'Ruas de Lazer'; nos anos 70, brincadeira era na rua e aos domingos - São Paulo São

Assim como em Nova York, que sofreu resistência quando a Secretária de Transportes, Janette Sadik-Khan, começou a implementar medidas para que a população usufruísse melhor dos espaços públicos, São Paulo sofreu com a desconfiança, crítica e pessimismo de muitos paulistanos – que hoje, provavelmente, já aderiram a caminhadas e a toda a estrutura de lazer que toma a Av. Paulista aos domingos, convivendo em segurança com a família e amigos.

Avenida Paulista interditada ao tráfego de veículos aos domingos, se tornou um espaço voltado ao lazer de pedestres e ciclistas.Foto: Renato Lobo.Avenida Paulista interditada ao tráfego de veículos aos domingos, se tornou um espaço voltado ao lazer de pedestres e ciclistas.Foto: Renato Lobo.

Após mais de um ano de pressão e articulação da sociedade civil e dois testes bem-sucedidos de abertura da avenida Paulista para as pessoas aos domingos, a Prefeitura de São Paulo decidiu, em outubro de 2015, oficializar a iniciativa como um programa municipal de abertura de ruas todos os domingos.

Hoje em dia, mais de 100 mil pessoas, em média, frequentam a Avenida Paulista por dia nos domingos e feriados quando a via fica restrita ao trânsito de veículos motorizados para desfrute das pessoas. Gente de todos os cantos da cidade vem para aproveitar o espaço.

Na década de 1970, a carência de áreas de lazer na cidade motivou iniciativa parecida, a experiência das Ruas de Lazer promovida pela Secretaria de Esportes do Município.

Carrinho de rolimã na Rua de Lazer, década de 70. Foto: Acervo Estadão.Carrinho de rolimã na Rua de Lazer, década de 70. Foto: Acervo Estadão.

As vias e praças escolhidas eram fechadas com cavaletes aos domingos, e o asfalto onde circulavam carros passava a ser um espaço ocupado por crianças e adolescentes com “carrinhos de rolimã, skate, bicicleta e bolas” como descrevia a matéria do Estado de 29 de maio de 1976. A Secretaria de Esportes também colocava à disposição dos moradores jogos, travas para partidas de futebol e redes para prática de vôlei. Jogos de tabuleiro, pinturas com guache e colagens convidavam adultos e idosos a participar da diversão. A Prefeitura fornecia o material e a organização das atividades era deixada a cargo das associações de moradores.

O Estado de S.Paulo - 29/5/1976.O Estado de S.Paulo - 29/5/1976.Uma alternativa de baixo custo, que promovia o desenvolvimento físico e social das crianças através da prática de esportes e de brincadeiras e fomentava o senso comunitário, as Ruas de Lazer foram saudadas por sociólogos e pedagogos e bem recebidas pelas associações de moradores. Enquanto os centros educacionais e esportivos não saiam do papel as Rua de Lazer se tornaram a opção de divertimento de muitos paulistanos.
Projeto Ruas de Lazer teve início em 1976.  Foto: Marcos / Estadão.Projeto Ruas de Lazer teve início em 1976.  Foto: Marcos / Estadão.O projeto começou em fevereiro de 1976 no Bosque da Saúde, a segunda surgiu na Casa Verde. No meio do ano seguinte, em maio de 1977, a cidade já contava com cerca de 80 Ruas de Lazer espalhadas por todas as regiões da cidade. Nos anos de 1980 a iniciativa perdeu fôlego.

Pula corda em Rua de Lazer na década de 70.  Foto: Acervo Estadão.Pula corda em Rua de Lazer na década de 70.  Foto: Acervo Estadão.A participação das associações de moradores caiu e o “dia de lazer se transformou em obrigação de divertimento, e a irritação dos moradores, que precisavam acordar cedo para retirar seus carros da rua, superou a expectativa de diversão”, como revelou o Estado. Em meados de 1981 apenas nove Ruas de Lazer haviam sobrevivido.

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Da Redação com informações Estadão Conteúdo.