Vincenzo Pastore (1865 – 1918), cronista visual de São Paulo

Mas o segredo de família chegou ao fim quando as fotografias foram herdadas por seu neto, o pianista e professor Flávio Varani, que as doou – 137 imagens – para o Instituto Moreira Salles, em 1997.

Com sua câmara, Pastore, capturava tipos e costumes de um cotidiano ainda pacato de São Paulo, uma cidade que logo, com o desenvolvimento econômico, mudaria de perfil. Captava as transformações urbanas e humanas da cidade, que passava a ser a metrópole do café. Com seu olhar sensível, o bem sucedido imigrante italiano flagrava trabalhadores de rua como, por exemplo, feirantes, engraxates, vassoureiros e jornaleiros, além de conversas entre mulheres e brincadeiras de crianças. Pastore, ao retratar pessoas simples do povo, realizou, na época, um trabalho inédito na história da fotografia paulistana.

Registrou cenas de ruas de São Paulo com uma câmara de pequeno formato, produzindo imagens diferentes das realizadas, durante o século XIX, com câmeras de grande formato sobre tripés, tendo sido um dos pioneiros da nova linguagem da fotografia do século XX – “a linguagem do instantâneo produzida pelas emulsões fotográficas de maior sensibilidade à luz, que libertaram as câmeras fotográficas dos tripés e permitiram também a simultânea diminuição no tamanho dos aparelhos fotográficos, possível em função dos papéis fotográficos mais sensíveis que possibilitavam a ampliação dos negativos de menor formato em laboratório por meio do emprego de fontes de luz artificial”.

É o autor de uma panorama de São Paulo a partir do Largo de São Bento e também fotografou eventos e prédios da capital paulista. Em seu estúdio, dedicava-se, com sucesso, ao retrato. Produzia retratos mimosos, que tinham como padrão o recorte losangular, mas os tamanhos e os tipos de cartões variavam. Oferecia serviços variados como imagens em esmaltes para broches, autocromos, platinotipias e fotominiaturas. Fazia montagens com desenhos e retratos de múltipla exposição, revelando um traço de humor. Também contemplou temas bucólicos e produziu ensaios com temas religiosos, muitas vezes com o uso de composições alegóricas.

Cavalo da carroça de limpeza pública caído no chão, cerca de 1910. Foto: Vincenzo Pastore / Acervo IMS.

Vale do Anhangabaú e bairro da Bela Vista, a partir do Viaduto do Chá, c.1911. Foto: Vincenzo Pastore / Acervo IMS.

Duas mulheres, uma de costas, descansando em banco de praça, cerca de 1910. Foto: Vincenzo Pastore / Acervo IMS.

Casario da Rua da Esperança. Foto: Vincenzo Pastore / Acervo IMS.

Casario e lavadeira às margens do rio Tamanduateí. Foto: Vincenzo Pastore / Acervo IMS.

 Ponte sobre lago na praça da República, c. 1910. Foto: Vincenzo Pastore / Acervo IMS.

 Encontro de mulheres, próximo ao mercado dos caipiras. Foto: Vincenzo Pastore / Acervo IMS.

Largo da Sé. c. 1912. Foto: Vincenzo Pastore / Acervo IMS

Homem idoso em pequena carruagem, c. 1910. Foto: Vincenzo Pastore / Acervo IMS.

***
Fonte: Brasiliana Fotográfica / Instituto Moreira Salles.

Tags

Compartilhe:

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on linkedin
Share on email
No data was found

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Categorias

Cadastre-se e receba nossa newsletter com notícias sobre o mundo das cidades e as cidades do mundo.

O São Paulo São é uma plataforma multimídia dedicada a promover a conexão dos moradores de São Paulo com a cidade, e estimular o envolvimento e a ação dos cidadãos com as questões urbanas que impactam o dia a dia de todos.