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São Paulo São Encontros


Diversos grupos, principalmente aqueles que usam a palavra como expressão: poetas, rappers, cordelistas, teatro e coral preencheram o fim-de-semana, tarde e noite de São Mateus (zona leste de São Paulo).

Moradores e visitantes interessados e participativos nas diversas atividades que reverberavam a vida cotidiana da galera da quebrada através da arte.

Demandas do Coletivo Sarau Maria Sem-Vergonha cobraram o direito das mulheres de serem o que quiserem na opção sexual, no vestuário e na atitude.

 

Poetas da vizinhança recitavam suas pequenas poesias avaliadas por um júri que mostrava o voto em uma lousa.

Cordelistas homenagearam a escritora Carolina de Jesus, autora do livro “Quarto de Despejo” e “Diário de Uma Favelada”.
 

A Cia Mala Caixeta de Teatro Surpresa, envolvida na criação de espetáculos/intervenções contemporâneas do teatro de objetos e teatro em miniatura, levou três pequenas instalações, semelhantes às máquinas fotográficas dos antigos fotógrafos lambe-lambe. O narrador, sob um pano preto cobrindo cabeça e ombros, manipulava o micro-cenário inspirado no livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos. A apresentação — individual — durava 3 minutos.

Na sala de múltiplos usos no piso superior da comunidade São Mateus em Movimento — fundada em 2008 — , o coral usava sons corporais na interpretação de músicas da idade média, gospel e criações contemporâneas, como o Canto de Osanha.

O Coletivo de Galochas, “um grupo de guerrilha teatral que apoia diferentes movimentos sociais, com foco em ocupações de moradia”, na definição de Antonio Herci, um dos criadores do coletivo, levou a “Revolução das Galochas”. A obra debate o consumo, o trabalho e o controle. Em onze pequenos atos contra o capitalismo, criticaram o jugo escravista do esquema, a violência do estado contra os negros e a autoridade caricata e cruel dos policiais.

 

 

A quebrada está ligada!

Texto e fotos de Juvenal Pereira, especial para os Jornalistas Livres.

 


O argumento dos defensores da ideia às autoridades públicas que ainda discutiam se São Paulo deveria ou não ter um Clube do Choro foi indefensável. Afinal, como fica o berço de Garoto? Como se orgulhar de Izaías e Seus Chorões se sua terra não lhe dá uma casa? Clubes de choro são instituições reverenciadas de São Luis do Maranhão ao Japão, passando por Brasília, Madri, Rio de Janeiro, Santos, Paris e Israel. São Paulo ganhou o seu.
 
O Clube do Choro paulistano abre suas portas na época que tem sido chamada pelos mais otimistas da espécie como “o ano do choro”. A Virada Cultural de junho já havia dado sinais de uma erupção criativa arrebatadora. Pela primeira vez, o gênero teve um palco no evento, uma roda na Praça do Patriarca na qual tocaram por 24 horas e de forma ininterrupta 132 músicos com atuação em São Paulo. 
 
O Clube já está com suas portas abertas no Teatro Municipal Arthur Azevedo, na Mooca. O prefeito Fernando Haddad, que tem dialogado de forma discreta e sistemática com coletivos de músicos pela cidade, cedeu o espaço e deixou a gestão nas mãos dos próprios contemplados. Uma comissão executiva de cinco integrantes promete uma administração democrática. “Essa comissão terá mandato até o final do ano. Vamos pensar nas atividades e deixar o esqueleto pronto”, diz Yves Finzetto, percussionista, um dos integrantes da comissão.
 
O pulo do gato pode estar na forma da condução do projeto. Para evitar que o espaço caia nas mãos de um único grupo de músicos e que a roda gire apenas para os amigos dos amigos do tal grupo, será eleita uma curadoria provisória que definirá a programação referente a apenas um mês, antes de ser dissolvida para que novos curadores assumam. “Vamos trabalhar também com educação, em parceria com escolas públicas da região”, diz. 
 
O teatro não é uma casa exclusiva. O choro terá sua vez em horários nobres, nos primeiros finais de semana de cada mês. As rodas vão acontecer todos os sábados, das 18h às 20h. 
 
