, com arte no ar, arte no chão, números de trapézio e palhaço. O céu aberto deixa a coisa toda colorida." 
 
Por enquanto tem dado certo. A última edição do cabaré circense registrou mais de três mil pessoas na Roosevelt em uma noite de quarta-feira. "Eram adultos, idosos e muita, muita criança. Não houve qualquer desentendimento", conta o organizador. "A arte tem força. Quando o público percebe que há qualidade e segurança em um evento, isso se traduz em respeito.
 

Apresentação do projeto Noite da Rose, cabaré a céu aberto na praça Roosevelt. Foto: André Bogdan.
 
Sétima Edição.
 
Aqueles que comparecerem à praça Roosevelt na noite de sábado terão um prato cheio: do mestre de cerimônia argentino Marcelo Lujan (Circo Amarillo) aos vencedores do quadro "Se Vira nos 30" do "Domingão do Faustão" (Globo), os arremessadores de facas Daniel Wolf e Estrela Rigoletto, a noite promete momentos divertidos. 
 
"O arremesso de faca é muito raro, mesmo no circo. Dani é a sexta ou sétima geração de circo —juntos, ele e a Estrela têm 200 anos da arte no sangue. Estou ansioso pela reação do público porque, querendo ou não, é um homem atirando facas em uma mulher no contexto em que vivemos hoje", comenta Buchiniani, refletindo sobre o feminismo. "No Brasil, principalmente, a mulher sempre levou o circo nas costas." 
 
Nem Wolf, 30, consegue rastrear com precisão sua linhagem: os documentos aos quais teve acesso o permitem estimar uma ligação com a arte circense até a sétima geração. Filho de mãe trapezista, seguiu caminho parecido aos 15 anos, quando se tornou acrobata e malabarista.
 
"Venho do circo tradicional e passei por várias escolas, então vivi a transição para o modelo contemporâneo, sem animais e mais tecnológico", conta. Há três anos, conheceu Estrela Rigoletto, sua atual mulher, em um circo de amigos. O casal é hoje pai de um filho de nove meses —a gravidez e fraturas no pé e na região cervical os afastaram das acrobacias. 
 
"Jogar facas foi um golpe de necessidade e sorte ao mesmo tempo", diz Wolf. "No começo, é algo muito tenso. Uma dependência de confiança muito louca: ao mesmo tempo em que ela tem de confiar em mim, eu tenho de confiar nela e em mim mesmo. Devemos estar muitos conectados, porque qualquer deslize pode ser fatal.

Ele não se preocupa com possíveis críticas. "Todo mundo acha que eu quero matá- la, mas não é isso. O intuito é levar o risco, mas controlado. A crítica faz parte, como em qualquer outra profissão." 
 
O restante da programação terá início às 19h com a abertura musical da banda Mustache e os Apaches, seguida de apresentações de Guga Morales (o Homem Foca), da trapezista italiana Veronica Piccini, do grupo uruguaio de malabaristas Ritual das Esferas, da monociclista Cafi Otta, do acrobata Rafael Souza e do palhaço Ésio Magalhães. 
 
Ex-doutor da alegria, Magalhães atua como palhaço desde 1995. "Aconteceu meio que por acaso. Eu queria fazer teatro, mas sempre que entrava em cena, as pessoas riam muito e eu não entendia o motivo. Talvez fosse a cara de menino, ou o fato de ser baixinho", ri, citando Os Trapalhões e Charlie Chaplin como inspirações. 
 
Como manda a tradição da arte de rua, os circenses passarão o chapéu para contribuições a critério do público.
Serviço
'Noite da Rose - Sétima Edição'.
Sábado (28), a partir das 19h.
Praça Franklin Roosevelt, s/n - Centro.
Grátis.

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Maria Clara Moreira na Folha de S.Paulo.