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São Paulo São Encontros


No dia 10 de dezembro, em que é comemorado o Dia do Palhaço, o Theatro Municipal de São Paulo abre suas portas para receber atrações circenses em comemoração à data e também em homenagem aos artistas de circo, com o espetáculo “As aventuras alucinadas do Circo Regino”.

Com direção de Rodolfo García Vazquez, diretor e fundador do Grupo Os Satyros, e roteiro de Hugo Possolo, diretor e fundador dos Parlapatões, o espetáculo traz uma série de números amarrada por um roteiro que conta a trajetória do artista Estevão Regino, primeiro circense a chegar no Brasil, junto com a família real, em 1808. A história de Estevão Regino marca o início das artes circenses no Brasil e a tradição de sua família fez com que o Circo Regino fosse um dos mais importantes circos itinerantes do país.

Participam desta noite convidados de circos atuantes da cidade de São Paulo, como o Palhaço Pepé Jardim e a contorcionista OdnooOyunbaatar do Circo Spacial e o número de liras do Circo Zanni. A programação também dá espaço para artistas contemporâneos como o artista de acrobacias em tecido, Ricardo Rodrigues, da Cia. Solas de Vento, o número de Báscula dos Irmãos Sabatino, a Percha de Viviane Rabello e os palhaços musicais do Circo Amarillo. Os destaques são a participação especial do palhaço alagoano Biribinha e o número internacional de barra fixa dos espanhóis Guga Carvalho e Sílvia Compte. Os números serão apresentados pela Palhaça Rubra e sua banda.

Enquanto isso, um grande número de palhaços faz a recepção do público. São aprendizes e artistas da SP Escola de Teatro, dirigidos por Caco Mattos. 

A Secretaria Municipal de Cultura realiza o evento em parceria com as entidades de artistas circenses: Cooperativa Brasileira de Circo e União Brasileira de Circos Itinerantes, Associação Brasileira de Circo e Associação Brasileira de Malabarismo e Circo. A 1ª edição do evento ocorreu em 26 de março de 2014, ocasião em que foi comemorado o Dia do Circo.

Números:Gordinho (tecido): Ricardo Rodrigues
Liras: Circo Zanni (Erica Stoppel, Lu Menin, Bel Mucci e Daniela Rocha)
Palhaço convidado especial: Biribinha (Teófanes Silveira)
Palhaços: Circo Amarillo (Pablo Nordio e Marcelo Lujan)
Barra fixa: Guga, o Rei da Acrobacia (Guga Carvalho e Sílvia Compte)
Pêndulo: Circo Stankowich (César Alves)
Báscula: Irmãos Sabatino
Percha: Viviane Rabelo e Alfredo Munoz
Contorção: Odnoo Oyunbaatar
Malabares de caixa: Pepé Jardim

Ficha Técnica:
Direção: Rodolfo Garcia Vazquez
Roteiro: Hugo Possolo
Apresentação: Rubra e Banda
Assistência de direção: Natália Presser
Direção do grupo dos Palhaços: Caco Mattos
Coordenação de produção: Cristiani Zonzini
Produção Executiva: Luiz Alex Tasso e Amanda Yamada
Coordenação Técnica: Pablo Nordio

Serviço
Theatro Municipal de São Paulo. 
Praça Ramos de Azevedo, s/nº. Centro. Dia 10/12, 5ª, às 20h. 
Os ingressos serão distribuídos duas horas antes do início do espetáculo, a partir das 18h (2 ingressos por pessoa). 
Livre. Grátis. 

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Fonte: Secretaria Municipal de Cultura.
 
 


Todo terceiro fim de semana de setembro, ao menos 30 países europeus abrem as portas de seus edifícios e casarões históricos.

A iniciativa, que por lá já se tornou tradição, é organizada há três décadas pelo Conselho da Europa e da União Europeia, organizações governamentais. Neste ano, por exemplo, a população foi convidada a conhecer melhor sua herança industrial com passeios por estradas de ferro, pontes e canais.

Experiência semelhante chega a São Paulo pela primeira vez no próximo fim de semana, nos dias 12 e 13 de dezembro, quando acontece a Jornada do Patrimônio.

"A ideia é fazer com que as pessoas se sensibilizem para a história e a memória de São Paulo", diz Nadia Somekh, diretora do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico), que promove o evento em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura.