Centro de estudos Criados aos pés de Luizinho Sete Cordas, um dos principais nomes do violão de sete de São Paulo, descendente direto do obrigatório Dino Sete Cordas, dois chorões alinhados nas fileiras de uma linguagem mais tradicional, os violonistas Euclides Marques e Zé Garcez, uniram forças e espólios para construírem o que está se tornando o primeiro centro de estudos de choro e música brasileira (que eles chamam também de música acústica) em São Paulo. O Espaço Uirapuru, na Vila Mariana, é outro sinal de uma colheita ambiguamente próspera. 
 
Ele funciona no andar térreo de um sobrado em que Euclides vive com a família, em uma rua calma e sem saída da zona Sul. Algumas preocupações levaram ele e Garcez a investirem no empreendimento. “Vamos trabalhar com três públicos: aquele que quer tocar um instrumento, aquele que apenas gosta de ouvir música e que pode vir a tocar um instrumento e aqueles especializados em qualidade, fissurados em aparelhos de som audiófilos (com a resultado de reprodução no topo tecnológico). A ideia é juntar essas pessoas aqui”, diz Euclides Marques. 
 
Algumas salas são reservadas para aulas de piano, violão de sete e seis, cavaco, clarinete, flauta, sax, percussão e canto, além de musicalização infantil e prática de conjunto. Um dos professores de violão é o próprio mestre dos sócios, Luizinho Sete Cordas, que catalogou e arquivou caprichosamente em um armário suas 1.100 partituras de choro para consulta dos alunos. 
 
Uma sala maior, para até 40 pessoas, será reservada para pequenas apresentações, que poderão ser gravadas, e audições especiais comentadas de discos de vinil, escolhidos de uma coleção particular de Euclides que conta com três mil títulos.  Euclides Marques, defensor das raízes também das mídias, acredita que há muitos músicos que não sabem ouvir música. E que o ato de ouvir um som pode ser limitado ou não dependendo de onde ele sai. “Não dá para aprender a ouvir música sem o contato com o analógico (vinil). Ele te dá características que o digital não proporciona.”
 
Sobrevoo 
 
Ao crescer em produção de forma intensa nos últimos anos – como aponta, por exemplo, aquantidade de CDs lançada por novos nomes – o choro cresce e suas fissuras aparecem. Não há um conflito de gerações nem guerra declarada de facções, mas suas extremidades têm posturas firmes e olhares ressabiados. O choro dos que defendem os traços saídos do esquadro de Pixinguinha se preocupam com a liberdade exagerada do improviso e com um eventual culto à agilidade esportiva dos instrumentistas. “Música é para ser ouvida, não vista. E há músicos mais preocupados em mostrar como suas mãos são rápidas”, diz Luizinho Sete Cordas. Por outro lado, o choro é uma música viva e, logo, aberta ao tempo de hoje. Ives o defende assim: “Manter a linguagem é fundamental, mas não podemos esquecer que o próprio Jacob do Bandolim promoveu mudanças importantes nas tradições do choro de seu tempo.” 
 
Espaço Uirapuru. R. Com. Paulo Prancato, 49. V. Mariana. 2639­.9065. 
Clube do Choro. Teatro Municipal Arthur Azevedo. Av. Paes de Barros, 955. Tel.: 2605­8007.

Fonte: Julio Mario em O Estado de S.Paulo.
 


Entre os dias 6 e 9 deste mês, a Fundação Bienal de São Paulo recebeu o '
Percussion Show', evento de cultura e negócios voltado para a bateria e a percussão. Durante os quatro dias, mais de 10 mil pessoas, entre bateristas profissionais, amantes da música, entusiastas, fabricantes e lojistas passaram por lá e conferiram uma extensa programação. Esta primeira edição do Percussion Show, projeto piloto da Bienal da Música, foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Secretaria do Verde e Meio Ambiente e SP Turis. A exposição no Lounge do Pavilhão da Bienal contou com a presença dos seguintes expositores: Pearl Drums, Latin Percussion, Evans, Pro Mark, Orion Cymbals, Odery Drums, Alesis, Paiste, Ludwig, Musser, Quasar, Aquarian, Gibraltar, Mapex, Liverpool, Meinl e Octagon. No evento se apresentaram grandes bateristas e percussionistas, e a baterista e educadora Lilian Carmona foi homenageada.
 
