O azeite nosso de cada dia

O Largo da Oliveira em Guimarães, deve o seu nome a uma secular oliveira plantada no local. Foto: Shutterstock.

Bom, deixando minha overdose de lado, o azeite por aqui é realmente um bem importante. E não só pelas divisas que traz para o país e pelo dinheiro que movimenta internamente. O azeite tem história. Há oliveiras milenares em Portugal que ainda produzem azeitonas (há uma secular linda, numa praça em Guimarães, no norte de Portugal, que não à toa se chama Largo da Oliveira). Dizem que as árvores vieram e se espalharam pelas mãos dos árabes e romanos (a palavra tem como origem o vocábulo árabe “az-zait”, que é algo como sumo de azeitona). E daqui ganharam o mundo graças, principalmente, às embarcações portuguesas e espanholas. O Brasil, aliás, é o maior mercado para as marcas portuguesas. Quase um terço das exportações de Portugal vai para o Brasil. Ou seja, não há um mercadinho brasileiro que não tenha uma marca portuguesa de azeite nas gôndolas. Posso dizer que minha mudança para cá exigiu – e ainda exige – uma série de adaptações e ajustes. Mas nenhuma delas está relacionada com o azeite. Neste quesito, sinto-me em casa, consumindo as marcas praticamente “brasileiras”.

Herdade do Esporão, localizada no distrito de Évora, em Portugal. Foto: Divulgação.

Mas mesmo sendo um dos maiores exportadores do mundo, o mercado interno português não deixa de ser abastecido. O país é autossuficiente desde 2014, ainda que o consumidor também ache marcas italianas e espanholas, por exemplo, como alternativas. A safra de 2020/2021 em Portugal deve produzir 100 mil toneladas, 40 mil a menos do que na temporada anterior, que havia sido o recorde dos últimos 80 anos. Os especialistas dizem que é assim mesmo: quando uma safra é excepcional, a seguinte tende a ser um pouco menor. Fico mais tranquilo. De qualquer forma, a produção total da Europa deve crescer 7%, atingindo pouco mais de dois milhões de toneladas de azeite. Por aqui, o maior volume vem da região do Alentejo, que responde por 75% de toda a produção nacional.

Quando se quebra o mercado por tipo de azeite, ou seja, virgem, extra virgem etc, Portugal assume a liderança mundial proporcional na produção do “topo de linha”. Os virgens e extra virgens representam cerca de 95% da produção portuguesa. Em outros importantes países produtores, essa fatia fica nos 70%. Tenho ou não bons motivos para consumir o azeite local?  Aliás, eu e o resto do mundo andamos empolgados com o azeite. A previsão é que o consumo de azeite aumente 7% globalmente em 2020/2021. O que me faz ficar novamente preocupado. Mais consumo e menos produção… Ok, nenhuma indicação de falta de azeite no mercado. Posso ficar tranquilo, eu acho.

Os virgens e extra virgens representam cerca de 95% da produção portuguesa. Foto: Verde Louro.

Sim, sim! Na verdade, nem a pandemia fez com que esse mercado deixasse de rodar perfeitamente. De acordo com os dados do governo, o país vai alcançar nesta temporada a marca histórica de 600 milhões de euros na exportação de azeite e não vai deixar de atender o mercado interno com bastante folga, uma vez que o país produz 160% do volume que precisa. Ou seja, vai ter pra mim e para os brasileiros do lado de lá do Atlântico.

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***Marcos Freire mora com a família em Ovar, Portugal, pequena cidade perto do Porto, conhecida pelo Pão de Ló e pelo Carnaval. Marcos é jornalista, com passagens pelas principais empresas e veículos de comunicação do nosso país. Escreve quinzenalmente no São Paulo São.

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