Encontros - São Paulo São

São Paulo São Encontros


A segunda edição do Festival da Consciência acontece neste domingo (29), das 14h às 20h, na Praça Victor Civita em São Paulo e terá atividades para adultos e crianças em clima de “ sunsetparty”. A programação inclui yoga, mindfulness, meditação dinâmica dançante, shows, terapias, debate sobre os caminhos para as novas relações humanas, atividades para crianças e, para encerrar, show do incrível Chandra Lacombe e Fusão Divina.

O Festival da Consciência foi idealizado e é coordenado pelo pessoal do UNUS e da Virada Zen, mas a sua realização é totalmente colaborativa. Isso significa que os organizadores, palestrantes, professores e artistas doam o seu tempo e trabalho. Mesmo assim, alguns custos são inevitáveis. E é aí que entra você. Apesar de aberto e gratuito, para arredar fundos e pagar despesas como aluguel de aparelho de áudio e vídeo, segurança, limpeza, serviço de ambulância entre outros, os organizadores estão vendendo ingresso no site Eventioz.

A proposta central é criar uma plataforma colaborativa que dê ferramentas e inspirações ao desenvolvimento pessoal de cada um, trazendo luz à importância do compromisso individual para superar os desafios cada vez mais complexos do momento em que vivemos.Neste dia será abordada a temática das novas relações humanas que estão emergindo nesse momento de transições econômicas, sociais e ambientais.

Programação – 29 de novembro

14h: Abertura do evento com Mariana Amaral (Virada Zen), Renata Rocha (UNUS) e Marcelo Rosenbaum (AGT – A Gente Transforma)

14h30: Prática de Yoga com Pedro Franco (Yoga Flow)

15h15: Meditação coletiva conduzida por Moira Malzoni

15h30: Diálogos transversais sobre as novas relações internas e externas do Ser Humano:

Como é a sua relação consigo mesmo? Como criar espaços internos para acolher o outro e toda a sua comunidade?

Como a relação com os meios de comunicação influenciam na constituição de novos seres humanos?

Como vem ocorrendo a nossa evolução como sociedade?

Como funcionam as novas economias colaborativas que estão emergindo?

Como pode ser a nova relação do ser humano com a natureza?

Participantes da Roda de diálogos:

– Marcelo Rosenbaum: designer, curador do MAM, visionário e fundador do AGT – A Gente Transforma.

– Kaká Werá: ambientalista de origem indígena caiapó.

– João Cavalcanti: fundador da Box1824, especialista em tendências e novas mídias.

– Diego Sangiorgi: cientista, fundador do Instituto Vector Equilibrium;

– Lala Deheinzelin: futurista, com foco em futuros desejáveis e como concretizá-los, é uma das pioneiras da economia criativa no Brasil;

16h30: Experiência MOVE (Movimentos do Ser) com Lilly Hastings: Fundamentada nos 5 ritmos universais utilizados por Gabrielle Roth em seu trabalho “The 5 Rhythms”. É uma meditação ativa, profunda e simples, que ensina como lidar com os diferentes ritmos da vida, a compreender a importância de cada um deles nas diferentes fases da vida e também nos ciclos de criação de nossos projetos e sonhos. Através deste trabalho é possível desenvolver um novo olhar para os acontecimentos da vida e aprendermos melhor como “dançar” – a nossa verdadeira dança – conforme a música.

17h30: Show da Banda Canta Mantra do Grupo de Estudos de Evolução da Consciência e Meditação.

18h30: Show Nicole Salmi.

19h: Show do Chandra Lacombe e banda Fusão Divina.

Atividades paralelas

Tenda de cura com massagem tailandesa e cura por meio do som.

Conheça mais aqui.

Distribuição de alimentos orgânicas.

Para as crianças:

15h30: Oficina “Mimosas Flores” com Marie Gabriella.

Sobre o UNUS

O UNUS promove experiências para a Evolução da Consciência, tendo como tema central o autoconhecimento e a meditação, através de cursos, workshops, viagens e retiros. Tem como visão a cocriação de uma sociedade de mais sabedoria e amor.