Foto: Karol Oliveira.
 
O evento foi hospedado no subsolo do pavilhão da Bienal, onde também há um auditório, o Anfiteatro do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, e no espaço do lounge foram montados os estandes das marcas. O espaço facilitou o acesso aos produtos e o contato com os consultores e representantes das marcas, tornando tudo mais pessoal.

As apresentações que ocorreram durante todo o evento trouxeram opções variadas de estilos e gêneros musicais. Alguns bateristas que se apresentaram com suas bandas, outros fizeram jam sessions, alguns usaram play along e outros se apresentaram solo. Ainda tiveram bandas, Batalha de Percussão, Encontro de Maracatus e o Bateras 100% Brasil reuniu mais de 150 bateristas. Paulo Campos, grande percussionista, ficou encarregado do encerramento do evento com o Círculo de Tambores.

Na quinta e na sexta-feiras aconteceram Mesas Redondas, restritas a fabricantes, importadores e lojistas. Foram discutidos aspectos comerciais referentes a produtos e estratégias. Para o próximo ano os organizadores esperam trazer também músicos e abrir o debate sobre mercado. Seria uma ótima oportunidade para que mais partes pudessem agregar com questionamentos, apontamentos, problematizando o mercado de forma mais ampla.
 
Mas o ponto alto do evento foi a homenagem à grande baterista e educadora Lilian Carmona. Lilian subiu ao palco para receber a homenagem muito emocionada, afirmando “ser difícil não chorar hoje!”. Logo após um breve discurso e o recebimento de um quadro em sua homenagem, Lilian se apresentou com os músicos Bruno alves (piano) e Rodrigo de Oliveira (contrabaixo), tocando temas próprios e releituras, como “Caravan”, mostrando como uma artista pode acumular uma vasta experiência e ao mesmo tempo tocar de forma moderna. Ao final, com a platéia pedindo bis, Bruno puxou no piano a famosa introdução de “you can leave your hat on”, de Joe Cocker. Lilian voltou à bateria, aceitando o desafio, e o trio executou a música em uma ótima pegada jazz funk.
 
Foto: Divulgação.
 
O segundo dia da Percussion Show começou apresentando como o universo da percussão pode ajudar muito no desenvolvimento do ser humano. Gerson Lima iniciou a apresentação tocando músicas do seu projeto instrumental “Alien Groove” e de artistas que acompanha. No final da apresentação chamou Paul Lafontaine ao palco, que apresentou seu projeto Alma de Batera, que ensina bateria a crianças com todos os tipos de deficiência, em que Gerson e outros vários bateristas deram aula, incluindo Cuca Teixeira e outros.

A emoção, aliás, foi o que tomou conta deste dia. A apresentação seguinte foi de Cláudio Infante, que respondendo diversos tipos de perguntas sobre gravações, artistas que acompanha e acompanhou, e suas visões sobre diversos assuntos do instrumento. Também tocou temas de seu álbum Multimídia, além de gravações que realizou de diversos estilos e até uma versão de “Blue Rondo à la Turk”, de Dave Brubeck, música que alterna compassos de 9/8 e 4/4.

Em seguida, com grande publico, entrou em cena Vera Figueiredo. Correspondendo à expectativa, Vera demonstrou muita simpatia em uma franca conversa com o público, respondendo sobre temas que vão desde sua sonoridade até a sempre recorrente pergunta sobre o preconceito contra mulheres musicistas no cenário nacional, da qual Vera não fugiu, respondendo que sempre teve foco em sua carreira, passando por cima do preconceito. Além de tocar faixas do seu famoso livro “Vera Cruz Island” (inclusice a homenagem à Dave Weckl – “Dave”) Vera também tocou com o excelente percussionista Júlio Cesar (professor de percussão do Instituto de Bateria Vera Figueiredo), demonstrando uma excelente interação entre a bateria e percussão. A apresentação terminou no melhor clima de carnaval, em que os dois demonstraram muita habilidade e suingue.
 
