A história da independência viva em São Paulo - São Paulo São

Imagem do projeto vencedor do concurso nacional de arquitetura para o restauro e a modernização do edifício-monumento do Museu Paulista (MP). Imagem: Cortesia / H+F Arquitetos.Imagem do projeto vencedor do concurso nacional de arquitetura para o restauro e a modernização do edifício-monumento do Museu Paulista (MP). Imagem: Cortesia / H+F Arquitetos.

O pequeno riacho do Ipiranga presenciou, no dia 7 de setembro de 1822, um dos acontecimentos mais importantes da história do nosso País. Dom Pedro I bradou “Independência ou Morte”, e se tornou o primeiro imperador do Brasil, que deixou de ser colônia de Portugal.

Desde aquele acontecimento, muitos pretendiam marcar de alguma forma o local onde ocorreu o grito da independência, porém, somente em 1895, foi inaugurado o que hoje é o Museu Paulista, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga, que está fechado desde 2013, por problemas estruturais.

Restauro e ampliação

A requalificação do museu pretende triplicar a capacidade anual de visitação, passando dos 300 mil registrados em 2013, para 900 mil com as modernizações e novas. Fotomontagem: Hereñu + Ferroni Arquiteto Ltda.A requalificação do museu pretende triplicar a capacidade anual de visitação, passando dos 300 mil registrados em 2013, para 900 mil com as modernizações e novas. Fotomontagem: Hereñu + Ferroni Arquiteto Ltda.

As obras de restauro e ampliação devem começar neste mês. “O museu e os seus jardins estarão totalmente recuperados para, em setembro de 2022, fazermos uma grande celebração dos 200 anos da Independência do Brasil”, disse João Doria, governador do estado de São Paulo, na apresentação do cronograma de captação de recursos, iniciado em março. O projeto possui o orçamento de R$ 160 milhões, arrecadados por meio de parcerias do Governo Estadual com a sociedade civil e com 13 empresas da iniciativa privada.

Com a reforma, além da adequação às normativas atuais de infraestrutura, acessibilidade, segurança e sustentabilidade, o edifício será ampliado em 4 mil metros quadrados. A nova área proporcionará a melhoria dos acessos e fluxos, acolhimento do público e novas facilidades, como mirante, área de exposições temporárias, auditório, salas para ações educativas, café e loja.

O objetivo é triplicar a capacidade anual de visitação, de cerca de 300 mil pessoas em 2013 para 900 mil após a reinauguração. A construtora responsável pelas obras, que terão duração prevista de 30 meses, deve ser anunciada no próximo dia 7.

Complexo do Ipiranga

Festa escolar comemorativa no Museu do Ipiranga em 1912. Pintura de Augustin Salinas y Teruel. Imagem: Museu Paulista / Acervo.Festa escolar comemorativa no Museu do Ipiranga em 1912. Pintura de Augustin Salinas y Teruel. Imagem: Museu Paulista / Acervo.O Edifício-Monumento foi inaugurado em 7 de setembro de 1895, como museu de História Natural e marco representativo da Independência. Em 1963, o local passou a ser administrado pela Universidade de São Paulo (USP) e tornou-se uma instituição científica e educacional. Seu acervo é constituído por cerca de 450 mil itens, entre objetos e documentos.

O Parque da Independência, inaugurado em 1989, abriga além do museu e seus jardins, o Monumento à Independência e a Casa do Grito. Esse complexo é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, e também pelos órgãos estaduais e municipais. 

O monumento foi inaugurado em 1922, como parte das comemorações do centenário da independência. Na parte interna está a cripta construída em 1953, que abriga os restos mortais de Dom Pedro I. A Casa do Grito possui exposições diversas. Os documentos mais antigos sobre a sua origem datam de 1884: acredita-se que foi construída nesse ano. Ambos, Monumento e Casa do Grito, estão abertos para visitação de terça-feira a domingo, das 9h às 17h.

Fechamento do Museu

O Museu do Ipiranga fechado. Foto: Mauro Calliari.O Museu do Ipiranga fechado. Foto: Mauro Calliari.Em 2013, o museu foi fechado para visitação pública após um laudo apontar problemas estruturais causados pela infiltração de água nos forros. Após um planejamento, o acervo foi removido, com exceção de algumas obras como a pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, com 4,6 metros de altura e 7,6 metros de largura, e da “Maquete da Cidade de São Paulo”, em mármore, que representa a capital em 1841. 

Sete imóveis foram alugados no bairro do Ipiranga: em dois passaram a funcionar a administração do museu e as atividades educativas e de extensão, e outros cinco foram preparados para receber o acervo.

Mesmo após o fechamento o Edifício-Museu continua atendendo os pesquisadores e realizando os procedimentos de curadoria e exposições externas.

“O fechamento foi a melhor atitude, pois salvaguardou o acervo e não trouxe danos à população que visitava o museu, não havendo consequências mais sérias. Efeito maior foi fechar ao público um acervo tão importante. Porém, isso chamou a atenção para as condições de conservação e possibilitou uma discussão maior sobre o restauro e ampliação no edifício para atender melhor o público”, diz, Fernanda Gibertoni Carneiro, arquiteta-urbanista e técnica do IPHAN em São Paulo.

Preservação efetiva

Óleo sobre tela, ‘Independência ou Morte‘, de Pedro Américo, no salão nobre do Museu do Ipiranga. Foto: Rogério Albuquerque.Óleo sobre tela, ‘Independência ou Morte‘, de Pedro Américo, no salão nobre do Museu do Ipiranga. Foto: Rogério Albuquerque.No dia 2 de setembro de 2018, o Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, onde um dia residiu a Família Real, foi destruído pelas chamas, e grande parte de seu acervo com mais de 200 anos de história do Brasil foi perdido, além das pesquisas desenvolvidas. O local já demonstrava clara degradação e estava com o terceiro andar fechado ao público devido ao elevado risco de incêndio. 

“Essa tragédia nos lembra a importância de cuidarmos do patrimônio histórico brasileiro. Tanto que após este caso do Museu Nacional, houve uma vistoria geral em diversos museus em todo o Brasil. Temos que cuidar desse patrimônio e precisamos ter leis que fiscalizem e responsabilizem os maus gestores desses locais”, alertou o historiador Caio Pereira à reportagem. 

Segundo Fernanda, para que uma nova tragédia não ocorra, a preservação desse patrimônio não deve envolver só as autoridades federais, estaduais e municipais, mas é necessário também o empenho de todos para uma ação efetiva e permanente, pois só assim os bens ficam conservados e sempre disponíveis para o público.

“O maior desejo é que existam ações conservativas e permanentes dos edifícios e dos acervos, mesmo isso tendo um custo e exigindo mais profissionais qualificados, para uma conservação de rotina. Quando isso não é priorizado pelo governo ou pelas instituições em termos de orçamento, são necessárias ações com custos maiores, como uma restauração de grande porte”, concluiu a técnica do Iphan. 

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Por Flavio Rogério Lopes / O São Paulo. Edição: São Paulo São.



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