Incentiva pessoas e organizações a buscarem novas compreensões de si mesmas e das suas relações, com o propósito de refletir e criar novos caminhos para uma vida mais íntegra e una e serem agentes de evolução nas transformações coletivas que o mundo contemporâneo está passando.

Sobre a Virada Zen

A Virada Zen será um evento gratuito durante um fim de semana em São Paulo que reunirá diversas atividades e conteúdos relacionados ao bem-estar, cultura de paz e expansão da consciência,

A proposta da Virada Zen é contagiar as pessoas a mudar sua percepção sobre o mundo em que vivemos a partir delas mesmas.

Serviço
II Festival da Consciência
Dia: 29 de novembro, das 14h às 20h
Praça Victor Civita – Rua Sumidouro, 580. Pinheiros, São Paulo/SP.


***
Fonte: Envolverde.


Em fevereiro de 2014, a praça Roosevelt viu do encontro entre os amigos Rodrigo Buchiniani, Jorge Ribero e Otavio Fantinato nascer uma ideia: a criação de um circo livre para coroar a tomada artística do espaço público da capital. Assim surgiu a Noite da Rose, cabaré a céu aberto que tomará o cartão-postal do centro de São Paulo como picadeiro pela sétima vez neste sábado (28). 
 
Dos criadores, é Buchiniani quem toma as rédeas do projeto. Aos 36, ele equilibra a vida de artista e a profissão de advogado como os malabares que aprendeu a dominar ainda no colégio, em 1996. Era criança quando teve seu primeiro contato com o circo, levado pelos pais. 
 
O estímulo ao seu lado lúdico, reflexo de uma educação construtivista, levaram-no a passar cinco anos como malabarista de farol ao mesmo tempo em que cursava Direito no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas."Fico me questionando como as pessoas se dedicam a uma coisa só", ele brinca. 
 
Toda sua polivalência é colocada a cargo da "Noite da Rose", onde responde pela curadoria artística, presta consultoria jurídica e emprega os mais de 600 quilos de equipamentos da sua companhia Circo Herói na produção do espetáculo independente. 
 
"A gente não tem verba, patrocínio, grana, nada. É a vontade de fazer um projeto que demora, em média, três a quatro meses de pré-produção em cada edição", diz o artista à Folha.
 
Embora complexo, o caráter independente do esforço coletivo —ao todo, são cerca de 30 pessoas envolvidas na produção— traz um grau de liberdade característico da arte circense, conta Buchiniani. 

"O lado da resistência é muito forte no circo. Historicamente sempre foi. O circense se habitua a apanhar, mas também não larga o osso", afirma. Para atender a todos os requisitos exigidos pela prefeitura com a popularização do evento (como ambulâncias e banheiros químicos, custo orçado em R$ 35 mil), ele recorreu no fim deste ano ao Rumos, programa de incentivo financeiro do Itaú Cultural. 
 
Mas é a burocracia, e não os custos, o principal obstáculo enfrentado pelo circo popular. A necessidade de autorização e encerramento antes das 22h "cria muito conflito", segundo Buchiniani, que entrou com um mandado de segurança contra a administração pública para promover a edição de maio da iniciativa.

"A arte sempre teve de pedir licença, sujeita à vontade do governante. Ela tem uma força educativa enorme por reunir o público e fazer uma transformação que ele nem percebe, usando de linguagem abstrata." 
 
"Com a burocracia para usar o espaço público, acaba que a Noite da Rose é uma demarcação de território muito grande", opina Ésio Magalhães, 41, ator do Barracão Teatro, em Campinas, que se apresentará como palhaço no evento. 
 
"Lá, podemos conviver com todos de uma maneira democrática, em um espaço aberto. A arte circense contribui muito por ser popular: você não precisa ter lido nada, ser entendido em nada, para acompanhar um espetáculo de circo. Ele atinge desde letrados a analfabetos.
 
Presente na cultura brasileira "desde o descobrimento", com as trupes de mambembes, o circo em seu formato eternizado —com lona e mestre de cerimônia — chegou ao Brasil no século 18, conta Buchiniani, com o desembarque das grandes companhias europeias. 
 