Foto: Divulgação.
 
No sábado, terceiro dia de evento, Edu Ribeiro fez uma apresentação impecável! Tocou samba, jazz, usou e abusou das vassourinhas na música “Café com Pão”, de João Donato. Acompanhado por Carlinhos Noronha (baixo) e Marcelo Jesuíno (guitarra), a apresentação foi sensacional, recheada de solos que exibiram sua técnica e musicalidade. Edu respondeu perguntas da platéia, sempre muito gentil e inteligente. Mas o ponto alto veio quando, ao falar de Carlos Bala, o próprio fez questão de correr até o palco e tomar o microfone para retribuir as palavras de Edu. Foi um momento marcante dentro de uma apresentação já tão marcante.

Depois de Edu, quem veio ao palco foi o baterista Ivan Busic, acompanhado de seu irmão, Andria. Eles, que anunciaram essa semana o fim da banda Dr. Sin, após 23 anos de carreira. Ivan foi hiper simpático, falou dos pratos que usa, fez algumas piadas e mostrou porque tem respeito no Rock’n’Roll: grooves pesados, bom uso do pedal duplo, compassos diferenciados mas muito musicais e um tremendo bom gosto. Ele tocou temas do Dr. Sin e contou curiosidades.

Depois foi a vez de Alexandre Cunha & Banda, com Eduardo Machado (baixo), Eduardo Gallian (guitarra), Ricardo Cren (teclado) e Jorge Cirilo (sax tenor e alto). Tocando canções dos seus discos, trouxe o que tem de melhor do seu brazilian fusion. Ótimas composições e arranjos, muito bem tocados. Além de ótimo músico, Cunha foi muito simpático e bem humorado com a platéia. Mostrou o domínio do instrumento e das difíceis composições tocadas pelo grupo. Vale destacar que seu trabalho vem ultrapassando as fronteiras do país desde 2010. Alexandre já tocou em festivais no Chile, China e Sérvia. Cunha voltaria ao palco no domingo com o Tambora3, com Guilherme Sanita e Zeca Vieira, realizando o show de estréia do projeto.

Carlos Bala foi o nome que assumiu o palco após o show de Cunha. Bala já causara frisson não só na apresentação do Edu Ribeiro, mas no próprio evento desde a hora em que chegou, onde foi abordado por muitos os músicos o tempo todo. No palco, Bala tocou com a banda do Alexandre Cunha em uma Jam Session que funcionou muito bem. Bala tocou baião, samba, funk e jazz. Em todas, sua personalidade musical ficou bastante evidente. Bateria bem timbrada, equilibrada, frases fortes, com muita presença, e seus grooves sensacionais recheados de ghost notes que o caracterizam. Bala respondeu algumas perguntas, sempre de forma bem humorada. Agradeceu algumas pessoas e fez questão de retribuir as palavras de Edu Ribeiro, falando dele e ressaltando algumas coisas que Edu gravou, mostrando que não só os mais velhos influenciam os mais novos. Carlos Bala é um desses músicos que inspiram não só pelo que gravou, mas pelo que é. Simples e genial, assim como é tocando. Sem dúvida uma grande presença para o evento.

O domingo começou com o grande e já conhecido Bateras 100% Brasil, no Parque em frente ao Museu Afro. Organizado por Dino Verdade, o evento juntou centenas de bateristas, tocando clássicos do rock, pop e jazz, comandos no palco por Xande Tamietti, Naná Aragão e André Jung. A presença inesperada de Aaron Spears, que está de passagem com suas clínicas no Brasil, levantou a galera.
 
Foto: Karol Oliveira.
 
Enquanto isso, no palco do auditório, as apresentações continuaram. Rick Batera abriu o dia, demonstrando os motivos pelos quais é considerado um dos construtores da bateria de samba, com suas levadas que fizeram parte de tantas gravações e criaram um som único dentro do universo do samba. Rick respondeu à algumas perguntas do público sobre sua forma de tocar e sonoridade, e lembrou 30 anos de carreira passando pelos principais grupos do samba paulista: Sensação, Art Popular, Os Travessos, Belo e Soweto, entre outros.