Durante dois dias, os mais de 80 imóveis públicos e privados que participam da "festa do patrimônio", como classifica Somekh, ficam abertos para visitação, monitorada ou não.

Há, por exemplo, o castelinho da rua Apa, em Santa Cecília, o palacete Teresa Toledo Lara, no centro, e a Vila Itororó, na Bela Vista.

Outros, como o Ponto Chic do largo Paissandu e o prédio onde hoje funciona a Red Bull Station, são velhos conhecidos dos paulistanos -que nem sempre se dão conta do caráter histórico dos edifícios.

Além das construções, que em sua maioria datam do início do século passado, a programação quer que a população também se reencontre com a tradição cultural da cidade.

Para isso, reserva espaço para rodas de samba, peças de teatro, exposições e roteiros históricos.

Interior do bar Drosophyla, que funciona num casarão construído na década de 1920. Foto: Inês Bonduki.

História inventada

Em um antigo terreno de Dona Veridiana Prado, aristocrata e intelectual paulistana, ergueu-se, na década de 1920, um casarão com projeto atribuído a Adelardo Soares Caiuby - também responsável pela Curia Metropolitana de São Paulo.

A empresária Lilly Varella, 55, gosta de pensar que quem habitou o número 163 da Nestor Pestana foi a atriz chinesa Lili Wong e seu marido alemão, Hans. "Eles organizavam saraus, exposições, havia música. Queremos lembrar um pouco dessa 'belle époque'", diz, sobre a personagem fictícia que se tornou a nova cara do Drosophyla. Desde janeiro o bar funciona no casarão que permaneceu fechado durante 20 anos e é tombado pelo Conpresp.

"Quando entrei nessa casa, me apaixonei perdidamente", relembra ela, que levou três meses apenas para restaurar as pinturas originais do salão principal. "Aqui, revivemos nos dias de hoje os tempos de outrora."

Visitação: 13/12, das 11h às 17h.

 

Interior do Ponto Chic no Largo Paissandu que funciona num casarão de 1905. Foto: Jana Portela.

Tradição no centro.

Mais de cem anos desde a sua construção, o predinho em frente à igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no largo do Paissandu, conserva a pintura, as frisas e os balcões da fachada como se ainda fosse 1922.

Naquele ano, enquanto se desenrolava a Semana de Arte Moderna, o italiano Odilo Cecchini abria as portas de uma lanchonete despretensiosa, que tempos depois ficaria conhecida pelo mais tradicional sanduíche da cidade. Nos andares de cima, a famosa madame Fifi tocava o seu bordel.

"O Paissandu era onde tudo acontecia, um lugar nobre na época. E aí o pessoal apelidou o bar como Ponto Chic. Ficou", diz Rodrigo Alves, 37, que administra a rede de lanchonetes junto do pai e o avô.

No início do ano, eles repintaram a fachada da Paissandu nas cores originais, amarelo ovo e branco nas frisas, e planejam ainda iniciar uma reforma na parte interna. "A ideia é voltar ainda mais para a década de 1920."

Visitação: dias 12 e 13/12, das 11h às 20h

 

Fachada da Red Bull Station. Foto: Inês Bonduki.

Intervenção contemporânea 

Os cinco andares que hoje abrigam a sede da Red Bull Station, projeto de experimentação artística da marca de energéticos, já sediaram uma subestação da antiga Light.

Construído em 1926, entre as avenidas 23 de Maio e 9 de Julho, o prédio tinha a função de fornecer energia elétrica para o centro da cidade. Desde 2002, sua fachada é tombada pelo Conpresp, órgão municipal do patrimônio histórico, e não pode ser modificada. Mas quem transita pelos corredores enxerga nas estruturas originais e nas pinturas desgastadas esforços em lembrar os visitantes de que outras histórias já passaram por ali.

"Descascamos camadas de pinturas para conseguir chegar mesmo na essência do prédio", diz Carolina Bueno, uma das arquitetas responsáveis pelo projeto, do escritório Triptyque.

No processo de restauração, que levou oito meses, a equipe manteve o sistema de refrigeração original. "Há uma poética em trazer o prédio de volta à vida via água, fluido que circulava por ali todos os dias."

Visitação: dia 12/12, das 11h às 19h.

