Na Zona Sul de São Paulo, existem dois rios de água limpa onde se pode nadar - São Paulo São

A cidade de São Paulo tem somente dois rios próprios para banho, ambos localizados no extremo sul da cidade. Nas regiões de Parelheiros e Marsilac, dezenas de famílias que aproveitam fins de semana ou feriados ensolarados para se refrescar às margens dos rios Monos e Capivari.

Os rios fazem parte do Polo de Ecoturismo de São Paulo, criado por meio da lei 15.953 de 2014 para orientar as atividades na região e estimular o seu desenvolvimento econômico e social. A região é um tesouro, que abrange um patrimônio natural, histórico e cultural.

O polo é formado pela Mata Atlântica, atravessada pela Serra do Mar e certificado como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Além dos rios Monos e Capivari, os únicos limpos da cidade, segundo a Prefeitura de São Paulo, e nove cachoeiras onde o banho é liberado, a região é habitada por uma diversidade de espécies de vegetação nativa, como bromélias e palmito-juçara, e animais, como onças, jaguatiricas, jararacas, corais, antas e preguiças.

A região também possui mirantes, pesqueiros, feiras de artesanato, oito aldeias indígenas Guarani, centros ecumênicos de diversas religiões, e uma enorme cratera formada pelo impacto de um meteoro há 36 milhões de anos, tudo isso passível de visitas monitoradas por agências de turismo que atuam em conjunto, de forma comunitária.

“Aqui praticamos turismo sustentável, ou seja, respeitando a comunidade. Há aldeias e vilas centenárias, e um rico ecossistema, então é preciso gerar renda sem impactar o entorno”, explica o gestor ambiental e agente de turismo Lucas Duarte, de 25 anos. “No caso dos rios, a maior parte das cachoeiras foi estudada para ter um controle sobre o número de visitas”, continua.

Acesso às cachoeiras dos rios Monos e Capivari são feitas por trilhas na Mata Atlântica. Alguns caminhos precisam de guias por serem maiores e mais perigosas, mas é sempre recomendado falar com agências antes das viagens. Foto: Marcelo Brandt / G1.Acesso às cachoeiras dos rios Monos e Capivari são feitas por trilhas na Mata Atlântica. Alguns caminhos precisam de guias por serem maiores e mais perigosas, mas é sempre recomendado falar com agências antes das viagens. Foto: Marcelo Brandt / G1.
O Plano Diretor, aprovado em 2014, significou um avanço para as regiões de Parelheiros e Marsilac, pois foram enquadradas como Zona Rural, medida que protege justamente o ecoturismo e a agricultura ao impedir a expansão horizontal.

“Penso que depois dessa mudança no zoneamento, a Prefeitura Regional de Parelheiros se diferenciou das outras prefeituras regionais. Por exemplo, aqui temos outra dinâmica para poda de árvore, já que é uma Área de Proteção Ambiental (APA). A conservação das vias rurais tem outra demanda, pois são feitas com pedras, e não com asfalto”, argumenta o gestor ambiental Lucas Duarte.

“Por tudo isso e pela importância do nosso trabalho no Polo, já que ele também ajuda a preservar o ecossistema ao frear a urbanização, a Prefeitura Regional de Parelheiros precisa de um departamento de turismo para concentrar essas demandas e levá-las até as secretarias, pois são realmente diferentes das necessidades das outras Prefeituras Regionais”, completa.

Ilustração: Infográfico G1.Ilustração: Infográfico G1.

Em 2015, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) entregou um estudo encomendado pela SPTuris, que apontou diretrizes do que se tornou o Plano de Desenvolvimento do Turismo Sustentável.

Cerca de 500 mil pessoas visitam as cachoeiras do extremo sul de São Paulo todos os anos. De acordo com Lucas Duarte, a maioria dos frequentadores acaba sendo moradores da Zona Sul de São Paulo ou grupos de excursões promovidas pelo Sesc.

Rio Monos


O ponto de encontro da reportagem com o guia turístico da agência Toca da Onça foi o antigo Posto de Atendimento ao Turista (PAT) localizado na Avenida Senador Teotônio Vilela. De lá, a equipe seguiu de carro por estradas de terra em mau estado de conservação, mas razoavelmente bem sinalizadas, em um percurso de aproximadamente uma hora até a cachoeira Poço das Virgens, com águas do Rio Monos.

Grupo de amigos descansa na Cachoeira Poço das Virgens, com águas do Rio Monos. Acesso ao local é gratuito, após trilha suave em meio à Mata Atlântica. Foto: Marcelo Brandt / G1.Grupo de amigos descansa na Cachoeira Poço das Virgens, com águas do Rio Monos. Acesso ao local é gratuito, após trilha suave em meio à Mata Atlântica. Foto: Marcelo Brandt / G1.No caminho é possível visitar a antiga estação de trem Evangelista de Souza, ponto de parada da linha que transportava passageiros de Mairinque até Santos. Os trilhos permanecem no local mas atualmente servem apenas ao transporte de carga, para o lamento dos moradores da região.