Em seguida se apresentaram Cuca Teixeira e Eduardo “Cubano” Espasande, mostrando toda musicalidade do seu projeto “Modern Latin Jazz”, acompanhados de Carlinhos Noronha (contrabaixo) e Yaniel Matos (piano). O aquecimento de Cuca Teixeira por si só já foi um solo tremendo, com aplausos do publico mesmo antes da apresentação começar. Uma maravilhosa apresentação do mundo latino da percussão e bateria. Muito bom!

Fechando a Percussion Show, e com grande expectativa, se apresentou Alexandre Aposan. Executando com destreza faixas do seu novo projeto Entre Novos Tambores e também do projeto 4action, demonstrou muita simpatia com o público, respondendo perguntas dos ávidos fãs.
 
Foto: Divulgação.
 
O evento se provou diferente ao formato das feiras atuais. Até por ser menor, é mais intimista e sugere mais espaço para eventos musicais. O Percussion Show deve ganhar força e se expandir para os próximos anos. Segundo Andre Jung, coordenador do Percussion Show, baterista e ex-integrante das bandas Ira! e Titãs: “Enquanto projeto piloto da Bienal da Música, que pretendemos realizar, o Percussion Show cumpriu seu papel com muito sucesso, mostrando a força da sinergia entre a cadeia produtiva da música e o poder público, para proporcionar cultura e gerar riqueza em torno dessa arte que tanto representa nossa nação mundo afora”.

Adriano Santos, gerente de marketing do Grupo Bex e um dos planejadores estratégicos do Percussino Show, comentou: “O mercado da música precisa dessas ações e muitas outras, em todas as suas variáveis, incluindo músicos, indústria, estúdios, área acadêmica, poder público e apaixonados. O Percussion Show vai crescer dentro da Bienal da Música. Não estamos falando de feira, mas de paixão, sentimento, desejo, e essa experiência é fundamental. Acredito muito em um divisor de águas positivo para o mercado e todos os players”.
 
Por Fernando Baggio, Nenê dos Santos e Thiago Sonho no Portal O Baterista.

O São Paulo São é apoiador oficial da iniciativa.
 
 


A prefeitura de São Paulo entregou neste domingo (23) a nova ciclovia na Avenida Bernardino de Campos. A via exclusiva para bicicletas conta com 750 metros de pista e completa a ligação entre a Avenida Paulista e a Rua Vergueiro. Também foram inaugurados um bicicletário, uma cozinha comunitária e o Mirante 9 de Julho, que foi revitalizado.

“A Bernardino conecta a Vergueiro à Paulista. Agora você consegue ir da avenida Jabaquara até o Pacaembu e logo mais até quase a Lapa de bicicleta. Isso vai criando a chamada malha cicloviária, que dá mais segurança para as pessoas, não apenas irem trabalhar, mas também poderem ter o seu momento de lazer gratuito. A cidade tem que oferecer essa opção e a bicicleta é um exercício magnifico, que melhora o sedentarismo”, afirmou Haddad.
 
 
Iniciadas em janeiro deste ano, as obras para a construção das ciclovias das avenidas Paulista e Bernardino de Campos tiveram o investimento de R$ 12,2 milhões. Com o novo trecho, a cidade de São Paulo passa a contar com 356,8 km de malha cicloviária, incluindo 31,9 km de ciclorrotas. Desde junho de 2014 a atual gestão inaugurou 260,2 km de ciclovias. Antes, São Paulo possuía 64,7 km de ciclovias.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) desviou o tráfego de veículos na Avenida Paulista para garantir a segurança de pedestres e ciclistas. “A CET e a Polícia Militar têm autonomia. Se há expectativa de vinda de muitas pessoas para cá, avisamos com antecedência quais vias serão fechadas, assim o motorista também se organiza”, afirmou o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto. 

Para beneficiar os ciclistas que trafegam pela região, a Praça Marechal Cordeiro de Farias, conhecida como Praça dos Arcos, recebeu também um bicicletário com 47 vagas e funcionamento 24 horas, todos os dias da semana. O local será gerenciado pela empresa Compartibike. 

“Esse bicicletário está ao lado da estação Consolação [do Metrô], um lugar que as pessoas reclamavam muito que não tinham onde deixar bicicleta. Então agora as pessoas vão poder substituir o seu meio de transporte pela bicicleta, integrando com o Metrô e com o ônibus”, disse o prefeito.
Para utilizar o bicicletário, o usuário deve apresentar um documento com nome e CPF, além fornecer um telefone e um e-mail para o cadastramento.

“Eu acho ótimo que você tenha uma política pública voltada para o cicloviário, principalmente aqui nesta avenida, que precisava tanto deste espaço. É uma grande conquista para nós”, disse a cicloativista Renata Falzoni.

Percurso
O percurso da ciclovia na Bernardino de Campos é bidirecional, localizada no canteiro central entre a Praça Oswaldo Cruz e a Rua Correia Dias. Na Praça Oswaldo Cruz, haverá conexão com as futuras ciclovias da Rua Rafael de Barros e da Rua 13 de Maio. Na conexão com a Rua Vergueiro, o percurso foi reformulado para também possibilitar o acesso à Avenida Domingos de Morais. 

Na Bernardino de Campos, toda a pavimentação da ciclovia foi construída em concreto pigmentado, que garante mais durabilidade, regularidade e resistência do piso.

Benfeitorias realizadas no entorno
A Avenida Bernardino de Campos completa o eixo cicloviário da Avenida Paulista, seguindo o mesmo padrão arquitetônico. Para isso, passou por uma grande requalificação urbanística, que inclui a reforma e iluminação reforçada no canteiro central e nas calçadas, o enterramento da fiação, além da implantação de totens de sinalização e de informação.

As oito faixas de rolamento foram mantidas e redimensionadas. Houve alargamento do canteiro central, que ficou com 4,2 metros, e elevação de 28 centímetros em relação às pistas, com nivelamento nos cruzamentos da via. As pistas de circulação de veículos automotores também foram padronizadas e recapeadas.

O projeto da Bernardino também englobou a instalação de dutos para passagem de fibra óptica e cabeamento sob o canteiro central. A extensão das redes de dutos é o mesmo da ciclovia.

Pedestres
Os pedestres também foram beneficiados com a retirada de postes nas calçadas e a requalificação do piso no canteiro central.

Também foram realizadas obras para garantir a acessibilidade de pessoas com dificuldade de locomoção, por meio da implantação de acessos rebaixados e encaminhamentos com piso tátil.

Para garantir segurança nas travessias, a sinalização semafórica existente foi sincronizada para o fluxo de bicicletas.

Alteração da velocidade máxima permitida
O eixo cicloviário é formado pela Rua Sena Madureira, Avenida Professor Noé de Azevedo, Rua Vergueiro, Avenida Bernardino de Campos e Avenina Paulista. Na Rua Domingos de Morais a velocidade máxima permitida será de 50km/h no trecho entre a Rua Sena Madureira e a Avenida Lins de Vasconcelos.

Cozinha São Paulo
A Praça dos Arcos, situada no início da Av. Paulista, próximo da rua Angélica, também recebeu o Cozinha São Paulo, projeto sem fins lucrativos gerenciado pelo Instituto Mobilidade, cujo objetivo é gerar experiência inédita para ativação de espaços públicos por meio da gastronomia comunitária.

O espaço também permite o consumo de alimentos orgânicos vindos de pequenos produtores da cidade e contempla apoio a jovens cozinheiros da periferia.

“O projeto pretende trazer pessoas que estão ligadas à periferia de São Paulo, que como no nosso caso, não têm espaço. Nós moramos na região do Capão Redondo e o nosso negócio é em família. Nós sempre quisemos abrir um negócio, mas a gente não tinha recursos para ter uma estrutura dessa. Então a Prefeitura nos cedeu essa estrutura para oferecer a nossa comida aqui para captarmos recursos e sermos microempreendedores”, Wellington Ramos Rech, o cozinheiro do mês. 