Alguns endereços:

1- Pinacoteca.
Praça da Luz, 2, Luz.

2 - Museu da Língua Portuguesa.
Praça do Monumento, s/nº, Ipiranga.

3 - Igreja de Nossa Sra. da Conceição de Santa Efigênia.
R. Santa Ifigênia, 30, Centro.

4 - Edifício Martinelli.
Av. São João, 35, Centro.

5 - Ponto Chic.
Largo do Paissandu, 27.

6 - Sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil.
R. Bento Freitas, 306, Centro.

7 - Sala do Conservatório.
Av. São João, 281, Centro.

8 - Centro Cultural dos Correios.
Vale do Anhangabaú, s/nº.

9 - Theatro Municipal
Av. São João, 281, Centro

10 - Red Bull Station
Praça da Bandeira, 37, Centro

11 - Centro Cultural Banco do Brasil
R. Álvares Penteado, 112, Sé

12 - Drosophyla.
R. Nestor Pestana, 163, Consolação.

13 - Palacete Teresa Toledo Lara.
R. Quintino Bocaiúva, 22, Sé.

14 - Casa da Imagem.
R. Roberto Simonsen, 136-B, Sé.

15 - Cama e Café.
R. Roberto Simonsen, 79, Sé.

16 - Casa Ranzini.
R. Santa Luzia, 31, Sé.

17 - Capela dos Aflitos.
R. dos Aflitos, 70, Sé.

18 - Teatro Oficina.
Rua Jaceguai, 520, Bela Vista.

Veja a programação completa no site do projeto!

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Amanda Massuela na Revista São Paulo.


A Benê Food Des Arts faz, durante todo o mês de dezembro, uma temporada de ocupação da praça Oswaldo Cruz. A praça será tomada por diversas atividades que unirão expositores de comida de rua, intervenções artísticas. Parte do projeto do evento também propõe a revitalização com paisagismo dos quatro cantos da praça, cortada pela Avenida Paulista. A ocupação funciona de segunda a segunda, com programação das 11h às 21h.

 

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Evento gastronômico e cultural fará temporada na praça Oswaldo Cruz em dezembro. Foto: Divulgação.

A ideia é que o espaço sirva como escape da rotina corrida da capital, onde quem passar por ali, além de poder provar uma variedade de pratos tradicionais e contemporâneos, preparados por food trucks, terá uma série de opções de entretenimento e um espaço para descanso. 

Durante as cinco semanas de ocupação, atividades como oficinas de cultivo de hortas caseiras, proposto pela equipe Benê Food des Arts, que será responsável pela seleção de plantas que vão compor os novos canteiros da praça e harmonizando com a paisagem urbana, serão rotina no espaço. 

O grafitteiro Cajú Napaz Crew, riscará paisagens da antiga São Paulo em painéis pela Praça e fará uma intervenção em Vetor em uma das bancas de jornal do local, enquanto um som ambiente manterá um clima descontraído. Ainda aproveitando a temporada de fim de ano, a praça ganhará uma decoração natalina especial, se tornando mais uma das passagens obrigatórias dos paulistanos em clima de natal.

Para as atrações gastronômicas, a seleção de expositores considerou tickets médios a preços justos e produtos de qualidade. Nomes como Brasa Food Truck, que traz pratos com diferentes cortes de carnes preparadas na brasa, prometem deixar sua marca olfativa na região. Hambúgueres artesanais serão representados pelo Maria Gasolina e o Pirata Food Truck, enquanto comidas tipicas mexicanas e portuguesas ficam por conta do Burritos Bravo e Por Aí Gastronomia Portuguesa Sobre Rodas. Para acompanhar as especialidades, o Bang Bang Beer Truck, levará ainda 160 rótulos de cervejas artesanais.  

Ao longo do mês, diversos trucks se alternarão para compor a programação gastronômica direcionada aos mais variados públicos. Quem mora ou trabalha na região poderá também utilizar os serviços delivery, oferecidos gratuitamente pela Benê, onde uma bike customizada usará as ciclovias para chegar ao seu destino com a refeição escolhida. Destaque também para a presença da Komborgânica, uma feira orgânica móvel, montada em uma kombi, que traz legumes e verduras frescos. 

