Requalificar sem gentrificar, o exemplo de Seul, na Coreia do Sul

Cortesia de Kyoung Roh, via Metropolis Magazine.

Felizmente esta tendência pôde ser revertida a tempo de resgatar o famoso edifício do ostracismo e abandono. Um amplo projeto de renovação, liderado pelo então prefeito de Seul, Park Won-soon, foi levado à cabo em 2015, trazendo Sewoon Sangga de volta à vida e transformando-o em um dos exemplos mais bem sucedidos deste tipo de projeto, favorecendo a mobilidade urbana, incluindo a comunidade local e estimulando as atividades criativas. Atualmente, Sewoon abriga uma porção considerável da indústria leve de Seul – uma raridade nos dias de hoje, onde a produção industrial é empurrada à força para fora da cidade, tendo que instalar-se em periferias afastadas e sem infra-estrutura. 

Cortesia de Kyoung Roh, via Metropolis Magazine. Reconhecendo o valor histórico do edifício para a cidade de Seul, o prefeito Park assinou o Acordo de Cooperação Anti-Gentrificação em 2016, incluindo a grande maioria dos negócios em atividade em Sewoon Sangga, para desenvolver um projeto em parceria com a comunidade local para proteger os inquilinos contra o aumento dos aluguéis.

Cortesia de Kyoung Roh, via Metropolis Magazine.

Além dos esforços para evitar a gentrificação, as apostas políticas neste projeto foram bastante altas, buscando atrair novos inquilinos. Muitas atividades criativas e inovadoras encontraram em Sewoon Sangga o lugar ideal para florescer, empresas de Realidade Virtual, robótica e fabricação em CNC já estão compartilhando este espaço com seus antigos inquilinos. A promoção destes espaços para a indústria criativa faz parte da primeira fase do projeto de reuso adaptativo do edifício, a qual foi concluída no ano passado. Desenvolvido pelos arquitetos da E_Scape, com sede em Seul, o projeto ocupa três blocos centrais de Sewoon, conectando a histórica estrutura ao bairros vizinhos à norte e à sul através de uma praça pública, oferecendo espaços ao ar livre além de incluir uma passarela que conecta dois dos edifícios.

Cortesia de Kyoung Roh, via Metropolis Magazine.

A segunda e última fase, conduzida pela empresa italiana Modostudio, está prevista para ser concluída em 2020, a qual atualizará as instalações existentes (incluindo o famoso centro de impressão de Sewoon), integrando toda a extensão do centro comercial através de um novo percurso aberto – resgatando, como acreditam os arquitetos, “o senso de comunidade” que foi se perdendo ao longo do tempo.

Foto: Seoul Solution / Divulgação.

***
Por YoungKyu Shim no Arch Daily. Tradução: Vinicius Libardoni. *Este artigo foi originalmente publicado pela Metropolis Magazine como “A Once-Maligned Concrete Megastructure in Seoul is Revitalized – Sans Gentrification“.

 

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