"Hoje, esse formato é, infelizmente, cada vez mais raro, sobretudo em São Paulo, pela falta de espaço", lamenta. "A Noite da Rose se propõe a ser esse modelo de circo, com o respeito da linguagem, com arte no ar, arte no chão, números de trapézio e palhaço. O céu aberto deixa a coisa toda colorida." 
 
Por enquanto tem dado certo. A última edição do cabaré circense registrou mais de três mil pessoas na Roosevelt em uma noite de quarta-feira. "Eram adultos, idosos e muita, muita criança. Não houve qualquer desentendimento", conta o organizador. "A arte tem força. Quando o público percebe que há qualidade e segurança em um evento, isso se traduz em respeito.
 

Apresentação do projeto Noite da Rose, cabaré a céu aberto na praça Roosevelt. Foto: André Bogdan.
 
Sétima Edição.
 
Aqueles que comparecerem à praça Roosevelt na noite de sábado terão um prato cheio: do mestre de cerimônia argentino Marcelo Lujan (Circo Amarillo) aos vencedores do quadro "Se Vira nos 30" do "Domingão do Faustão" (Globo), os arremessadores de facas Daniel Wolf e Estrela Rigoletto, a noite promete momentos divertidos. 
 
"O arremesso de faca é muito raro, mesmo no circo. Dani é a sexta ou sétima geração de circo —juntos, ele e a Estrela têm 200 anos da arte no sangue. Estou ansioso pela reação do público porque, querendo ou não, é um homem atirando facas em uma mulher no contexto em que vivemos hoje", comenta Buchiniani, refletindo sobre o feminismo. "No Brasil, principalmente, a mulher sempre levou o circo nas costas." 
 
Nem Wolf, 30, consegue rastrear com precisão sua linhagem: os documentos aos quais teve acesso o permitem estimar uma ligação com a arte circense até a sétima geração. Filho de mãe trapezista, seguiu caminho parecido aos 15 anos, quando se tornou acrobata e malabarista.
 
"Venho do circo tradicional e passei por várias escolas, então vivi a transição para o modelo contemporâneo, sem animais e mais tecnológico", conta. Há três anos, conheceu Estrela Rigoletto, sua atual mulher, em um circo de amigos. O casal é hoje pai de um filho de nove meses —a gravidez e fraturas no pé e na região cervical os afastaram das acrobacias. 
 
"Jogar facas foi um golpe de necessidade e sorte ao mesmo tempo", diz Wolf. "No começo, é algo muito tenso. Uma dependência de confiança muito louca: ao mesmo tempo em que ela tem de confiar em mim, eu tenho de confiar nela e em mim mesmo. Devemos estar muitos conectados, porque qualquer deslize pode ser fatal.

Ele não se preocupa com possíveis críticas. "Todo mundo acha que eu quero matá- la, mas não é isso. O intuito é levar o risco, mas controlado. A crítica faz parte, como em qualquer outra profissão." 
 
O restante da programação terá início às 19h com a abertura musical da banda Mustache e os Apaches, seguida de apresentações de Guga Morales (o Homem Foca), da trapezista italiana Veronica Piccini, do grupo uruguaio de malabaristas Ritual das Esferas, da monociclista Cafi Otta, do acrobata Rafael Souza e do palhaço Ésio Magalhães. 
 
Ex-doutor da alegria, Magalhães atua como palhaço desde 1995. "Aconteceu meio que por acaso. Eu queria fazer teatro, mas sempre que entrava em cena, as pessoas riam muito e eu não entendia o motivo. Talvez fosse a cara de menino, ou o fato de ser baixinho", ri, citando Os Trapalhões e Charlie Chaplin como inspirações. 
 
Como manda a tradição da arte de rua, os circenses passarão o chapéu para contribuições a critério do público.
Serviço
'Noite da Rose - Sétima Edição'.
Sábado (28), a partir das 19h.
Praça Franklin Roosevelt, s/n - Centro.
Grátis.

***
Maria Clara Moreira na Folha de S.Paulo.

 
 


O 9º Encontro Paulista de Hip Hop, traz uma programação variada para quem curte o estilo e quer celebrar a variedade e a resistência do movimento. O evento acontece no Memorial da América Latina, no dia 28 de novembro, das 12h às 22h, e conta também com mesas de debates, atrações de música, dança, grafite, workshops, exposições e bate-papos, tudo gratuito e aberto ao público.

