Parques de ciclismo que unem esporte e natureza se espalham por SP

Comuns no Canadá, nos Estados Unidos e na Europa, os bike parks (parques para atividades com bicicletas) vêm ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Enquanto no exterior eles movimentam as estações de esqui nos períodos sem neve, por aqui eles acompanham o interesse crescente pelo ciclismo. 

“Os bike parks surgem no momento em que o brasileiro está descobrindo a bicicleta”, afirma Gilson Alvaristo, diretor da Federação Paulista de Ciclismo. 

O mais novo deles, privado, foi aberto ano passado em agosto, em Campos do Jordão. Os outros, públicos, estão em Campinas, Franco da Rocha e Cotia, todos no Estado de São Paulo. 
 
Destinados exclusivamente à prática de mountain bike, eles atraem cada vez mais gente, entre amadores e profissionais em competição. 

“Bike park é essencial para qualquer país. Infelizmente, no Brasil, a gente não tem muitos. Mas quando vou lá para fora, tenho muito contato com bike parks”, diz Raiza Goulão, 24, praticante de mountain bike que lidera o ranking olímpico brasileiro. 
 
No Zoom Bike Park, em Campos do Jordão, são 21 km em 17 trilhas divididas por nível de dificuldade: fácil, intermediário, difícil e radical. Por dia, o espaço recebe cerca de 30 praticantes de mountain bike. 
 
O ingresso unitário custa R$ 60 (na internet), mas os pacotes, para mais dias de uso, têm preços mais atrativos. A trilha tem trechos em madeira para impulsionar a velocidade. 
 
“É como se fosse uma montanha-russa”, diz o proprietário Márcio Prado. Ele investiu cerca de R$ 180 mil na infraestrutura do local, que também oferece passeios de aventura, uma pousada e um restaurante.
 

Para Daniel Aliperti, 48, praticante de ciclismo há 30 anos, os bike parks ganham espaço devido à falta de segurança na cidade –onde, ele conta, muitos colegas tiveram a bicicleta roubada.

“Ter um lugar seguro e especialmente projetado para a gente se divertir, sem se perder no meio do mato e sem depender de ninguém, é muito bom”, afirma.

No último fim de semana, ele usou e aprovou a pista do parque de Campos do Jordão. “A gente tem uma sensação diferente, que na natureza é difícil de encontrar.”

Em Campinas, a trilha de mountain bike no Parque Monsenhor José Salim foi inaugurada em junho. São 10 km, com percursos para iniciantes e avançados. Um diferencial são os jardins, com projeto urbanístico do arquiteto Roberto Burle Marx.

“É muito legal [andar na trilha]. Ter um espaço desse na cidade é muito prazeroso”, afirma o engenheiro de alimentos Pablo Mera, 46. Ele diz que pretende voltar mais vezes com a mulher e o filho.

Ciclistas faz trilha em bicicleta em Parque de Campos do Jordão. Foto: Fabio Braga / Folhapress.

Pioneiros

O mais antigo bike park do Estado é Cemucam, em Cotia. A trilha, de 7,6 km, foi demarcada em 1995 e passou por adaptações no ano passado. 

“É um parque surpreendente. A trilha é muito boa e o lugar é muito gostoso. Como tem bastante árvore, é ideal para treinar e se divertir no verão”, conta Aliperti. Já a trilha de 14 km no Parque Estadual do Juquery, em Franco da Rocha, foi inaugurada no final de 2014. É o único parque estadual que oferece a atração. 

O caminho é autoguiado e aproveita aceiros (áreas abertas na vegetação) do parque, que tem 2.000 hectares e é considerado o último remanescente de cerrado na região. 

O Zoom Bike Park e o Parque Estadual do Juquery funcionam das 8h às 17h, exceto às segundas. O Cemucam e o parque de Campinas abrem todos os dias – o primeiro, das 7h às 18h, e o segundo, das 8h às 19h.

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Venceslau Borlina Filho de Campinas para a Folha de S.Paulo
 
 

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