Novo modelo de ocupação do espaço público tem foco em pequenos produtores e empreendedoras criativas

Foto: Divulgação.

Esse foi o clima de mais uma FIC – Feira de Intercâmbio e Criatividade, evento que acontece há quatro anos em São Paulo, sempre ocupando espaços públicos ao ar livre. A edição do sábado (7 de março), véspera do Dia Internacional da Mulher, aconteceu mais uma vez na agradável Praça Alexandre de Gusmão, localizada na região da avenida Paulista, próxima ao Parque Trianon.

“Nem parece São Paulo”, era a frase que mais se ouvia entre os participantes. “Que delícia ocupar um espaço público tão lindo, com essa oferta de produtos à venda diretamente de quem produz”, disse Tatiana Badra, visitante da feira. Foto: Divulgação.

Débora Freitas, entre uma mordida e outra em seu sanduíche, avaliou como “extremamente válida” a proposta da FIC. “Além dos produtos quase todos feitos artesanalmente, a ideia de ocupar uma praça tão linda como essa, e quase desconhecida por muita gente, é incrível”.

Para homenagear a mulher, a FIC desse sábado teve sua atenção voltada para o empreendedorismo feminino. Na pauta, algumas discussões sobre o universo feminino, yoga show do DeRose ArtCompany, conversas ao vivo com especialistas do capítulo brasileiro da ONG californiana SideWalk Talk – Conversas na Calçada. Foi promovido um bate papo também com Marli Gonçalves, sobre o “Feminismo no Cotidiano”, nome de seu livro lançado no ano passado.

No evento, um espaço para conexões pessoais com os especialistas dos Sidewalk Talk - Conversas na Calçada. Foto: Divulgação.

Marli Gonçalves (esquerda) jornalista e escritora em debate sobre o seu livro “Feminismo no Cotidiano”. Foto: Divulgação.

O dia foi das cantoras Nicole Salmi, Didi Gomes e Bebé Salvego, cada uma com se estilo. Nicole, no lirismo pop, Didi com sua pegada de sambista e Bebé mandando bem no jazz e interpretando standards inspirada nas grandes divas, para fechar a programação, já à noite. Durante todo o dia, a trilha sonora com MPB, bossa nova e outros ritmos ficou a cargo da DJ Luiza K. 

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A revelação Bebé Salvego, de apenas 16 anos, interpretando o jazz das grandes divas. Foto: Divulgação.

Praça cheia é certeza de segurança para o paulistano

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Mas por que um evento desse, onde a alegria corre solta numa praça pública, não tem jeito de São Paulo? “Precisamos fazer mais intervenções como essas, para que mais pessoas tenham acesso e vejam um evento desse tipo como extremamente necessário, benéfico para todos”, disse o vereador José Police Neto, um dos parceiros da FIC. 

O vereador Police Neto, Mari Pini (IDP) e Mauricio Machado (São Paulo São) da organização da FIC. Foto: Divulgação.

“Tem gente que chega no meu gabinete e diz que não quer praça perto de casa, porque o espaço traz insegurança”, contou. “Mas o que temos de fazer é encher a praça de gente, proporcionar transporte para que as pessoas cheguem até ela, garantir segurança para quem transita pelo espaço público”. 

Uma praça cheia, com música e alegria até a noite é certeza de segurança para todos. Essa é uma das propostas da FIC, segundo sua idealizadora, Mari Pini, coordenadora do IDP – Instituto Design Público.

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“Queremos valorizar os espaços livres e democráticos da cidade, seu patrimônio, e as praças, tantas vezes esquecidos”, disse Mari. A tônica da FIC, explicou, é que seja um evento aberto a pessoas de todos os cantos de São Paulo, de todas as idades, que possam usufruir da cidade com segurança, com suas crianças, idosos, animais de estimação, sozinhas, como quiserem. 

A plataforma São Paulo São, que procura traduzir o “zeitgeist” da cidade (o espírito do tempo) e atrair parcerias no evento, participa da iniciativa no propósito de fazer a diferença para quem mora na metrópole, produzindo conteúdo e estimulando este novo modelo de experiência. Segundo Mauricio Machado, seu sócio diretor, “este tipo de encontro é muito parecido com exemplos que conhecemos no mundo e que acontecem em Nova York, Paris, Londres e Berlim com frequência, onde as pessoas se sentem confortáveis para a boa convivência na cidade ao mesmo tempo em desfrutam de atrações de qualidade. Faz todo sentido fazermos parte deste modelo de encontro que proporciona ao morador, e também ao visitante da cidade, essa experiência múltipla, que tem tudo a ver com a nossa marca e com os conteúdos que veiculamos em nosso Portal.” 

Mulheres empreendedoras comandaram a maioria dos negócios

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No sábado, a FIC, que visa estimular o empreendedorismo sustentável, contou com 80% de mulheres expondo o fruto do seu trabalho. “Nossa curadoria é voltada para produtores locais, que tenham uma pegada sustentável em todos os sentidos, que olhem para questões ambientais e sociais”, explicou Mari.

O que se viu foi muito bom gosto, em todos os quesitos: gastronomia, moda, arte, design, cosmética, botânica, acessórios. Nesse evento, em homenagem às mulheres, elas foram maioria nos estandes.