Esta edição tem como tema 'As Ruas em Rede', colocando em evidência as transformações ocorridas no cenário do Hip Hop em função da popularização da internet.

A partir das 9h, acontece o torneio de basquete 3×3. A área externa do festival recebe grupos de grafite durante toda a tarde, fazendo arte e discutindo a ocupação da cidade. Dentre os convidados estão Fixa (Santos), Will Art (Atibaia), Thainá India (São Paulo), Indio S.A.V. (Francisco Morato) e Nega Hambuguer (Diadema). Das 10h às 17h, o local também recebe um torneio de basquete 3×3, com a participação de DJ Ruan e Max DMN.

Em um trio elétrico, acontecem Batalhas de MCs e de Break, das 16h às 17h30, abrindo espaço para novos talentos. As inscrições são realizadas uma hora antes do início das batalhas. Ao longo do dia a programação não para – são diversas atrações dedicadas a toda família. Os fãs de hip-hop também podem contar com a participação dos integrantes das culturas low rider e low biker, representados pelos grupos Vida Real Car Club, Otra Vida Bike Club e Clan Munhão Bike Club, que estará comemorando 15 anos, das 12h às 18h.

A abertura oficial do Encontro acontece ao meio-dia, na área interna do Memorial, com a participação da DJ Simmone Lasdenas. O espaço recebe também um bate-papo com o tema 'As Ruas em Rede', que reflete sobre a relação da Cultura Hip Hop com a rua e sobre o uso das ferramentas digitais para ampliar as conexões nesse universo. A discussão tem a participação de Emicida e convidados como Souto MC e Ruberval Oliveira, o MC Ru.

Na biblioteca, um dos destaques da programação deste ano é o lançamento do livro Ruas de Fogo, de Alessandro Buzo, que acontece entre 17h45 às 18h45, no Espaço Omi. A obra traz contos e crônicas que abordam histórias de sobrevivência e resistência na periferia, tema também explorado em muitos de seus doze livros já publicados. O autor também organiza o Sarau Banks Back Spin Crew, além de marcar presença com obras de sua livraria Suburbano Convicto.

As crianças têm um espaço especial na programação com as atividades do Espaço Erê, também na biblioteca. Das 12h30 às 13h15, o Núcleo Esporos promove a hora do conto, com histórias de Curumins, Ibejis e Erês. Logo depois, acontece uma oficina de Breaking para crianças, conduzida pelo Bispo SB.

Souto Mc em seu clipe "Poucas Palavras!" da OQproducoes e Victor Camiza.

A partir das 19h o palco é dominado por três estrelas do Hip Hop brasileiro: na abertura, Souto MC, jovem de 20 anos com uma carreira promissora pela frente, apresenta seu som. Em seguida, o Rota de Colisão, grupo da zona oeste da capital paulista que traz em suas composições mensagens com conteúdo lírico, ritmadas em batidas alegres e contagiantes, realiza show de pré-lançamento do disco em comemoração aos 25 anos de carreira. Para fechar com chave de ouro, acontece show do Emicida, considerado uma das maiores revelações do Hip Hop do Brasil nos últimos anos.

Festival de Clipes e Bandas


Esse ano, o Encontro Paulista de Hip Hop traz uma novidade para incentivar novos talentos no cenário dessa cultura. O Festival de Clipes e Bandas se junta ao Encontro para abrir duas seleções de artistas especialmente para o evento. Os participantes poderão escolher entre ser a banda de abertura para a série de shows programados pelo evento ou fazer um videoclipe para a música Bem Vindo à Madrugada, de Dexter.


Serviço

"9º Encontro Paulista de Hip Hop."
Quando: 28 de novembro (sábado) das 12h às 22h.
Onde: Memorial da América Latina – Praça Cívica.
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – ao lado da estação de Metrô Barra Funda.
Entrada Gratuita.

