Saiba como foi o 'Percussion Show', 'evento-piloto' da Bienal da Música - São Paulo São


Entre os dias 6 e 9 deste mês, a Fundação Bienal de São Paulo recebeu o '
Percussion Show', evento de cultura e negócios voltado para a bateria e a percussão. Durante os quatro dias, mais de 10 mil pessoas, entre bateristas profissionais, amantes da música, entusiastas, fabricantes e lojistas passaram por lá e conferiram uma extensa programação. Esta primeira edição do Percussion Show, projeto piloto da Bienal da Música, foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Secretaria do Verde e Meio Ambiente e SP Turis. A exposição no Lounge do Pavilhão da Bienal contou com a presença dos seguintes expositores: Pearl Drums, Latin Percussion, Evans, Pro Mark, Orion Cymbals, Odery Drums, Alesis, Paiste, Ludwig, Musser, Quasar, Aquarian, Gibraltar, Mapex, Liverpool, Meinl e Octagon. No evento se apresentaram grandes bateristas e percussionistas, e a baterista e educadora Lilian Carmona foi homenageada.
 
Foto: Karol Oliveira.
 
O evento foi hospedado no subsolo do pavilhão da Bienal, onde também há um auditório, o Anfiteatro do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, e no espaço do lounge foram montados os estandes das marcas. O espaço facilitou o acesso aos produtos e o contato com os consultores e representantes das marcas, tornando tudo mais pessoal.

As apresentações que ocorreram durante todo o evento trouxeram opções variadas de estilos e gêneros musicais. Alguns bateristas que se apresentaram com suas bandas, outros fizeram jam sessions, alguns usaram play along e outros se apresentaram solo. Ainda tiveram bandas, Batalha de Percussão, Encontro de Maracatus e o Bateras 100% Brasil reuniu mais de 150 bateristas. Paulo Campos, grande percussionista, ficou encarregado do encerramento do evento com o Círculo de Tambores.

Na quinta e na sexta-feiras aconteceram Mesas Redondas, restritas a fabricantes, importadores e lojistas. Foram discutidos aspectos comerciais referentes a produtos e estratégias. Para o próximo ano os organizadores esperam trazer também músicos e abrir o debate sobre mercado. Seria uma ótima oportunidade para que mais partes pudessem agregar com questionamentos, apontamentos, problematizando o mercado de forma mais ampla.
 
Mas o ponto alto do evento foi a homenagem à grande baterista e educadora Lilian Carmona. Lilian subiu ao palco para receber a homenagem muito emocionada, afirmando “ser difícil não chorar hoje!”. Logo após um breve discurso e o recebimento de um quadro em sua homenagem, Lilian se apresentou com os músicos Bruno alves (piano) e Rodrigo de Oliveira (contrabaixo), tocando temas próprios e releituras, como “Caravan”, mostrando como uma artista pode acumular uma vasta experiência e ao mesmo tempo tocar de forma moderna. Ao final, com a platéia pedindo bis, Bruno puxou no piano a famosa introdução de “you can leave your hat on”, de Joe Cocker. Lilian voltou à bateria, aceitando o desafio, e o trio executou a música em uma ótima pegada jazz funk.
 
Foto: Divulgação.
 
O segundo dia da Percussion Show começou apresentando como o universo da percussão pode ajudar muito no desenvolvimento do ser humano. Gerson Lima iniciou a apresentação tocando músicas do seu projeto instrumental “Alien Groove” e de artistas que acompanha. No final da apresentação chamou Paul Lafontaine ao palco, que apresentou seu projeto Alma de Batera, que ensina bateria a crianças com todos os tipos de deficiência, em que Gerson e outros vários bateristas deram aula, incluindo Cuca Teixeira e outros.

A emoção, aliás, foi o que tomou conta deste dia. A apresentação seguinte foi de Cláudio Infante, que respondendo diversos tipos de perguntas sobre gravações, artistas que acompanha e acompanhou, e suas visões sobre diversos assuntos do instrumento. Também tocou temas de seu álbum Multimídia, além de gravações que realizou de diversos estilos e até uma versão de “Blue Rondo à la Turk”, de Dave Brubeck, música que alterna compassos de 9/8 e 4/4.

Em seguida, com grande publico, entrou em cena Vera Figueiredo. Correspondendo à expectativa, Vera demonstrou muita simpatia em uma franca conversa com o público, respondendo sobre temas que vão desde sua sonoridade até a sempre recorrente pergunta sobre o preconceito contra mulheres musicistas no cenário nacional, da qual Vera não fugiu, respondendo que sempre teve foco em sua carreira, passando por cima do preconceito. Além de tocar faixas do seu famoso livro “Vera Cruz Island” (inclusice a homenagem à Dave Weckl – “Dave”) Vera também tocou com o excelente percussionista Júlio Cesar (professor de percussão do Instituto de Bateria Vera Figueiredo), demonstrando uma excelente interação entre a bateria e percussão. A apresentação terminou no melhor clima de carnaval, em que os dois demonstraram muita habilidade e suingue.
 
Foto: Divulgação.
 
No sábado, terceiro dia de evento, Edu Ribeiro fez uma apresentação impecável! Tocou samba, jazz, usou e abusou das vassourinhas na música “Café com Pão”, de João Donato. Acompanhado por Carlinhos Noronha (baixo) e Marcelo Jesuíno (guitarra), a apresentação foi sensacional, recheada de solos que exibiram sua técnica e musicalidade. Edu respondeu perguntas da platéia, sempre muito gentil e inteligente. Mas o ponto alto veio quando, ao falar de Carlos Bala, o próprio fez questão de correr até o palco e tomar o microfone para retribuir as palavras de Edu. Foi um momento marcante dentro de uma apresentação já tão marcante.