A feira itinerante Benê Food Des Arts, que fez história com suas edições no Minhocão, tem como objetivo ocupar espaços públicos e incentivar o melhor aproveitamento da cidade de São Paulo pelos paulistanos. Fazem parte de todas as edições do evento intervenções artísticas, debates e atividades de conscientização sustentável e ambiental e a coleta seletiva sempre unidos a uma seleção de Food Trucks e Food Bikes com o melhor da gastronomia de rua.  A programação com todas as atividades que acontecerão na Paulista, será divulgada diariamente no evento do facebook

Serviço

Benê Food Des Arts na Avenida Paulista.
Local: Praça Oswaldo Cruz.
Data: até 3 de janeiro.
Horário: segunda a domingo das 11h - 21h.
Entrada Gratuita.

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Com informações de Ligia Otero / Assessoria de imprensa do evento.


Referência do famoso reduto boêmio paulistano da rua Augusta, o bar Z Carniceria mudou o endereço para outro centro efervescente da noite local, o Largo da Batata. Agora, como bar, restaurante e palco para apresentações musicais.

O estabelecimento se fixará a partir de 4 de dezembro no local em que um dia funcionou o Aeroanta, casa que entre os anos 1980 e 1990 chegou a receber Chico Science & Nação Zumbi, Mercenárias, Cazuza, Buzzcocks, entre outros.

Com capacidade para 300 pessoas, o Z Carniceria mantém a tradição reservando em sua agenda as quintas-feiras para jazz e blues. Às sextas-feiras, novas bandas tocarão de rock a música experimental e brasileira.

O sábado será o dia de artistas e bandas convidados interpretam projetos especiais, que podem incluir a performance de um álbum inteiro de um artista que influenciou suas carreiras. Aos domingos, inicialmente uma vez ao mês, o Z Carniceria oferece seu palco para que novos artistas mostrem seu trabalho, como nas tradicionais noites de “open mic” das casas de shows norte-americanas.

Sala Espacial, Mundo Alto, Marrero, Aldo, Catatau e o Instrumental e Rock Rocket vão inaugurar o estabelecimento. O DJ residente é o Focka, que entra em ação após os shows para animar a pista. Os ingressos para os dias de shows custarão entre R$ 25 e R$ 35.

“O Z Carniceria foi um bar montado para os amantes de rock e da música ao vivo, mas sempre teve a deficiência de não ter palco, o que não nos impediu de realizar alguns shows e festas ali dentro. Após sete anos de operação com público fiel e entusiasta, o bar merecia um novo espaço, com melhor infraestrutura de cozinha e palco. Especialmente no Largo da Batata, que vive um momento de resgate e do cenário musical paulistano, que não para de mostrar bandas novas e interessantes”, diz Facundo Guerra, diretor do Grupo Vegas.

“O Aeroanta foi um dos epicentros do rock paulistano no século passado. Voltar pra esse espaço é emblemático, além do Largo da Batata ser hoje muito parecido com a Augusta antes de existir a região que hoje nos acostumamos a chamar de Baixo Augusta”, completa ele.

A partir de agora, o Z Carniceria também abrirá para almoço e jantar com cardápio elaborado pela chef Mariana Gilbertoni.

Serviço

Z Carniceria
Av. Brigadeiro Faria Lima, 724. 
Terça a domingo: aberto / segunda: fechado.
Almoço - terça a sexta: 12h às 15h / sábado e domingo: 13h ás 17h
Jantar - terça a quinta: 19h à 00h / sexta a sábado: 19h às 2h / domingo: 19h à 00h
Abertura do bar: 21h; horário dos shows: 23h
Capacidade: 400 pessoas (sendo 80 sentadas)
Possui área de fumantes e acesso a pessoas com deficiência.
Site: www.zcarniceria.com.br

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Redação da Rolling Stones Brasil.


Um dos principais palcos da cidade de São Paulo poderá ser visitado pela internet a partir desta terça-feira, 1º. O Google anunciou que o interior do centenário Theatro Municipal de São Paulo foi mapeado e agora está disponível por meio do serviço Street View.

O anúncio aconteceu na manhã desta terça, no próprio Theatro, e faz parte de um projeto do Instituto Cultural do Google, no qual há também a captação da mais recente montagem da ópera Lohengrin, de Richard Wagner em vídeo 360º e a abertura de quatro exposições virtuais do acervo permanente do Theatro Municipal.

