Para diminuir descarte, marcas investem em ecodesign

Embalagem à base de fécula de mandioca, da Oka Embalagens. Imagem: Reprodução.

O esforço de grandes empresas em adaptar seus produtos e embalagens, de forma a diminuir o uso e descarte de plástico, se enquadra no conceito de “ecodesign” – ou design sustentável. No início de julho, a Coca-Cola divulgou um programa de inovação aberta, o Beyond Packaging, com o objetivo de encontrar soluções de sustentabilidade e diminuição de resíduos junto a pesquisadores, estudantes e startups. Em outra iniciativa, a empresa desenvolveu uma “garrafa retornável universal”, lançada no ano passado, em um formato único que funciona para várias de suas bebidas e portanto é mais fácil de ser separada e reciclada. Até 2030, a empresa quer  que 100% de suas embalagens sejam recicladas globalmente.]

“Acertamos a melhor formulação e design que funcionam bem para este tipo de material. Sempre existirão novos desafios, como a impermeabilização adequada, novas opções comestíveis e biodegradáveis. O transporte também deve ser pensado, motivo pelo qual desenhamos um modelo de licenciamento local, ou seja, com unidades produtivas em todas as regiões do Brasil, já que a mandioca é uma matéria prima tropical, pouco exigente, de baixo custo e alta eficiência”, conta a fundadora e ecodesigner Érika Cezarini Cardoso. Outras empresas, como a  Ecovative, têm testado embalagens a partir de cogumelos e outros materiais orgânicos.

 A embalagem de cogumelos da Ecovative pode proteger itens delicados. Foto: Design Ecovative.

Este tipo de inovação engloba o conceito de “design sistêmico”, conforme explica Barão Di Sarno. “Nesta lógica, o produto é apenas um dos objetos dentro de um grande sistema integrado, que também inclui a embalagem”, explica. Entre os produtos que a Questtonó ajudou a conceber foi o Natura Sou, linha de sabonetes e shampoos da Natura que utiliza pelo menos 70% menos plástico em relação a embalagens tradicionais.

Estratégia circular

Para a Coca-Cola, a aposta para reduzir o descarte de plástico não está somente no design, mas na “logística reversa” e no resgate de embalagens retornáveis. “A partir dos anos 80 e 90, itens descartáveis se tornaram mais convenientes e começaram a pautar toda a nossa vida moderna. O desafio agora é estimular o consumidor a mudar seu hábito novamente”, explica Thais Vojvodic, gerente de sustentabilidade da marca no Brasil, falando sobre o resgate da cultura dos retornáveis.

Embalagem retornável da Coca-Cola. Foto: Reprodução.

Já a TetraPak, uma das maiores fornecedoras de embalagens para a indústria, lançou recentemente uma iniciativa para escalar canudos de papel recicláveis. “Há testes de campo em andamento para um modelo de canudo de papel reto, que a empresa espera começar a fornecer ainda este ano para clientes”, conta Valéria Michel, diretora de Economia Circular da TetraPak para as Américas.

Barão Di Sarno também aponta para a tendência da desmaterialização dos produtos. Um dos exemplos disso é o consumo à granel, onde consumidores levam seus próprios recipientes aos pontos de venda para comprar alimentos e produtos de limpeza. “Chamo de ‘tecnotopia’ a ideia de que só a tecnologia vai resolver questões de sustentabilidade, embora ela possa ajudar. Indústrias precisam fomentar novos comportamentos e maneiras de consumir”, diz.

***
Por Karina Balan Julio no Meio & Mensagem.

 

Tags

Compartilhe:

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on linkedin
Share on email
No data was found

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Categorias

Cadastre-se e receba nossa newsletter com notícias sobre o mundo das cidades e as cidades do mundo.

O São Paulo São é uma plataforma multimídia dedicada a promover a conexão dos moradores de São Paulo com a cidade, e estimular o envolvimento e a ação dos cidadãos com as questões urbanas que impactam o dia a dia de todos.