No centro de São Paulo, uma galeria de brinquedos antigos do mundo todo - São Paulo São

O centro da cidade de São Paulo esconde alguns tesouros que só os mais avisados encontram. Um deles é a Galeria Itapetininga, onde ficam nada menos do que 15 pequenas lojas dedicadas aos brinquedos antigos e itens de colecionador. Conhecida pelos frequentadores como “A Galeria dos Brinquedos”, o espaço é um verdadeiro oásis, onde podemos passar facilmente um dia todo explorando cada detalhe.

A Galeria dos Brinquedos é um lugar que merece ser visitado, mas vá com tempo. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.A Galeria dos Brinquedos é um lugar que merece ser visitado, mas vá com tempo. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Os lojistas orgulham-se de dizer que este é o único espaço desse tipo existente no mundo, e que recentemente está surgindo algo parecido em Buenos Aires, mas ainda nada que se compare à nossa Galeria. 

Os pequenos boxes resumem-se a vitrines incrustadas na parede, com prateleiras lotadas de raridades em brinquedos antigos, action figures e objetos inusitados, como uma antiga garrafa de Crush. Nada é muito organizado, brinquedos de diferentes épocas dividem espaço com figuras mais recentes, mas ficar garimpando as raridades faz parte da brincadeira.

Boneco do super herói National Kid da série de TV japonesa dos anos 60. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Boneco do super herói National Kid da série de TV japonesa dos anos 60. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.

André Pereira Alves, da Latino Colecionáveis, está no espaço há 6 anos. Em seu box podemos encontrar algumas raridades, como jogos de botão antigos e álbuns de figurinhas. Ele está acostumado com visitas de outros estados, e até de outros países. Conta que alguns artistas do Cirque de Soleil visitaram a galeria quando estavam no Brasil, e não foram acompanhados de nenhum artista brasileiro que poderia tê-los levado. Eles foram graças à fama do lugar. Seu vizinho, Fabio Assunção Costa é especializado em Star Wars. Em seu box é possível encontrar uma miniatura de Darth Vader lançado à época do primeiro filme, nos anos 70, em perfeitas condições. Lá também existe um boneco Chucky com olhos de vidro, que dá medo só de olhar.

André e o boneco do Pica Pau, o item mais antigo de sua loja. Fábio e sua especialidade: Star Wars. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.André e o boneco do Pica Pau, o item mais antigo de sua loja. Fábio e sua especialidade: Star Wars. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Edilson Carvalho Golçalves, o Sasquat, tem um disco voador de lata dos anos 60, muito raro e em boas condições. Isso, claro, tem um preço. Esse brinquedo é o item mais caro de sua loja, e vale R$ 1500. Raridades custam caro em qualquer ramo. Na Galeria existem brinquedos avaliados em até 5 mil reais, mas a grande maioria não custa tão caro assim. Facilmente encontramos pequenas action figures e miniaturas antigas por até 20 reais.

Sasquat e um dos brinquedos mais raros de toda a Galeria: o disco-voador. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Sasquat e um dos brinquedos mais raros de toda a Galeria: o disco-voador. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.

Todos os boxes convivem pacificamente, num espírito colaborativo, porque, apesar de todos terem brinquedos antigos, cada um tem sua especialidade. Carlos Ibiapino, da Águia Brinquedos, por exemplo, é especialista em brinquedos da Gulliver. O Batmóvel da marca é muito procurado, mas o campeão de requisições é o antigo Forte Apache. Na sua loja existe um módulo lunar da Apolo 11 de origem japonesa feito na época dos primeiros passos na Lua.

Carlos Ibiapino e os herois. À direita, o fantástico módulo lunar. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Carlos Ibiapino e os herois. À direita, o fantástico módulo lunar. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.

No box Tudo Velho há um item que é orgulho de seu dono, o Ivan, e que certamente farão os mais saudosistas suspirarem: bonecos da Família Barbapapa. Apesar de ser o item mais caro de sua loja, ele torce pra não vender, e assim ficar com o produto!

Ivan e os bonecos Barbapapa. À direita, alguns de seus itens. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Ivan e os bonecos Barbapapa. À direita, alguns de seus itens. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.

Logo ao lado, no box do Oséas, encontramos outras raridades: um Ferrorama na caixa original e um boneco antiquíssimo do Topo Gigio. Mas a menina dos olhos do proprietário é uma action figure GI Joe original, que custa R$ 350. Um pouco mais adiante, o box do Eduardo França é especializado em aviação.

Oséas e o GI Joe. À direita, Eduardo, especializado em aviação. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Oséas e o GI Joe. À direita, Eduardo, especializado em aviação. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.

A maior loja do lugar é a JR Toys, que não é somente uma vitrine na parede, e sim um ambiente em que podemos entrar pra garimpar os tesouros. O responsável pela loja, Gelson Bittencourt, explica que além de brinquedos, eles também são especializados em camisas de clubes de futebol e também em embalagens antigas. Foi lá que eu vi um item que achei que jamais fosse ver na vida, um Gigante Amaral, um brinquedo que vinha nas cestas de Natal Amaral.

Alguns itens da JR Toys. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Alguns itens da JR Toys. Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.

A Galeria dos Brinquedos é um lugar que merece ser visitado, mas vá com tempo. Mesmo que você não procure nada em especial, vá só como curiosidade, porque mais de 60 anos de história dos brinquedos mundiais estão ali, espalhados por aquelas pequenas vitrines. Só acho que a galeria deveria ser mais divulgada, com as entradas mais chamativas e com algum atrativo que fizesse as pessoas entrarem pra terem uma experiência única. Esses tesouros todos não podem ficar escondidos!

Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.

Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.Foto: Roosevelt Garcia / Acervo Dedoc.

Serviço

Galeria dos Brinquedos
Nome oficial: Galeria Itapetininga
Rua Barão de Itapetininga, 267, com entrada também pela Rua Sete de Abril, 356.

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Por Roosevelt Garcia em seu blog Memória.