Depois de Edu, quem veio ao palco foi o baterista Ivan Busic, acompanhado de seu irmão, Andria. Eles, que anunciaram essa semana o fim da banda Dr. Sin, após 23 anos de carreira. Ivan foi hiper simpático, falou dos pratos que usa, fez algumas piadas e mostrou porque tem respeito no Rock’n’Roll: grooves pesados, bom uso do pedal duplo, compassos diferenciados mas muito musicais e um tremendo bom gosto. Ele tocou temas do Dr. Sin e contou curiosidades.

Depois foi a vez de Alexandre Cunha & Banda, com Eduardo Machado (baixo), Eduardo Gallian (guitarra), Ricardo Cren (teclado) e Jorge Cirilo (sax tenor e alto). Tocando canções dos seus discos, trouxe o que tem de melhor do seu brazilian fusion. Ótimas composições e arranjos, muito bem tocados. Além de ótimo músico, Cunha foi muito simpático e bem humorado com a platéia. Mostrou o domínio do instrumento e das difíceis composições tocadas pelo grupo. Vale destacar que seu trabalho vem ultrapassando as fronteiras do país desde 2010. Alexandre já tocou em festivais no Chile, China e Sérvia. Cunha voltaria ao palco no domingo com o Tambora3, com Guilherme Sanita e Zeca Vieira, realizando o show de estréia do projeto.

Carlos Bala foi o nome que assumiu o palco após o show de Cunha. Bala já causara frisson não só na apresentação do Edu Ribeiro, mas no próprio evento desde a hora em que chegou, onde foi abordado por muitos os músicos o tempo todo. No palco, Bala tocou com a banda do Alexandre Cunha em uma Jam Session que funcionou muito bem. Bala tocou baião, samba, funk e jazz. Em todas, sua personalidade musical ficou bastante evidente. Bateria bem timbrada, equilibrada, frases fortes, com muita presença, e seus grooves sensacionais recheados de ghost notes que o caracterizam. Bala respondeu algumas perguntas, sempre de forma bem humorada. Agradeceu algumas pessoas e fez questão de retribuir as palavras de Edu Ribeiro, falando dele e ressaltando algumas coisas que Edu gravou, mostrando que não só os mais velhos influenciam os mais novos. Carlos Bala é um desses músicos que inspiram não só pelo que gravou, mas pelo que é. Simples e genial, assim como é tocando. Sem dúvida uma grande presença para o evento.

O domingo começou com o grande e já conhecido Bateras 100% Brasil, no Parque em frente ao Museu Afro. Organizado por Dino Verdade, o evento juntou centenas de bateristas, tocando clássicos do rock, pop e jazz, comandos no palco por Xande Tamietti, Naná Aragão e André Jung. A presença inesperada de Aaron Spears, que está de passagem com suas clínicas no Brasil, levantou a galera.
 
Foto: Karol Oliveira.
 
Enquanto isso, no palco do auditório, as apresentações continuaram. Rick Batera abriu o dia, demonstrando os motivos pelos quais é considerado um dos construtores da bateria de samba, com suas levadas que fizeram parte de tantas gravações e criaram um som único dentro do universo do samba. Rick respondeu à algumas perguntas do público sobre sua forma de tocar e sonoridade, e lembrou 30 anos de carreira passando pelos principais grupos do samba paulista: Sensação, Art Popular, Os Travessos, Belo e Soweto, entre outros.

Em seguida se apresentaram Cuca Teixeira e Eduardo “Cubano” Espasande, mostrando toda musicalidade do seu projeto “Modern Latin Jazz”, acompanhados de Carlinhos Noronha (contrabaixo) e Yaniel Matos (piano). O aquecimento de Cuca Teixeira por si só já foi um solo tremendo, com aplausos do publico mesmo antes da apresentação começar. Uma maravilhosa apresentação do mundo latino da percussão e bateria. Muito bom!

Fechando a Percussion Show, e com grande expectativa, se apresentou Alexandre Aposan. Executando com destreza faixas do seu novo projeto Entre Novos Tambores e também do projeto 4action, demonstrou muita simpatia com o público, respondendo perguntas dos ávidos fãs.
 
Foto: Divulgação.
 
O evento se provou diferente ao formato das feiras atuais. Até por ser menor, é mais intimista e sugere mais espaço para eventos musicais. O Percussion Show deve ganhar força e se expandir para os próximos anos. Segundo Andre Jung, coordenador do Percussion Show, baterista e ex-integrante das bandas Ira! e Titãs: “Enquanto projeto piloto da Bienal da Música, que pretendemos realizar, o Percussion Show cumpriu seu papel com muito sucesso, mostrando a força da sinergia entre a cadeia produtiva da música e o poder público, para proporcionar cultura e gerar riqueza em torno dessa arte que tanto representa nossa nação mundo afora”.

Adriano Santos, gerente de marketing do Grupo Bex e um dos planejadores estratégicos do Percussino Show, comentou: “O mercado da música precisa dessas ações e muitas outras, em todas as suas variáveis, incluindo músicos, indústria, estúdios, área acadêmica, poder público e apaixonados. O Percussion Show vai crescer dentro da Bienal da Música. Não estamos falando de feira, mas de paixão, sentimento, desejo, e essa experiência é fundamental. Acredito muito em um divisor de águas positivo para o mercado e todos os players”.
 
Por Fernando Baggio, Nenê dos Santos e Thiago Sonho no Portal O Baterista.

O São Paulo São é apoiador oficial da iniciativa.
 
 


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