Mirante 9 de Julho
Um chamamento Público organizado pela Subprefeitura da Sé permitiu que o espaço localizado nos baixos do Viaduto Bernardino Tranchesi, na Bela Vista, fosse revitalizado, após décadas de abandono, transformando o Mirante 9 de Julho em um espaço gastronômico com programação cultural.

“Fruto de um chamamento público, esse projeto vitorioso dá demonstração do quanto a gente pode revitalizar e requalificar os espaços públicos de São Paulo, permitindo que a população à noite e aos finais de semana tenha condições de lazer”, afirmou Haddad.
 
 
A ação se deu por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). Cinco propostas apresentadas foram avaliadas por uma Comissão Especial e o consórcio formado pelas empresas Grupo Vegas e MM18 Arquitetura foi selecionado. Com a PPP, o consórcio poderá utilizar o espaço por três anos, tendo como contrapartida a revitalização urbanística, ambiental e paisagística do local, oferecendo à população atividades culturais, sociais e educacionais. O consórcio será responsável ainda pela conservação, manutenção e limpeza do espaço e pela renovação de duas fontes existentes na Av. 9 de Julho. Serão oferecidas atividades gratuitas, como mostras de arte urbana, projetos musicais, exibições de filmes ao ar livre e feiras independentes. O coletivo Rolê fará a primeira ocupação artística no local, com quatro edições distintas do trabalho realizado por eles nos últimos 11 anos, entre fotografias, lambe-lambes, vídeos e instalações.

A partir de 25 de agosto, o mirante terá sua operação completa de restaurante, café e bar, administrados pelo Mercado Efêmero, FAF Studio e Grupo Vegas, respectivamente.

Serviço:

Cozinha São Paulo
Endereço: Praça Marechal Cordeiro de Farias (Praça dos Arcos)
Site: www.cozinhasp.org
 
Mirante 9 de Julho
Endereço: Baixo do Viaduto Bernardino Tranchesi, 167 - Bela Vista
Telefone: (11) 3111-6342
Capacidade: 350 pessoas
Entrada: gratuita
Abertura oficial com operação completa: 25/08, terça-feira.

Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação. Fotos: Heloisa Ballarini/Secom.



Quando Mário de Andrade foi convidado para fundar o Departamento de Cultura de São Paulo, em 1935, um de seus primeiros projetos foi o de uma discoteca pública, onde seria mantido o acervo de uma das instituições que sonhava criar: uma rádio-escola. “As irradiações musicais vivem grandemente do emprego do disco”, escreveu o modernista em ofício ao então prefeito, Fábio Prado, pedindo orçamento para comprar álbuns de “música erudita nacional”, “música popular nacional”, “composição estrangeira erudita”, “música popular estrangeira” e outros “de caráter científico, documentário ou didático”.

A rádio-escola nunca saiu da papel, mas a discoteca se tornou um dos legados duradouros do período de Mário como gestor público. Hoje vinculada ao Centro Cultural São Paulo (CCSP), a Discoteca Oneyda Alvarenga — batizada com o nome da discípula e amiga de Mário que administrou a instituição desde o início até se aposentar, em 1968 — completa 80 anos com um acervo valioso. São cerca de 72 mil discos (45 mil de 78 rotações e 27 mil LPs), 62 mil partituras e 5 mil periódicos relacionados à música, além do material coletado pela Missão de Pesquisas Folclóricas, coordenada por Mário em 1938.

O aniversário está sendo celebrado este mês com o lançamento de um portal e uma série de eventos, como debates, shows e a exposição “Discoteca 80: um projeto modernista”, com fotos, documentos, objetos de época e gravações. O objetivo é apresentar a um público mais amplo o trabalho da instituição, que atualmente recebe cerca de 1.500 visitantes por mês.

— Recebemos desde pesquisadores e estudantes de música a produtores e ouvintes que vêm por puro lazer. Costumo dizer que atendemos do maestro ao morador de rua — diz Jéssica Barreto, coordenadora da Discoteca Oneyda Alvarenga.

