Vacina: na boca e no braço dos portugueses

Portugal foi, desde o início, um dos grandes expoentes do sucesso na vacinação. Foto: Getty Images.

Por Marcos Freire.

Adivinhem qual a “Palavra do Ano” em Portugal em 2021! Aquela que não saiu da cabeça e a que mais saiu das bocas portuguesas; aquela que mais serviu de tema para as conversas nos cafés, nos almoços de família; aquela que talvez tenha gerado um tanto de polêmica com os cientistas e pesquisadores que, descobriu-se, vivem dentro de muitas pessoas… Em tempos de pandemia, e considerando que por aqui quase ninguém foge da agulha, não podia dar outra: “Vacina” foi a palavra escolhida por quase metade dos eleitores, em uma votação anual feita desde 2009 pela Porto Editora. “A vacinação contra a covid-19 marcou o ano de 2021, não só pelo sucesso do processo que colocou Portugal num dos primeiros lugares em nível mundial, mas também porque permitiu a redução do número de vítimas da doença e o alívio das restrições a que os portugueses foram sujeitos”, diz o comunicado da editora.

Vacina concorreu com outras nove finalistas, previamente indicadas pelos internautas e pela equipe da editora, com base nos indicadores que apontam as palavras mais procuradas nos principais sites de busca ao longo do ano. A segunda colocação entre as mais votadas foi Resiliência, com 30% dos votos, seguida por Teletrabalho, com 9% da preferência dos portugueses. Entre as finalistas estavam também Apagão, Bazuca (palavra utilizada pelo primeiro-ministro Antonio Costa para designar o pacote de ajuda europeu destinado “a fomentar a recuperação da economia, na sequência da pandemia”), Criptomoeda, Mobilidade, Moratória, Orçamento, Podcast.

“Vacina concorreu com outras nove finalistas, previamente indicadas pelos internautas e pela equipe da editora.”

Vale lembrar que o termo Vax (forma abreviada de falar vacinas em inglês) também foi escolhida a Palavra do Ano 2021 pelo prestigiado e tradicional Oxford English Dictionary. O resultado anunciado no finalzinho do ano passado teve por base o levantamento que apontou que a raiz Vax (além do próprio termo “vax”, considerou-se também “double-vaxxed” (duas vezes vacinado), “unvaxxed” (não vacinado) ou “anti-vaxxer” (anti-vacina)) foi usada mais de 14 bilhões de vezes em textos de língua inglesa, incluindo artigos, reportagens etc ao longo do ano.

No caso de Portugal, o conceito “walk the talk”, algo como transformar o discurso em ação, teve na palavra “Vacina” um grande exemplo de que não basta apenas falar: o país foi, desde o início, um dos grandes expoentes do sucesso na vacinação. Hoje, mais de 90% de toda a população já tomou as duas doses, o que coloca o país entre os líderes no ranking global de doses administradas por 100 habitantes. Se considerarmos apenas a primeira dose, quase 94% da população já está vacinada. Portugal ocupa – neste critério de primeira dose apenas — a segunda posição entre todos os países. Vê-se que por aqui, felizmente, o termo “anti-vacina” não tem surgido muito. Aliás, uma grande parte da população já está também na terceira dose de reforço.

Mas voltando às palavras, o que se espera de 2022? Talvez seja a pergunta do milhão. Em 2020, a palavra do ano foi “Saudade”. Agora temos a “Vacina”. 2022 será “Normalidade”? Será “Cura”? Será?

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Marcos Freire mora com a família em Ovar, Portugal, pequena cidade perto do Porto, conhecida pelo Pão de Ló e pelo Carnaval. Marcos é jornalista, com passagens pelas principais empresas e veículos de comunicação do nosso país.

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Marcos Freire
Marcos Freire mora com a família em Ovar, Portugal, pequena cidade perto do Porto, conhecida pelo Pão de Ló e pelo Carnaval. Marcos é jornalista, com passagens pelas principais empresas e veículos de comunicação do nosso país.

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