Patinetes: como tratar esse novos habitantes da cidade?

Há relatos de atropelamentos, quase atropelamentos e muita chateação na convivência entre esse novo ser elétrico e os bípedes.

Em outras cidades do mundo, o conflito tem sido resolvido de maneiras distintas. Em algumas delas, como Paris na França, os patinetes foram proibidos nas calçadas. Em outras, regulamentados, como em São Paulo onde a sugestão de que eles não ultrapassem 6 km por hora quando estiverem nas calçadas.

Diante da inevitabilidade da mudança, vale a pena a gente mergulhar um pouco mais nessa conversa.

Em primeiro lugar, a novidade parece ter agradado uma certa camada da população de São Paulo, moradores da região oeste, capaz de pagar um valor de R$1 para cada quinze minutos para se deslocar.

Pesquisa apresentada por executivos da empresa Grow (fruto da fusão de duas concorrentes a Grin e a Yellow) em evento realizado no Memorial da América Latina, no último dia 3, onde se destacou o papel do patinete como.parte da micromobilidade, mostrou que o uso para ir ao trabalho é maior do que os que usam como diversão.

Patinetes expostos e à disposição de usuários no estacionamento do Memorial da América Latina no dia do evento. Foto: Mauro Calliari.

Como meio de mobilidade, o patinete é um ser estranho, que se move através de motor elétrico, chega a perigosos 20 km por hora e tem rodinhas tão pequenas que tornam cada buraco ou desnível um perigo. Mas é uma alternativa ao trânsito e hoje já divide as ciclovias com as bicicletas e as calçadas com os pedestres.

Especialistas defendem que é necessário investir em ciclovias. Parece quase óbvio. Também precisamos de mais áreas de calçadas, o que, diante da calçada da rua Augusta ,vou com a da Santo Amaro, o que parece mais óbvio ainda. O problema é que hoje falta espaço para esse novo habitante que foge das ruas mas que aparece como ameaça nas calçadas.

Pesquisa da empresa Grow mostrou que o uso para ir ao trabalho é maior do que os que usam como diversão. Foto: Mauro Calliari.

É nas calçadas que o patinete se torna um motivo de conflito. Assim, ao mesmo tempo em que vale a pena aceitá-lo como solução inevitável de mobilidade, não é possível ignorar o fato de que tem gente que dirige como se estivesse em uma pista de corrida.

A questão é sempre a mesma – educação. Afinal, um patinete não anda sozinho, ainda. Ele depende de motoristas. E eles andam mal-educados mesmo. É a educação que faz a gente não precisar de leis para cada coisa. “Não pode tirar fina de pessoas, principalmente se ela estiver com uma criança no colo”. “Não pode avançar seu patinete na 20km/hora na canela de alguém”.

Francamente, se ligue, desça do seu patinete quando tiver muita gente na sua frente. Olhe no olho de quem vem vindo. Assegure a pessoa de quem você a viu. Não se trata de mobilidade. Trata-se de educação!

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Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e consultor organizacional. Artigo publicado originalmente no seu blog Caminhadas Urbanas.

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