Em tempos de streaming e downloads, quando as “irradiações musicais” já não dependem tanto do “emprego do disco”, como escreveu Mário, a discoteca busca novas formas de difundir seu acervo. Recém-inaugurado, o portal será alimentado com itens da coleção e vídeos e podcasts criados a partir dela. Por enquanto, além de informações históricas, há uma pequena amostra da variedade do acervo, de Elis Regina e Bob Dylan a raridades como “Jorginho do sertão”, primeira canção sertaneja gravada no Brasil, em 1929, pela dupla Mandi e Sorocabinha.

No site há também programas produzidos pela instituição, como a série “Crônica de toca-discos”, em que artistas, críticos e produtores são convidados a explorar o acervo da discoteca. A sambista Fabiana Cozza escolheu de Edith Piaf a Dorival Caymmi. Enquanto ouvia e comentava faixas de Paulo Vanzolini, Clara Nunes e Jacob do Bandolim, o rapper Emicida lembrou um verso de uma de suas músicas: “nossos livros de história foram discos”.

— Uma das intenções de Mário era dar subsídios para compositores brasileiros conhecerem a música feita aqui e no exterior. Queremos continuar a difundir esse acervo para artistas e ouvintes em geral. Muita coisa que temos aqui não está disponível na internet. Nosso objetivo é fazer da discoteca um ponto de encontro para quem quer ouvir e discutir música — diz Jéssica, lembrando que a maior parte do acervo está digitalizada e pode ser consultada gratuitamente.

No último sábado, o aniversário da discoteca foi comemorado com uma “roda de escuta”, bate-papo em torno de discos do acervo. Nos anos 1930, Mário e Oneyda promoviam eventos semelhantes, exemplo da concepção ampla que o modernista tinha da gestão cultural. Essa concepção está exposta no recém-lançado “Me esqueci completamente de mim, sou um departamento de cultura” (Imprensa Oficial de São Paulo), organizado por Carlos Augusto Calil e Flávio Rodrigo Penteado, coletânea de documentos oficiais produzidos pelo escritor enquanto dirigiu o departamento, entre 1935 e 1938.

Os documentos mostram Mário se debatendo com o que chamava de “espessa goma da burocracia” em sua luta para implantar projetos ousados, como a Missão de 1938, que percorreu estados do Norte e Nordeste registrando danças, cantos e rituais. As gravações da Missão hoje fazem parte do acervo da discoteca, assim como documentos de outros projetos criados por Mário, como a Sociedade de Etnografia e Folclore, que teve colaboração do casal de antropólogos Claude Lévi-Strauss e Dina Dreyfus, e o Arquivo da Palavra, registro sonoro do modo de falar em várias regiões do país.

— Mário tinha uma visão inovadora para a época sobre o que hoje chamamos de “patrimônio imaterial”. Na administração dele, a cultura não era entendida em sentido estrito. Estava ligada à recreação, à assistência social, ao meio ambiente, ao turismo, a tudo que permeia a atividade humana e pode ser relacionado à ideia de cultura — diz Carlos Augusto Calil, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, que já dirigiu o CCSP e a secretaria de Cultura de São Paulo.

A sobrevivência dos frutos desse trabalho deve muito a Oneyda Alvarenga. Antes de morrer, em 1945, Mário deixou uma carta em que pedia a ela que desse continuidade a suas pesquisas sobre cultura popular. Ela catalogou o acervo da Missão, a partir do qual lançou discos da série “Registros sonoros do folclore musical brasileiro”, e organizou livros póstumos de Mário sobre o assunto, como “Danças dramáticas do Brasil” (1959) e “Os cocos” (1984).

— Mais do que criar um acervo, Mário e Oneyda queriam que ele chegasse às pessoas. Era um grande projeto público de musicalização. E é importante lembrar que, sem o trabalho dela, a discoteca não existiria — diz Flávia Camargo Toni, professora do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, que colaborou com Oneyda, morta em 1984, na organização de um projeto inacabado de Mário, o “Dicionário musical brasileiro”, lançado em 1982.

Guilherme Freitas em O Globo.