***
Lila Varo no Mistura Urbana.


O grupo escultórico Laocoonte e seus filhos, realizado pelo Liceu de Artes e Ofícios e colocado originariamente na Avenida Nove de Julho, foi transferido para o Ibirapuera no ano da sua inauguração, 1954. Ele fica nas proximidades do Portão A9, situado no começo da Av. República do Líbano. Trata-se de uma cópia em bronze de um grupo escultórico romano, em mármore, pertencente aos Museus Vaticanos, cuja datação é incerta entre os século II a.C. e I d.C.

Laocoonte na mitologia greco-latina

As fontes do mito de Laocoonte são várias e contraditórias. Ele foi tema de uma tragédia, infelizmente perdida, de Sófocles e está citado na Biblioteca de Apolodoro. Mas o relato mais famoso a ele dedicado é o do autor latino Virgílio, no Livro II da Eneida, poema épico escrito no século I a.C.. Na versão de Virgílio, em uma das passagens mais dramáticas da legendária Guerra de Tróia, Laocoonte, um sacerdote troiano de Netuno (equivalente latino de Posseidon, o deus dos mares dos gregos), tenta alertar os seus concidadãos sobre o perigo do Cavalo de Tróia, um gigantesco cavalo de madeira que os soldados gregos estavam oferecendo aos troianos no momento em que a guerra parecia ter acabado a favor destes últimos.

De fato, o cavalo era oco e estava cheio de guerreiros gregos. Pensando que se tratasse de um objeto sacro, os troianos não acreditam no sacerdote, que, então, arremessa uma lança contra o cavalo. O som produzido revela que é oco. Porém, nesse mesmo instante, Minerva (Atena para os gregos, deusa guerreira, da razão e aliada dos gregos), envia duas serpentes enormes, que matam Laocoonte e seus dois filhos. Os troianos interpretam esse acontecimento como a punição de Laocoonte por ter desrespeitado um objeto sagrado e deixam o cavalo entrar na cidade. Infelizmente para eles, Laocoonte tinha razão. Os guerreiros gregos saem do cavalo e colocam Tróia sob ferro e fogo. A astúcia se revela. A origem da expressão “presente de grego”, ou seja, um presente traiçoeiro, que se revela prejudicial para quem o recebe, encontra-se exatamente nesse episódio da mitologia grega.

Roy Lichtenstein, Laocoonte, óleo e acrílico sobre tela, 305 x 259 cm. Col. Particular.Roy Lichtenstein, Laocoonte, óleo e acrílico sobre tela, 305 x 259 cm. Col. Particular.

Roy Lichtenstein, Laocoonte, óleo e acrílico sobre tela, 305 x 259 cm. Col. Particular.

O valor histórico e artístico do Laocoonte

A escultura dos Museus Vaticanos foi descoberta em Roma em 1506 e teve um grande impacto nos artistas da época. Segundo o escritor latino Plínio o Velho (23-79 d.C.), ela é, por sua vez, uma cópia de uma obra original grega em bronze. Como quer que seja, em pleno Renascimento, impressionou pela sua potência plástica, pelo sentido de movimento e pela sua dramaticidade. Entre 1520 e 1524, um escultor de Florença, Baccio Bandinelli, realizou uma cópia em mármore do exemplar romano e a escultura se tornou, assim, um modelo não só para os artistas da época como também para as gerações futuras de escultores e pintores.

Até tempos bem recentes – e ainda hoje – as cópias em gesso de esculturas greco-romanas e renascentistas eram usadas nas escolas como modelos imprescindíveis para a formação de artistas e para a educação ao “bom gosto”. Isso também ocorria em instituições profissionalizantes como o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, fundado em 1873, cujo acervo de cópias e pinturas foi lamentavelmente comprometido por um incêndio ocorrido no ano passado, incluindo uma versão em gesso do próprio Laocoonte. A cópia do Ibirapuera está, assim, vinculada à ideia de “modelo” com o qual confrontar-se, do qual extrair ensinamentos para a própria criação, típica de um momento histórico que antecede o Modernismo. Mas a força inspiradora do Laocoonte desafia os tempos e mesmo um artista pop como Roy Lichtenstein, ainda que com o seu estilo gráfico e o uso das cores fundamentais e dos reticulados típicos das histórias em quadrinhos, transfere para uma tela de grandes dimensões os contornos da escultura antiga.