“O Municipal está no lugar onde precisa e tem de estar”, declarou o secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki, no anúncio do evento. Para ele, o projeto é uma oportunidade de dar acesso amplo ao local, que tem uma aura de erudito e para poucos. Segundo o secretário, a intenção é transformar a parceria com o Google em uma visita virtual guiada pelo Theatro Municipal.

Além do Theatro Municipal, outras quatro grandes casas de espetáculos de outros países estão presentes no projeto: a Ópera Nacional de Paris, na França; o Carnegie Hall, em Nova York, nos Estados Unidos, a Royal Shakespeare Company, da Inglaterra; e a Filarmônica de Berlim, na Alemanha. O Theatro Municipal é o único representante do hemisfério sul a participar desta nova fase do projeto do Instituto Cultural do Google, que já mapeou mais de 900 instituições, em 60 países diferentes.

No Brasil, além do Theatro Municipal, o acervo virtual do Street View conta com outros lugares como o Museu do Futebol, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e a Fundação Athos Bulcão, de Brasília.

Exposições

Além dos vídeos de Lohengrin e do acesso à todo o prédio do Theatro Municipal, o projeto conta com quatro exposições virtuais. Ficha Técnica mostra a história do Theatro entre 1911 e 1940, através do programa de espetáculos antigos. #DIVASEASTROS mostra os grandes nomes que passaram pelo palco do teatro, enquanto Atrás da Cortina Vermelha exibe fotos de bastidores de quatro montagens recentes do Municipal. Por fim, Municipal tim-tim por tim-tim é um grande áudio-guia virtual em diversas línguas sobre a história e a arquitetura do prédio, que foi projetado por Ramos de Azevedo e construído entre 1903 e 1911.

“É só o começo”, disse Alessandro Germano, do Google, durante o evento. Nos próximos meses, o Google e o Theatro Municipal continuarão a digitalizar os conteúdos do acervo do teatro, com programas, cartazes e gravações em áudio e vídeo

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Bruno Capelas no LINK do Estadão.


Alguma coisa acontece em São Paulo. O ensaio que ilustra esta reportagem mostra que há beleza na megalópole de proporções avassaladoras: 12 milhões de habitantes, 12,7% do PIB do Brasil, 10ª cidade que mais gera riqueza no mundo. Uma beleza menos óbvia, quase deselegante — novamente Caetano Veloso —, desordenada, que não é abençoada por Deus como a carioca, mas sim feita pelo homem. Desde que surgiu como potência econômica no final do século XIX, São Paulo contou somente com o homem para construir sua identidade. É dele a arquitetura imponente em locais como a Estação da Luz ou o Viaduto Santa Ifigênia, que ilustra a capa desta edição.

Foram homens como Oscar Niemeyer que conceberam ícones como o edifício Copan e o Parque Ibirapuera, local preferido de nove entre dez paulistanos, citado, em agosto último, como um dos dez melhores parques urbanos do mundo pelo jornal inglês “The Guardian”. E são as pessoas que vivem aqui que têm buscado soluções para nossas crises financeira, de criatividade, de relação com o espaço público. Coisas boas vêm acontecendo em São Paulo: propostas novas de economia compartilhada, de eventos ao ar livre, gratuitos, de ofertas culturais e de mobilidade urbana. Mesmo que o fechamento de vias para carros, o aumento das ciclovias e a redução de velocidade nas marginais sejam projetos cercados de polêmica e dividam a opinião dos paulistanos, são experiências interessantes e atraem holofotes.


Espelhos. Conjunto de prédios comerciais, vizinho a dois shopping centers da Av. Morumbi. Foto: Marcos Alves / Agência O Globo.
 
Os serviços e a gastronomia são de primeiro mundo. Levantamento recente mostrou ainda que é o carioca, e não o paulistano, que gasta mais tempo para ir e voltar de casa para o trabalho: uma média de 47 minutos por trajeto, contra 45,6 em São Paulo. É notório, mas ainda não foi alvo de estudos mais aprofundados: o paulistano é pontual, buzina muito pouco no trânsito, raramente para em cruzamento e tem um respeito quase europeu ao pedestre. Claro que ainda há a feia fumaça e a violência. Claro que há muitas iniciativas controversas, e a população da periferia pode não ter acesso ao melhor que a cidade oferece. Mas como o papo é beleza...
 
