Festival 'Verão Sem Censura' celebra a democracia e a liberdade de expressão em vários pontos da cidade - São Paulo São

Cena de A vida invisível, sétimo longa de Karim Aïnouz que será exibido no CCSP. Foto: Divulgação.Cena de A vida invisível, sétimo longa de Karim Aïnouz que será exibido no CCSP. Foto: Divulgação.

Peças de teatro, filmes, shows, videoclipes e até mesmo cartazes de filmes que tiveram sua exibição impedida, foram censurados de forma direta ou simplesmente dispensados com uma desculpa esfarrapada terão acolhida em São Paulo neste mês de janeiro, no Festival Verão Sem Censura.

O evento é realizado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo é uma resposta aos ataques do governo federal à cultura neste primeiro ano do presidente Jair Bolsonaro. Vários artistas que tiveram as obras dispensadas de apresentações em eventos promovidos ou apoiados pelo governo ou foram criticados pelo presidente serão apresentados nos 15 dias do festival, entre os dias 17 e 31 de janeiro, em vários equipamentos culturais de São Paulo.

Cena de 'Res Pública 2023', peça censurada pela Funarte. Foto: Priscila Prade.Cena de 'Res Pública 2023', peça censurada pela Funarte. Foto: Priscila Prade.

O Festival foi pensado pelo secretário municipal de Cultura, Alê Youssef, e o prefeito Bruno Covas, que vem se posicionando como contraponto às posições políticas do governo Bolsonaro. Em agosto, a peça Res-Publica, censurada pela Funarte, um órgão federal, foi convidada pela Prefeitura a se apresentar em São Paulo. Nasceu ali a ideia de promover um festival com obras censuradas, criticadas ou que sofreram algum tipo de restrição, seja agora ou no passado, como é o caso da peça Roda Viva, que será apresentada no Theatro Municipal.

Ensaio de Roda Viva, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, primeira peça de Chico Buarque, escrita em 25 dias quando o cantor e compositor tinha 24 anos. Foto: Divulgação.Ensaio de Roda Viva, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, primeira peça de Chico Buarque, escrita em 25 dias quando o cantor e compositor tinha 24 anos. Foto: Divulgação.

O evento acolhe todas as manifestações culturais oprimidas em 15 dias de evento, realizado nas cinco regiões da cidade. São mais de 45 atividades abertas e  gratuitas, como peças de teatro, filmes, debates, shows, exposições, performances e carnaval.

A iniciativa apoia e fortalece a resistência aos ataques à cultura e aos artistas no Brasil. Para o secretário Alexandre Youssef, o Verão Sem Censura não é um projeto de antagonismo ao Governo Federal. “É uma medida de valorização da nossa cultura”, explica. “Uma resistência que luta pelo bem mais valioso da nossa cultura, a liberdade de expressão”. Trata-se de combater a repressão, a censura e o preconceito produzindo e promovendo coisas “boas, bonitas e fortes”.

Atrações

Bruna Surfistinha (filme), Arnaldo Antunes e grupo russo Pussy Riot estão na programação. Mosaico: Divulgação.Bruna Surfistinha (filme), Arnaldo Antunes e grupo russo Pussy Riot estão na programação. Mosaico: Divulgação.

A banda russa Pussy Riot, o músico e poeta Arnaldo Antunes, o DJ Rennan da Penha, funkeiro que ficou preso acusado de associação ao tráfico, a atriz Deborah Secco e a ex-prostituta Raquel Pacheco, que escreveu o livro que deu origem ao filme Bruna Surfistinha, são alguns dos artistas que participam do Festival.

No total, são 45 atividades, entre shows, peças de teatro, filmes, debates, shows, exposições, performances e até Carnaval, antecipando à temporada de Carnaval de rua da cidade, que neste ano deve se consolidar como o maior do país.

Toda a programação é gratuita e realizada em locais como o Theatro Municipal, Praça das Artes, Centro Cultural São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade e outros.

A distopia em que vivemos será discutida pela historiadora Lilia Schwarcz, que no dia 29, na Biblioteca Mário de Andrade, dará uma aula sobre 1984, o romance distópico de George Orwell, sobre um mundo com controle absoluto sobre a sociedade.

"A Espetacular Charanga do França", projeto capitaneado pelo saxofonista Thiago França. Foto: Divulgação."A Espetacular Charanga do França", projeto capitaneado pelo saxofonista Thiago França. Foto: Divulgação.

Mas nem só de protesto vive o Festival. No encerramento, no dia 31, a Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Theatro Municipal, é palco de uma festa que começa com o Cortejo do bloco Espetacular Charanga do França, às 23h. Em seguida, a diversão continua com Tarado Ni Você, bloco de músicas de Caetano Veloso, e, por fim, a festa Minhoqueens.

Confira a programação completa no Agendão

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Com informações da Secretaria Municipal de Cultura. Edição: São Paulo São.



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