O Laocoonte e seus filhos do Ibirapuera nos remete, portanto, seja à assombrosa lenda da mitologia grega, seja a um conceito de arte propagada no mundo ocidental a partir do Renascimento italiano, que sobreviveu muito forte até os primórdios do século XX. É, sem dúvida, uma oportunidade para se refletir sobre a literatura e a arte, sobre a história de como elas não conhecem fronteiras geográficas e temporais. E, acima de tudo, sobre a capacidade de sobrevivência de uma ideia, nascida mais de 2.000 anos atrás!

Para os interessados em ver mais imagens do Laocoonte do Ibirapuera.

***
Roberto Carvalho de Magalhães no blog da ONG Parque Ibirapuera Conservação.

 


“Eu gosto é de desafio!”, enfatizou a dona de casa Mires do Carmo, 54, ao ver o cerco de seguranças crescendo ao seu redor quando foi impedida de usar o parquinho com a neta em um CEU da sua região, em Guaianases, na zona leste de SP. O caso ocorreu na última sexta (20).

“Vocês têm algum mandado para invadir? Não têm, então dá licença”, disse um estudante para um grupo de policias militares na Escola Estadual Raul Fonseca, zona sul. A instituição é mais uma entre as 74* ocupadas como forma de protesto contra a reorganização proposta pelo governo. O vídeo do enfretamento no portão da escola viralizou na internet.

Os desafios acima ilustram algumas das atitudes de empoderamento que marcaram os últimos dias e fizeram parte de eventos espalhados pelas periferias da capital e Grande SP, contemplando a programação do feriado de 20 de novembro, Dia da Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Na sexta-feira, a Marcha da Periferia ocorreu em quatro pontos da capital paulista, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e em Santos, no litoral. A redução da maioridade penal, o extermínio dos jovens nas periferias, a reorganização das escolas, o racismo eram algumas das principais pautas dos protestos. A Agência Mural conferiu quatro dessas edições. Três delas tiveram como ponto final escolas ocupadas.

“Viemos participar da marcha para mostrar que resistimos às propostas (de redução e organização) e ao Estado”, afirmou a estudante Jéssica Coelho, 17, que estava acompanhada de dois amigos na segunda edição da marcha, em Guarulhos.

Na Brasilândia, zona norte, cerca de 30 alunos que fazem parte do movimento de ocupação da E.E. Martin Egidio Damy, desde o último dia 16, se uniram aos coletivos para marchar. “Estamos bem organizados, nos dividimos em comissões, tarefas e fazemos assembleias. Estamos em contato com as outras escolas e a ideia é ampliar o movimento para mais escolas e exercer mais pressão contra o governo”, conta a estudante Marina Cintra, 20.

Além da pauta estudantil, manifestantes ressaltaram a importância da luta contra o racismo e a exclusão social. “Não faz sentido fazer marcha para o povo negro no centro da cidade, porque a região central é onde vive mais a elite. É importante a gente colocar nossa pele à mostra, levantar nossa voz, e dizer que o povo da periferia tem reivindicações, sim”, disse o metroviário Vitor Ribeiro, 26, que participou da Marcha da Periferia no Grajaú.

O rapper Francisco Vidal, 36, do Família Rap Nacional Rap (FRN) e um dos organizadores, destaca: “A marcha é consequência de inúmeras atividades feitas no decorrer do ano, não vivemos de datas comemorativas”.

“Nós sofremos com o racismo todos os dias, nas escolas, nos hospitais. As pessoas não gostam de falar; é encoberto. Crianças pretas quase não aparecem em comerciais de TV e esse tipo de movimento ajuda a abrir a cabeça das pessoas”, avalia a cabeleireira Dirce Moreira Cezar, 65, que assistiu a marcha da Brasilândia.

A observação da cabeleireira negra sobre a forma como os negros aparecem na televisão se relacionou com o debate em torno da mulher da periferia e a cobertura da mídia, proposto durante a abertura da exposição “Quem Somos [por nós]”, do coletivo Nós, Mulheres da Periferia. O evento ocorreu no último sábado (21), no CCJ (Centro Cultural da Juventude), na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte.

