Túnel construído na gestão Jânio Quadros engoliu a primeira ciclovia da cidade

Em 1975, por determinação do prefeito Olavo Setúbal, a “pista para bicicletas” foi projetada para fazer parte da nova Avenida dos Sapateiros, que nem chegou a existir, pois foi chamada de Juscelino Kubitschek para homenagear o ex-presidente morto em 1976, também ano de inauguração da avenida. Em 1988, durante a gestão de Jânio Quadros, a avenida foi fechada para início das obras do túnel. Por falta de verba, a obra foi parada na gestão seguinte, a de Luíza Erundina. O túnel e o fim das obras só seriam concluídos em 1996.
 
 
A ciclovia, que ocupava um pequeno trecho da avenida, tinha três metros de largura e 1.800 metros de extensão, e estava localizada entre a rua Atílio Innocenti e a Marginal Pinheiros, no bairro do Itaim, zona sul da cidade. A ciclovia era para lazer, mas serviria de experiência para pistas exclusivas para ciclistas em outros pontos da cidade, informou o Estado na reportagem de 28 de outubro de 1975 (acima).
 
Projetos

Na época, o incentivo ao uso de bicicletas estava ligado à falta de opções de lazer e esportes na cidade. Mas também a bicicleta começou a ser pensada pelos poderes públicos como meio de transporte por causa do crise do petróleo que fez o preço dos combustíveis aumentarem vertiginosamente. Em 1979 chegou a ser racionado (veja mais em: ‘Tanques vazios, cidade parada’).

 
Em 15 de outubro daquele ano, dias antes do anúncio do projeto da ciclovia na Avenida Juscelino Kubitschek, o prefeito já havia encomendado estudos para ciclovia no canteiro central da Marginal Tietê, entre as pontes da Bandeiras e da Penha conforme publicou o jornal na reportagem “Na Marginal, faixa para bicicletas”. No mesmo ano foram propostos outros espaços para o uso da bicicleta, como liberar a pista de atletismo do estádio do Pacaembu, a Cidade Universitária. A prefeitura do campus aprovou o uso de algumas áreas para o ciclismo em 30 de outubro. A pista exclusiva com cinco quilômetros do Ibirapuera foi inaugurada em 16 de novembro de 1975 e comemorada em anúncio publicado no Estado (acima).
 
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Carlos Eduardo Entini no Acervo Estadão.
 

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