- Não vou comparar São Paulo com o Rio, as duas cidades têm suas belezas e suas mazelas. Mas adoro observar São Paulo à noite, o skyline da megalópole. Adoro as manifestações culturais, ver cada vez mais gente andando pela cidade, os restaurantes com comidas de todos os lugares do mundo. Me sinto muito seguro nos bairros que frequento, ao redor da Paulista, dos Jardins, de Pinheiros, do Itaim Bibi, da Vila Madalena. A quantidade de galerias de arte surgindo me impressiona. São Paulo está muito up to date nessa modernidade que a cultura traz às principais cidades do mundo — atesta o designer Oskar Metsavaht, da Osklen, que mora no Arpoador, mas é frequentador assíduo da ponte aérea.

Gastronomia é destaque turístico

Alguns números traduzem este up to date. São Paulo tem 15 mil restaurantes e 20 mil bares, com quase 60 tipos de comidas diferentes. Entre eles, o D.O.M., de Alex Atala, o 9º melhor restaurante do mundo em 2015 segundo a “The Restaurant”, além do Maní, de Helena Rizzo, eleita a melhor chef mulher no ano passado pela mesma publicação. São mais de 900 feiras de rua, 101 museus — muitos com programação gratuita —, 182 teatros, 111 parques, 39 centros culturais e 146 bibliotecas, uma delas, a Mário de Andrade, abrirá 24 horas a partir de janeiro. Quem diria, o carnaval de rua também ganhou força de dois anos para cá. O próximo promete atrair pelo menos dois milhões de pessoas, com 400 blocos. Anda cool dizer que vai se passar o carnaval em São Paulo.

E fazer cinema também. Se desde a criação da RioFilme, em 1992, o Rio dominava o mercado brasileiro de produção e distribuição de filmes, São Paulo entrou forte no jogo em dezembro do ano passado com a criação da SPcine. Somente este ano foram investidos R$ 30 milhões no setor de cinema, TV, games e outras plataformas digitais. Além disso, estão sendo modernizadas 20 salas, com o objetivo de se chegar a 80 pontos de exibição em bibliotecas, centros culturais e escolas, incluindo a periferia.

- Eu adoro essa pororoca de linguagem que acontece aqui — declara a cantora Tulipa Ruiz, expoente de uma nova geração de músicos que também agita o cenário cultural da cidade.

Tulipa, que começou a carreira em São Paulo, assim como Tiê, Mariana Aydar, Marcelo Jeneci, Criolo e Emicida, diz que a cidade é um “local de encontros”, que recebe gente de “tudo que é lugar do Brasil’’. Segundo ela, o fato de ter se deparado com músicos de Minas, Rio e Pará foi crucial para inspirá-la:

- Existe um circuito de música alternativa muito bacana, casas como Puxadinho da Praça (Pinheiros), Serralheria (Lapa), Casa de Francisca (Jardins) e Mundo Pensante (Bixiga). São novas vitrines para aristas, eu vivo indo a shows lá. O ser humano é a nossa tecnologia de ponta.

O grafite é outra característica que coloca São Paulo na ponta em termos mundiais: o Vale do Anhangabaú, no Centro, o Beco do Batman, na Vila Madalena, e o MAAU (Museu Aberto de Arte Urbana), em Santana, na Zona Norte, são locais para apreciar este museu a céu aberto.

- Conhecer São Paulo é explorar a arquitetura imponente e também o que colore o cinza. Assim como o rap, o grafite prolifera por dois motivos: vivemos uma tensão social, mas, ao mesmo tempo, temos liberdade — diz Binho, um dos precursores da street art em São Paulo.

Binho acha que a cidade está cada vez mais democrática, com museus que não cobram entrada e opções culturais infinitas, que ocupam praças e ruas, sem falar nas feiras gastronômicas e de food trucks, nos mercados de pulgas, nas festas no Museu da Imagem e do Som (MIS), na intensa programação da rede Sesc. Basta consultar guias locais e redes sociais. Perto da Avenida Paulista, há o recém-inaugurado Mirante 9 de Julho, que oferece uma visão de São Paulo ao estilo da do High Line nova-iorquino e recebe baladas todo fim de semana. Os programas mais descolados convivem com a força da grana: drinques no terraço de hotéis (como o Unique), spas e a nova filial do Eataly de Nova York.

