Coletivo PISA e Escola da Cidade colocam três blocos na rua para percorrer São Paulo - São Paulo São

Rua José Paulino, no Bom Retiro, em 1964. Foto: Folhapress / Acervo.Rua José Paulino, no Bom Retiro, em 1964. Foto: Folhapress / Acervo.

O Coletivo Pisa em parceria com a Escola da Cidade oferece no primeiro semestre de 2020 uma série de Cursos Livres organizados em três blocos temáticos: Memórias do chão que a gente pisa e dos rios que a gente não vê, Imigrações e Segregações: de Santa Ifigênia ao Bom Retiro e Espaços de Violência estatal e processos de memorialização.

Os cursos estão abertos para  estudantes da Escola da Cidade e interessados em geral, basta entrar no site da Escola da Cidade e se inscrever para caminhar com a gente! 

O primeiro bloco que vamos colocar na rua acontece agora no mês de março,  nos dias 21 e 28, dois sábados seguidos. Nada por acaso Memórias do chão que a gente pisa e dos rios que a gente não vê, são dois  percursos que ocorrem logo depois da estação das chuvas, momento em que  tanto o calçamento como as águas da cidade tornam-se protagonistas do dia a dia dos paulistanos. 

Foto: Marcos Gorgatti.Foto: Marcos Gorgatti.

Nas Memórias do chão que a gente pisa, Wanessa Spiess nos coloca para olhar os diversos calçamentos da área central da cidade, o célebre piso do Estado de São Paulo, algumas intervenções artísticas em outros pisos emblemáticos  do centro, as novas iniciativas privadas quanto a gestão de algumas ruas, assim como, problematiza a histórica gestão pública na implantação e manutenção do calçamento urbano. 

Já nas Memórias dos rios que a gente não vê, Marília de Castro Garson procura nos sensibilizar  para a presença fluvial subterrânea da cidade, percorreremos alguns rios presentes nos subsolos da área central da cidade e resgataremos aqueles  que passaram por nossas vidas e moram nas lembranças. Eu lembro quando pela primeira vez entrei num edifício da av. São João e vi com ajuda de uma  lanterna um pouco do rio Anhangabaú, seu barulho e águas transparentes, nunca mais esqueci!

Também serão abordados neste percurso as várias iniciativas de organizações e coletivos em revelar e preservar os rios da cidade de São Paulo. 

Mapa hidrográfico revela os rios da cidade de São Paulo. Imagem: Rios e Ruas.Mapa hidrográfico revela os rios da cidade de São Paulo. Imagem: Rios e Ruas.

Quanto as duas guias deste primeiro bloco do PISA, Wanss e Marília, só posso dizer que conhecem muito do tema proposto e adoram compartilhar destes achados quase invisíveis que fazemos nas pesquisas acadêmicas, transformando aquilo que a gente não vê, por onde pisamos todos os dias, em histórias de todos nós. 

Wanessa Spiess faz  mestrado na FAU/Mackenzie, pesquisa o uso e ordenação do calçamento urbano de São Paulo. Há alguns anos  faz percursos pela cidade com o CalçadaSP. 

Marília de Castro é formada pela FAU/USP. Profunda estudiosa da história da evolução urbana de São Paulo. Já desenvolveu vários  percursos com o PISA que abordam a questão dos rios da cidade de São Paulo.

Mais informações sobre inscrições e próximos blocos de percursos propostos pelo PISA em parceria com a Escola da cidade nos meses de abril e maio de 2020.

Bloco 2

Entrada do Bairro do Bom Retiro perto da Estação da Luz no centro de São Paulo. Foto: Divulgação.Entrada do Bairro do Bom Retiro perto da Estação da Luz no centro de São Paulo. Foto: Divulgação.

18/04 a  25/04 – Imigrações e Segregações: de Santa Ifigênia ao Bom Retiro com Paula Janovitch, Stephanie Guerra e Giovanna Fluminhan

Buscando mobilizar o território como ferramenta de transmissão de conhecimentos, as aulas se propõem em forma de percursos pela cidade, com foco nas imigrações ocorridas ao longo da formação nos bairros de Santa Efigênia e Bom Retiro e como o seu urbanismo contribuiu para segregar as populações. Moradia, trabalho, comércio e prostituição são alguns dos pontos que serão abordados nos dois percursos.

Bloco 3

Destacamento de Operações de Informações  – Centros de Operação de Defesa Interna (DOI-Codi). Foto: Museu da Democracia.Destacamento de Operações de Informações – Centros de Operação de Defesa Interna (DOI-Codi). Foto: Museu da Democracia.

09/05 a 23/05 – Espaços de violência estatal e processos de memorialização com Rebeca Lopes Cabral, Wanessa Spiess e Deborah Neves

Os locais visitados ao longo dos percursos são espaços institucionais e do cotidiano e  que operaram como palco e agentes de violências distintas durante a ditadura militar brasileira e que passaram por processos de memorialização em tempos recentes. O objetivo é trazer reflexões sobre as violências explícitas – como as cometidas no prédio do antigo Doi-Codi e Carandiru – e as implícitas, como a Al. Casa Branca, local onde Carlos Marighella foi assassinado e o Minhocão, antigo Elevado Presidente Costa e Silva.  Serão abordadas as possibilidades e os debates que envolvem a transformação de espaços ordinários em lugares de memória. As visitas serão conduzidas por especialistas no tema, que trarão aspectos pouco conhecidos sobre os locais, além de reflexões sobre memória, história e arquitetura.

Informação e inscrições: Escola da Cidade  (ec.edu.br ou http://www.escoladacidade.org/)

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Paula Janovitch é mestre em antropologia e doutora em história. Participa do coletivo PISA: pesquisa + cidade e do Escutando a cidade.





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