Prostituição e confinamento em São Paulo: um percurso pela antiga zona do meretrício do Bom Retiro

Toda esta história aconteceu no Estado Novo, período em que o estado de São Paulo foi governado pelo interventor Dr. Adhemar de Barros. Justificava-se à época que a prostituição havia se espalhado pela área central da cidade perturbando a vida das famílias e do comércio fino. Era necessário “limpar” o centro. A ideia foi escolher um lugar numa outra região da cidade nem tão longe e nem tão próxima da convivência com as famílias e o comércio. Nos anos 40, acreditava-se que os homens tinha necessidades sexuais diversas das femininas e deveriam ser toleradas. Aliás é do sentido de tolerância que o Estado conferiu aos antigos bordéis o termo “casas de tolerância.”

Foto: Paula Janovitch. O confinamento das prostitutas num lugar determinado da cidade, também significou que pela primeira vez o Estado regulamentou um espaço de controle, vigilância sanitária e policial sobre a vida e o corpo destas mulheres.

Há muitas discussões sobre os motivos que levaram o Dr. Adhemar de Barros em escolher o Bom Retiro como local mais apropriado para instalar a zona de confinamento de prostitutas da cidade. Alguns interpretam que a eleição do bairro foi uma maneira de controlar melhor os estrangeiros ali presentes colocando um elemento desarticulador entre os “alienígenas”.

Imagem: Acervo / O Estado de S.Paulo.

De fato, a presença da “zona” na região do Bom Retiro durante os treze anos que permaneceu paralela a vida comercial da José Paulino, revelou-se em  inúmeros registros de época: nas memórias dos moradores e comerciantes, na ficção literária dos escritores boêmios, na crônica diária dos jornais e nos relatórios das  assistentes sociais. Cada um traçou das formas mais diversas a vida das duas animadas ruas do bairro, a Aimorés e a Itaboca, era este o nome da antiga rua Cesare Lombroso. 

No próximo fim de semana, dias 17 e 18 de agosto, acontece a Jornada do Patrimônio Histórico aqui em São Paulo. Um banho de história pelas ruas da cidade.  Faço um convite a todos que quiserem saber mais sobre os treze anos em que o Bom Retiro integrou na sua vida comercial uma área de confinamento de prostitutas, a participarem do percurso que estarei  guiando por estas acanhadas ruas do bairro. Para isso, basta inscrever-se via email no percurso “A zona do meretrício do Bom Retiro: prostituição e confinamento (1940-1953)”.

Adhemar de Barros, interventor do Estado de São Paulo, escolheu o bairro como destino da prostituição que se espalhava pela região central. Foto: Estadão.

O passeio é gratuito e vai ocorrer no sábado, dia 17 agosto pela manhã (11h)  e no início da tarde (14h30).

Email para inscrição: paulajano@gmail.com ou pelo site da Escola da Cidade: http://www.escoladacidade.org/

Data do passeio: 17 de agosto de 2019 ( sábado).
Local de encontro: Entrada do SESC Bom Retiro ( Al. Nothmann,185).
Horário de início: 11h e 14h30.
Limite de participantes por percurso: 25.

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Paula Janovitch é mestre em antropologia e doutora em história. Participa do coletivo PISA: pesquisa + cidade e do Escutando a cidade. É autora  do capítulo/roteiro “O mistério das passagens: galerias comerciais da área central de São Paulo” do livro “Dez percursos históricos a pé por São Paulo” ( Narrativa Um) e escreve no blog Versão Paulo sobre cultura urbana. Paula passa a escrever quinzenalmente no São Paulo São. 

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