Ana Carolina Botelho Pires marcou presença com suas roupas feitas a partir de resíduos têxteis, moda totalmente sustentável, pela marca Ludí. Ela dividiu o espaço na feira com a grife Iyá Iyá, de Roberta Furtado, sua parceira no projeto. Roberta trabalha com impressão botânica em tecidos e papéis especiais. Também tem uma linha de bijuterias.

O trabalho contundente dos cartunistas Glauco, Laerte e Angeli estava na tenda coordenada por Juliana Veniss, enteada de Glauco, e pela viúva do artista, Beatriz Veniss. Camisetas, canecas e outros acessórios com personagens criados pelos três amigos estampam a coleção. O trabalho leva o selo Glauco Cartoon. “Não queremos que a produção e a história do Glauco, morto em 2010, se perca, por isso criamos essa grife”, contou Juliana.

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A marca Tereza compareceu com um trabalho feito por detentas, sob a responsabilidade do Instituto Humanitas 360, que oferece um programa de desenvolvimento de empreendedorismo no cárcere. Almofadas, bolsas, sacolas, carteiras, em tecido, bordado ou crochê podiam ser adquiridos na FIC. A renda foi totalmente revertida às produtoras.

Nayara Prado da Silva estava em uma tenda para divulgar as cerâmicas feitas por jovens de Arthur Alvim, bairro da zona leste. O projeto Ser Âmica oferece oportunidades para crianças e adolescentes das comunidades da região.

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Nayara foi beneficiada e reconhece a importância dessa iniciativa para empoderar mulheres, especialmente, tornando-as independentes financeiramente. Agora é monitora nas aulas de cerâmica. 

Para crianças, chamou atenção as fantasias feitas por Rosane Nantes, da marca Biruta. Com muito carinho ela confecciona essas roupas desde que foi demitida do emprego, poucos meses depois de voltar da licença-maternidade. “Infelizmente essa é a realidade de muitas mulheres. Tive de me reinventar quando me vi desempregada e com um filho para criar”.

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Também se reinventando, mas de outra forma, estava Patricia Villas, com seus alforjes para bicicletas feitos a partir de lona de caminhão. Jornalista e aposentada, Patrícia criou a marca Gaia. No estande da FIC ela foi representada pela filha Mariana, pois no momento Patrícia está em viagem ciclística pelo Chile.

As bolsas são totalmente voltadas para as necessidades de quem pedala e ela só trabalha reciclando material.

Gastronomia de alta qualidade esteve bem representada 

Na área gastronômica, muitas mulheres à frente de deliciosos negócios. Ana Paula Cavagnoli comandava o Box 54, feito sob medida “para quem tem fome de comer”, como ela mesma disse. 

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“Aqui faço comida para todo mundo, vegano, carnívoro, celíaco, vegetariano. Acho bárbara a proposta da feira que é a de aproximar a comida de quem faz”, afirmou Ana. O nome da tenda é uma homenagem a seus avós paternos, que tinham um box com esse número no mercado da Lapa. Deles, ela herdou o amor pela gastronomia, que a fez mudar de profissão há alguns anos para se dedicar totalmente à cozinha. 

Já o que levou Silvia Helena de Almeida Bento à feira foi o amor às cabras. Dona de um capril em Piracaia, interior do estado, Silvia produz queijos a partir do leite de cabra desde 2014. Vendeu um apartamento nos Jardins para comprar um sítio. Ama o que faz e não pensa em mudar de vida. Expôs queijos com sabores diferenciados, com castanha do Pará, damasco, pistache, entre outros sabores.

A executiva de marketing Naiara Correa, frequentadora da FIC. Foto: Divulgação.

Frequentadora do evento, Naiara Correa disse que aprova esse tipo de iniciativa por ser gratuita e aberta a qualquer pessoa. “É maravilhoso que São Paulo tenha muitos eventos como esse. Eles são necessários porque incluem todo mundo, gente de todo lugar, idade, vizinhança, cachorros”, pontuou. E ressaltou a beleza da praça, desconhecida por tantos paulistanos que, apressados, circulam por ali.

A franco-brasileira Isabelle Dossa no FIC Mulher. Foto: Divulgação.

Acostumada com eventos desse porte na França, Isabelle Dossa, nascida no país europeu, aplaudiu mais essa edição da FIC. “Isso é liberdade, e faz muita falta numa cidade como São Paulo”, disse. Para ela, a ocupação de uma praça dessa maneira faz as pessoas interagirem, olharem nos olhos umas das outras, coisas que não temos oportunidade de fazer quase no dia a dia de uma grande metrópole. “ Isso para mim é a principal parte desse evento, o que ele proporciona de encontros, de interação. Isso faz muito falta, estamos todos precisando dessas oportunidades”. 

A FIC, segundo Mari Pini e Mauricio Machado, é um novo modelo de ocupação dos espaços públicos. Além do vereador Police Neto, a feira contou nesta edição com o apoio e parceria do Hotel Tivoli Mofarrej, da Rede Mulher Empreendedora, da Secretaria Municipal de Turismo de São Paulo, do Bourbon Street e do Visite São Paulo. A Tegra Incorporadora ofereceu o evento para a cidade.

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Por Maria Lígia Pagenotto especial para o São Paulo São.

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A edição da ‘FIC – Mulher’ foi um oferecimento:

https://www.tegraincorporadora.com.br/sp/

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