‘Cineclube das Outras‘: um novo espaço na cidade para conhecer e debater a produção audiovisual feminina - São Paulo São

Em meio à multiplicação de grupos feministas e do peso político alcançado pelas manifestações de mulheres no Brasil, o cinema começa a ganhar centralidade. Entre pés na porta, câmeras na mão, lutas e resistência contra o machismo, racismo e sexismo, mulheres estão ocupando todos os campos do audiovisual e questionando seus lugares históricos no setor: da representação no cinema aos papeis e cargos que desempenham nas relações de trabalho (direção, fotografia, roteiro e mais), passando pela crítica e curadoria de festivais.

É nesse contexto que surge em São Paulo o “Cineclube das Outras”, um espaço coletivo para conhecer e debater a produção audiovisual de mulheres, com foco em Outras narrativas: de mulheres, negras, indígenas, LGBTs, migrantes, grupos subalternizados cuja voz soa cada vez mais alta nesta sociedade dominada por uma elite homens brancos heterossexuais. A iniciativa voluntária é de um grupo de diferentes gerações e atuações – integrantes da Taturana Mobilização Social, da Associação Cultural Kinoforum, da produtora Doctela, do 8M Brasil e do Outras Palavras.

A sessão inaugural traz três produções recentes de curta-metragem sobre violência

“Quem matou Eloá?”, documentário de Lívia Perez (SP), parte do caso de Eloá Pimentel, de 15 anos, durante cinco dias mantida refém pelo ex-namorado Lindemberg Alves, de 22 anos, para fazer uma análise crítica sobre a espetacularização e a abordagem da violência contra a mulher pela televisão – um dos motivos pelos quais o Brasil é o quinto no ranking mundial de feminicídio. O filme foi indicado a melhor curta-metragem documentário no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2017. Lívia Perez estará presente no bate-papo sobre os filmes, após a exibição.
Cena do documentário"Quem matou Eloá?“ (2015), de Lívia Perez.Cena do documentário"Quem matou Eloá?“ (2015), de Lívia Perez.
“Do portão para fora”, de Letícia Bina (SP), também um documentário, narra a vida de Jaqueline ao sair da prisão: ela recomeça sua vida no lugar onde cresceu, torna-se mãe pela segunda vez e divide seu tempo entre o trabalho e a casa. Letícia e Jaqueline também estarão presentes no debate.

Cena do filme “Do portão para fora“ (2016) de Letícia Bina.Cena do filme “Do portão para fora“ (2016) de Letícia Bina.

Já “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG), é uma ficção que traz a personagem Vivi, uma cobradora de ônibus que procura escapar de uma relação opressora e se fortalece com o trabalho e o apoio de outras cobradoras. A diretora não estará no debate por morar fora de São Paulo.

Cena do filme “Estado itinerante“ (2016), de Ana Carolina Soares.Cena do filme “Estado itinerante“ (2016), de Ana Carolina Soares.

O cineclube não conta com financiamento, a não ser a eventual contribuição voluntária das pessoas que comparecerem à sessão e alguns trocados da venda de bebidas no bar, para custear o uso do espaço. Os filmes foram cedidos gratuitamente por suas diretoras, mas a ideia é, futuramente, quando o cineclube crescer, ajudar a remunerar tanto os curtas, quanto as debatedoras que se engajam em discutir as obras conosco – fortalecendo e valorizando assim o espaço, o debate e a cadeia envolvida na distribuição de filmes.

O “Cineclube das Outras” vem se somar a iniciativas semelhantes espalhadas pelo país: Feministas de Quinta (ES), Quase Catálogo  e Cineclube Delas (RJ)  , o Cineclube Feminista do Coletivo Matilde Magrassi (periferia de São Paulo e Guarulhos), e as sessões de cinedebate organizadas pel SOF (SP), entre outras. Isso, ao lado de núcleos de mulheres cineastas como o Coletivo Vermelha (SP), o Grupo das Mulheres no Audiovisual, o Grupo das Mulheres Negras no Audiovisual, a Afroflix, as Elviras e outras tantas existentes por aí.

O cineclube está aberto a pessoas e grupos ou entidades que queiram somar esforços. Estão todxs convidadxs!

Serviço

Cineclube das Outras – sessão inaugural dia 23 de março.
Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga, São Paulo.
19h: Abertura da casa.
19h30: Exibição dos curtas-metragens.
“Quem matou Eloá?”, de Lívia Perez (SP) – Documentário 24.24 min.
“Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG) – Ficção 25 min.
“Do portão para fora”, de Letícia Bina (SP) – Documentário 16.4 min.
20h30: bate-papo com Lívia Perez, Letícia Bina e Jaqueline.

***
Por Inês Castilho e Livia Almendary no Outras Palavras.

 



APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio





 
 
APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio