Fotografando o novo Instituto Moreira Salles da Avenida Paulista - São Paulo São


“Você tem medo de altura?”, pergunta o fotógrafo Bruno Fernandes, enquanto veste o cinto de proteção amarelo, com seus vários encaixes e ganchos anti-queda. Há mais de dois anos, Bruno frequenta a obra que ocupa um trecho estreito da fileira de prédios da Av. Paulista, quase na Consolação. Na época, a obra não passava de um terreno plano, e estava longe de ser esta estrutura de vários andares que visitamos e que virá a compor, em 2017, o novo IMS de São Paulo. O novo centro cultural, apesar do pequeno terreno, terá um espaço expositivo maior que o IMS do Rio, com três salas de pé-direito elevado, além de cinema, biblioteca, restaurante e muito mais.
 

Bruno Fernandes veste o cinto de segurança para alturas. Foto: Antônio Xerxenesky.
 
Bruno chega cumprimentando os trabalhadores que abrem a porta e cuidam dos equipamentos de segurança. Apesar da aparente intimidade, o fotógrafo não conhece boa parte dos funcionários: “Tento ser apenas um observador silencioso. Venho, pego a câmera, tiro as fotos, vou embora, sem atrapalhar ninguém”.
 
 
Começamos o percurso pelo subsolo. Há inúmeros elementos interessantes, geometrias inesperadas, um local de reuniões que parece uma capela. Comento que há muito o que pode ser fotografado. Bruno, que visita mensalmente a obra, me garante que, no início, as coisas mudavam com maior frequência. Agora, nesta parte do subsolo, por exemplo, tudo já está mais ou menos igual. Tubos empilhados formam círculos abstratos. Bruno foca em detalhes mínimos e explica: “Procuro sempre alternar entre o macro e o micro. Registro um detalhe, uma forma, e depois tiro uma foto geral.”
 
 
Nossa presença chama a atenção de alguns trabalhadores. Bruno é um velho conhecido na obra, e está vestido de forma adequada ao ambiente. Já eu, de trajes de escritório, sou claramente uma criatura estranha ali. Bruno afirma que não costuma fotografar os trabalhadores, ao menos não diretamente. Evita imagens de rosto e retratos – até por questão de autorização. Mas captura detalhes, como um funcionário soldando metal, instalando parafusos. Uma mão em movimento, um golpe de martelo.
 

Tomamos o elevador até o andar mais alto que ele nos leva. O resto do caminho será por uma escadaria que, para quem sofre de acrofobia, pode se revelar um pavor. A luz das quatro e meia da tarde é forte e amarelada. Bruno diz preferir vir um pouco mais tarde, pelas cinco, ainda mais com o horário de verão. “Não é por causa da cor da luz”, explica, “mas porque no fim do dia as sombras são mais tênues, menos marcadas”.
 
 
Subimos um andar de escadaria e obtemos uma visão privilegiada da av. Paulista. O prédio, quando ficar pronto, terá 44 metros de altura. Para mim, tudo é novidade, e comento mais uma vez: como há coisas para se fotografar! É quando Bruno revela o maior desafio da tarefa: recondicionar o olhar. Sim, a obra está sempre em movimento, mas ao avançar, também passa a se tornar mais estática, repetitiva aos olhos. Até as mudanças se tornam previsíveis. É preciso esquecer o que já foi fotografado e enxergar a obra como se nunca tivesse estado antes ali.
 
 

Clique aqui para ver algumas das imagens já captadas da obra.

O fotógrafo Michael Wesely também está registrando a obra do IMS através de imagens de longa duração. Saiba mais sobre o projeto.

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Antônio Xerxenesky, assistente de coordenação do IMS e escritor no blog do IMS (Instituto Moreira Salles).

 
 


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