Foi nesse bate-papo que dona Mires foi aplaudida após contar sobre como desafiou os guardas que tentaram impedir a entrada dela com sua neta em um CEU. “Achei um absurdo em pleno feriado da consciência negra o CEU estar fechado”, indignou-se.

Mires foi uma entre as mais de 100 mulheres de seis bairros das periferias da capital paulista que participaram dos encontros do projeto “Desconstruindo Estereótipos”, proposto pelo coletivo Nós, Mulheres da Periferia. A exposição traz os resultados desse trabalho com fotografias, autorretratos e registros audiovisuais dessas mulheres.

“Essa exposição é uma tentativa de mostrar as nossas histórias. A grande maioria nunca havia sido entrevistada e nós temos muito o que falar”, disse Semayat Oliveira, 27, outra integrante do coletivo.

Simultaneamente, na outra ponta da cidade, mais precisamente no Calçadão Cultural e na Casa de Cultura Palhaço Carequinha, Grajaú, zona sul, acontecia o 1º Festival das Culturas Negras, com diversas atividades e atrações, como oficina de turbante, feirinha de economia solidária e apresentações de danças, capoeira e outras performances artísticas. O evento foi finalizado com o Baile Black, comandado por Nelson Triunfo, um dos precursores da cultura hip-hop no Brasil.

Serviço

Exposição QUEM SOMOS [POR NÓS]
Visitação: de 21/11 a 17/12, de terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h.
Local: CCJ – Centro Cultural da Juventude
Endereço: Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo – SP, 02720-20
Site: nosmulheresdaperiferia.com.br

Marcha da Periferia

Informações: facebook.com/marchadaperiferiaSP

***
Fonte: Mural - Agência de Jornalismo das Periferias.

 


No final de semana em que se comemora o Dia da Consciência Negra, o “Mundo Mix Afro” apresenta uma extensa programação inspirada no comportamento e estilo da raça negra. Nos dias 21 e 22 a Praça das Artes recebe oficinas, música, dança, fotografia, criações da moda, espaço gastronômico e debates sobre temas relevantes para a sociedade. 

A programação musical está no DNA evento que, desta vez, preparou uma programação para lá de especial. No sábado, como já é tradição, o som fica sob a responsabilidade da Rádio MMM, comandada pelo DJ residente Will Robson e seus convidados. Já no domingo a diversão é garantida com a Festa Hot Pente, que inclui apresentações da MC Soffia, quatro DJ’s no comando de suas picapes, as dançarinas Irmany e o show do rapper Rico Dalasam, grande sucesso da cena musical brasileira.

Outro destaque do evento são as oficinas de turbantes, junto a uma intervenção de maquiagem criativa; block printing, na qual você ainda recebe um lenço estampado de presente de Natal; além da de penteados, que é também a oportunidade de dar dicas e tirar dúvidas que valorizem a beleza dos fios crespos e cacheados.

O espaço recebe ainda um espaço exclusivo para alimentação e expositores de marcas com referências étnicas (seja em seus produtos, criadores ou público a quem se destina).

Histórico

Os dois compromissos principais do Mercado Mundo Mix desde a sua criação, em 1994, são fortalecer a economia criativa e celebrar a diversidade cultural do país, literalmente traduzidos neste último MMM da cidade de São Paulo em 2015. Assim, no final de semana em que se comemora o Dia da Consciência Negra, o evento apresenta uma extensa programação inspirada no comportamento e estilo da raça negra: são oficinas de penteados, maquiagem e turbantes, música, dança, fotografia, e criações nas áreas de moda, além de debates sobre temas relevantes para a sociedade.
 
É a primeira vez que o Mercado Mundo Mix traz rodadas de debates em sua programação. Serão cinco temas – três no sábado e dois no domingo – envolvendo questões como a representação dos negros da mídia, racismo e gordofobia, afroempreendedorismo e vivência LGBT e negra na periferia (a programação está no final do texto). Todos acontecem no Hall de Eventos do 1º andar.
 

Acesse a página do evento e confira programação completa!

Serviço
Mercado Mix Afro
Entrada gratuita.
Data: 21 e 22 de novembro.
Horário: das 10h às 21h.
Local: Praça das Artes.
Endereço: Av. São João, 281 – Centro.

 

***
Com informações: Catraca Livre e R7.