- Ninguém, independentemente da renda, fica sem programa. São Paulo é uma cidade acolhedora para quem deseja não apenas se divertir, mas também trabalhar. Acho que essa diversidade, de gente vinda de tudo que é lugar do Brasil, e o comprometimento das pessoas gera essa oferta e nos obriga, por causa da forte concorrência, a oferecer os melhores serviços do país — diz o empresário Wolf Menke, de 34 anos, que transformou a Rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, em Pinheiros, numa pequena filial de Williamsburg, no Brooklyn.

Dono de quatro casas: House of Food, House of Work, House of Learning e House of Bubbles, Wolf aposta na economia compartilhada como um novo ramo de negócio porque acha “que todos vamos ter que rever nossos padrões de consumo”. Ele oferece desde um espaço para chefs que não têm restaurantes cozinharem e venderem sua comida, locais para profissionais darem aulas, escritórios para autônomos, lavanderia até uma recém-inaugurada roupateca — onde é possível alugar peças descoladas. A rua é palco de algumas das festas mais badaladas de São Paulo, capitaneadas pelas casas de Wolf.

Morador de São Paulo, o cineasta Fernando Meirelles elogia os serviços, a qualidade dos parques, a agitação cultural e diz que vê uma cidade cada vez mais humanizada, “numa clara apropriação por seus moradores, que estão curtindo ir para a rua”. Para o cineasta, ao lado de Bogotá, São Paulo hoje é uma das cidades mais interessantes da América Latina — vivendo um fenômeno pelo qual a capital colombiana passou no começo dos anos 2000, com seus “moradores saindo sem carro para aproveitar a cidade, algo impensável alguns anos atrás”. E são as experiências de mobilidade urbana de cidades como a capital colombiana que inspiraram as atuais políticas da prefeitura: ampliar as ciclovias para 400 quilômetros até o final do ano, construir mais corredores de ônibus, ampliar faixas de pedestres e restringir a circulação de carros em locais icônicos nos fins de semana.
 
Região da Estação da Luz, no Centro: prédio de 1901 - Foto: Fernando Donasci / Agência O Globo

Paulista fechada ao trânsito aos domingos: “calçadão’’

A Avenida Paulista está fechada para carros todos os domingos. Basta um passeio por ali para conhecer um pouco a diversidade que torna São Paulo uma cidade tão plural, terra da garoa e do futebol, com seus times, aliás, em ótima fase. Pais com carrinhos de bebês, jovens, travestis pulando elástico, ciclistas, ações de marketing distribuindo sorvete de graça, artistas de rua.

- Não sou eleitora do Haddad (o prefeito Fernando Haddad), sou muito decepcionada com o PT, mas realmente abrir a Paulista aos domingos foi uma ideia maravilhosa. Antes a gente só ia passear no shopping — diz Cláudia Costa, 45 anos, produtora de eventos.

A medida, segundo pesquisa do DataFolha, é aprovada por 47% dos paulistanos, mais ou menos o mesmo número que reprova a gestão do prefeito petista (49%). Quem é contra, a maior parte idosos (os jovens aprovam mais), alega que houve poucos estudos para a decisão ser tomada e que o acesso a hospitais localizados na região, por exemplo, pode ser prejudicado. A redução da velocidade para os carros em grandes avenidas também é alvo de polêmica, “tudo compreensível”, segundo o arquiteto Fernando de Mello Franco, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano.

- São Paulo é uma cidade imensa, difícil de mudar. Mas, desde 2013, muito impulsionada pela juventude que foi às ruas, parece que resolveu sair da inércia. A iniciativa privada percebeu isso e nós como poder público também. O que estamos tentando criar é uma nova cultura urbana, fazendo muitas experiências. E tudo que é novo assusta. Estamos tentando mudar a cultura do carro na cidade, hoje muito mais gente anda de bicicleta, por exemplo — comenta ele, citando uma pesquisa que mostrou que o número de paulistanos usando bikes cresceu 50% na cidade no ano passado. --- Este ano deve crescer ainda mais.

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Por Mariana Timóteo da Costa. Colaborou Alessandro Giannini. Artigo publicado no Jornal O Globo em 29/11/2015 (e ainda atual).