Tecnologia como forma de inclusão social

Nascido com catarata e glaucoma, Gustavo foi submetido a nove cirurgias ainda com poucos meses de vida, que não tiveram o resultado esperado. Mesmo não enxergando com o olho esquerdo e vendo vultos com o olho direito, o futuro jornalista consegue manter contato com amigos e familiares, além de manter presença nas redes sociais, graças ao auxílio da tecnologia, que permite que ele se inclua no meio social virtual.

Com a ajuda do VoiceOver, assistente virtual da Apple que conta com um leitor de tela, Gustavo consegue, com apenas alguns toques, ouvir tudo o que está na tela do seu celular, como postagens nas redes sociais, notícias veiculadas em sites e blogs, ou e-mails e mensagens enviadas via WhatsApp. Contudo, como a tecnologia de descrição automática de imagens ainda não está disponível ao usuário final, este acaba sendo um dos maiores obstáculos.

No Twitter, este problema foi amenizado quando, no final de março de 2016, a empresa americana adicionou a possibilidade de os usuários inserirem descrições às imagens postadas na rede social. Na época do lançamento, a empresa afirmou que, “com essa atualização, queremos garantir que todo o conteúdo compartilhado na plataforma alcance o maior público possível para que todos possam ser incluídos na conversa e aproveitar os maiores momentos juntos”.

Para Gustavo, isso foi um divisor de águas. Segundo ele, a possibilidade de inserção de legendas às imagens foi fundamental e permitiu que ele passasse a poder acompanhar memes e capturas de tela postadas na rede pelas pessoas seguidas por ele. “Muitos tweets são imagens ou fazem referência a algo visual e é muito incômodo quando não possui nenhuma descrição. Eu fico literalmente no escuro e com vontade de saber o que é”, completa o jovem.

Para o futuro jornalista, a tecnologia tem uma importância singular na inclusão social. “Por causa da internet é que eu consigo ter acesso a visões de mundo diferentes, a jornais, livros, entretenimento, informação. Foi por meio dela que eu adquiri a maioria do conhecimento que eu tenho hoje. Sem contar na existência de aplicativos feitos justamente para auxiliar quem tem alguma deficiência.”

A afirmação de Gustavo é confirmada pelo psicólogo Mauro Lopes de Almeida. Segundo o especialista, a comunicação é a base da inclusão social e permite que portas sejam abertas. “A tecnologia é o grande facilitador da comunicação: o telefone criou a linha direta, passamos por diversos avanços tecnológicos e, hoje, não vivemos sem as redes sociais e outros aplicativos e ferramentas digitais: procuramos o Google para tirar dúvidas, o Twitter para dar e ouvir opiniões, o Facebook nos avisa até quem faz aniversário e não ficamos mais sem WhatsApp”, diz.

“Por causa da internet é que eu consigo ter acesso a visões de mundo diferentes” / Foto: Arquivo Pessoal / Gustavo Torniero.

Almeida destaca que a melhor forma de comunicação é pessoalmente, mas reconhece que isso é cada vez mais difícil pelo estilo de vida da sociedade atual. Mesmo assim, o especialista vê um lado positivo na diminuição da comunicação pessoal, uma vez que, “antigamente, as pessoas interagiam apenas em pequenos grupos, sempre com as mesmas amizades, e, hoje esse universo se expandiu graças à tecnologia”.

O psicólogo acredita que, “além da inclusão no mercado de trabalho a partir da contratação de pessoas com deficiência, as empresas de tecnologia realizam a grande e fundamental tarefa de facilitar a comunicação”. Para o psicólogo, há três pontos fundamentais no processo de inclusão: a democratização do acesso à informação em diversas linguagens, possibilitar a interação entre as pessoas e, o mais importante, levantar causas promovendo o aprendizado e o debate. Mesmo ainda tendo muito a ser feito, para o especialista, “as empresas estão se esmerando em criar ferramentas para diminuir as distâncias e facilitar a inclusão de todos”.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde em 2015, 6,2% da população brasileira têm algum tipo de deficiência, sendo a deficiência visual aquela que afeta o maior percentual de pessoas (3,6% dos brasileiros). De acordo com a pesquisa, 16% dos deficientes com grau intenso e muito intenso de limitação visual são impossibilitados de realizarem atividades habituais como ir à escola, trabalhar e brincar.

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Por Ricardo Fraga no MeioBit.

* Conteúdo desenvolvido originalmente como parte da disciplina de Fundamentos e Evolução do Jornalismo, do curso de Jornalismo, do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora.

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