A equipe cruzou com grupos de amigos e de escoteiros na estrada, que seguiam para as cachoeiras a pé na estrada de terra. Quem quiser chegar à cachoeira somente com a mochila nas costas, como esses grupos, deve chegar ao Terminal Parelheiros e tomar outra condução até o bairro da Barragem, antes de caminhar por mais de 3 km seguindo a linha de trem.

O Rio Monos nasce nas imediações da barragem do reservatório da Billings. As águas seguem seu curso e o rio apresenta cachoeiras, geralmente dentro de propriedades particulares.

Os donos dos sítios e fazendas cobram cerca de R$ 10 de entrada para promover uma infraestrutura básica aos visitantes. No caso do Poço das Virgens, o proprietário do Sítio do Bambu não se incomoda que os visitantes deixem seus carros na entrada, mas como não há cobrança, também não há qualquer tipo de infraestrutura.
Guia turístico Lucas Duarte apresenta a trilha em meio à Mata Atlântica até a Cachoeira Poço das Virgens, com águas com Rio Monos, na Zona Sul de São Paulo. Foto: Marcelo Brandt/G1.Guia turístico Lucas Duarte apresenta a trilha em meio à Mata Atlântica até a Cachoeira Poço das Virgens, com águas com Rio Monos, na Zona Sul de São Paulo. Foto: Marcelo Brandt/G1.

É recomendado que os visitantes tomem cuidado na cachoeira, levem seus repelentes, protetores solares, antialérgicos e lanches. Também não há sinal de rede para acessar a internet móvel nas cachoeiras. Em caso de emergência é possível recorrer aos bombeiros, à Guarda Civil Metropolitana (GCM) e à Polícia Militar.

O acesso à cachoeira, que faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Capivari-Monos e é uma das mais visitadas da região, é feito após uma suave trilha de dez minutos em meio à Mata Atlântica.

Rio Capivari


O acesso à cachoeira Marsilac, com águas do Rio Capivari, não é livre como à cachoeira Poço das Virgens. O local já passou por estudos e hoje sabe-se que ele pode atender até 300 pessoas por dia para garantir sua preservação.

Turistas aproveitam dia de sol nas águas do Rio Capivari, na região de Marsilac, Zona Sul de São Paulo. Cobrança de R$ 10 na entrada permite infraestrutura para prática de esportes. Foto: Marcelo Brandt / G1.Turistas aproveitam dia de sol nas águas do Rio Capivari, na região de Marsilac, Zona Sul de São Paulo. Cobrança de R$ 10 na entrada permite infraestrutura para prática de esportes. Foto: Marcelo Brandt / G1.

A administração do espaço e a reserva das visitas é feita pela agência Selva SP. Esta cachoeira apresenta boa infraestrutura aos turistas, pois a cobrança da entrada no valor de R$ 10 ajudou a montar no local um pequeno restaurante, vestiário, equipamentos para prática de esportes radicais e a contratação de funcionários para garantir a segurança do público que se diverte no rio.

Para chegar ao Rio Capivari, a equipe seguiu percorrendo estradas de terra, com lombadas não sinalizadas que custaram fortes pancadas na parte debaixo do veículo. Quem preferir se aventurar a pé deve chegar até o Terminal Varginha e, de lá, tomar um ônibus até Marsilac, antes de caminhar mais 6 km.

Adultos e crianças se banham na Cachoeira de Marsilac, com águas do Rio Capivari, na Zona Sul de São Paulo. Foto: Marcelo Brandt / G1.Adultos e crianças se banham na Cachoeira de Marsilac, com águas do Rio Capivari, na Zona Sul de São Paulo. Foto: Marcelo Brandt / G1.

O Rio Capivari também compõe a APA Capivari-Monos, é mais extenso do que o Rio Monos, e a profundidade de ambos varia entre 20 centímetros e 12 metros, aproximadamente.

Além da cachoeira Marsilac, o Rio Capivari também possui as cachoeiras dos Manacás, da Onça e da Lontra, todas acessíveis por trilhas e com número limitado de visitantes.

Grupo de escoteiros se dirige para os rios limpos de São Paulo a pé, na estrada de terra junto a linha de trem que serve ao transporte de carga. Foto: Marcelo Brandt / G1.Grupo de escoteiros se dirige para os rios limpos de São Paulo a pé, na estrada de terra junto a linha de trem que serve ao transporte de carga. Foto: Marcelo Brandt / G1.

Nesta mesma APA, os turistas podem conhecer ainda a cachoeira do Jamil, fruto das águas dos rios Capivari e Monos, que fica em um sítio particular, e outras três cachoeiras, também localizadas em uma propriedade privada, a Fazenda Maravilha.

As três quedas d'água são: a cachoeira do Sagui, onde é possível acessar sozinho, e as cachoeiras Oásis e Raio de Sol, que necessitam de guia turístico, pois possuem trilhas maiores e mais difíceis.

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Por Vivian Reis do G1 / SP.

 



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