Viriato, o grande guerreiro, revolucionando Portugal mais uma vez

O simpático meio de transporte irá substituir o já conhecido funicular, circulando de forma silenciosa e autônoma. Viriato é o primeiro veículo deste tipo em todo país e, assim como o herói que o inspirou, pode estar marcando uma importante mudança no cotidiano das cidades portuguesas.

Viriato terá nove metros de extensão e espaço para 25 passageiros. Deverá circular 7 dias por semana, 24 horas por dia. Durante o dia, irá se movimentar ininterruptamente, pegando passageiros em quatro pontos. À noite, entra em movimento sempre que for acionado em uma destas paradas.

Viriato - Não polui, é autônomo, vai andar de noite e promete ser silencioso. Foto: TULAlabs / Divulgação.O projeto, anunciado há poucos dias em Lisboa, representa um ganho não apenas ambiental, mas também econômico. Estima-se que o município irá cortar 80 mil euros por ano dos gastos em manutenção, quando comparado com o funicular, além de ampliar a oferta de transporte para a população, uma vez que o modelo atual, barulhento, não pode funcionar à noite. Viriato, ao contrário do “bondinho” em atividade, não andará sobre trilhos e poderá, assim que for totalmente regulamentada a sua operação, circular por todas as ruas da cidade. Equipado com sensores nas partes frontal e traseira, é capaz de “ver” obstáculos e parar sempre que for preciso.

Viriato é mais um dos bons exemplos que Portugal dá na área de transporte público, privilegiando soluções econômicas e ambientalmente mais amigáveis para a população. Além desse novo projeto, a cidade do Porto deverá receber, também no próximo ano, um “ônibus-robô”, elétrico e autônomo, com baterias que podem durar oito horas. A previsão é que após os testes em 2019, o novo ônibus esteja andando livremente pelas ruas do Porto em 2020. Outro importante polo turístico de Portugal, a cidade de Cascais, anunciou que irá seguir pelo mesmo caminho: até o final deste ano entra em testes um veículo elétrico e autônomo que irá percorrer cerca de 14 km pelas bonitas praias de São João do Estoril a Carcavelos.

Em 2019, a cidade do Porto vai testar um carro sem condutor naquela cidade. Imagem: STCP / Divulgação.

O crescente número de iniciativas de transporte que não usam combustíveis fósseis e a quantidade cada vez maior de ciclovias espalhadas por todo o país mostram que a preocupação com as questões ambientais e de sustentabilidade está dando uma nova cara a Portugal. No último mês de março, um fato histórico marcou esse tema por aqui: pela primeira vez, a produção de energia elétrica renovável em Portugal excedeu a consumida em todo o país. Ou seja, as duas principais fontes de energia renovável – hidrelétricas e eólicas – produziram mais energia do que foi preciso para abastecer toda a nação. Esse resultado permitiu evitar a emissão de 1,8 milhão de toneladas de dióxido de carbono, poupando assim 21 milhões de euros na aquisição de licenças de emissão poluentes. O resultado foi pontual e Portugal ainda faz uso de centrais térmicas fósseis ou recorre a importação para complementar o abastecimento das suas necessidades elétricas. Mas a previsão é que até 2040 a produção de eletricidade renovável em Portugal seja suficiente, de forma definitiva, para suprir toda a necessidade do país.

Produção de energia renovável excedeu consumo em Portugal pela primeira vez. Foto: Lisi Niesner / SIC Notícias.

Eu tento fazer a minha parte e deixo a “carrinha” (como são chamados aqui os modelos de carro que nós brasileiros conhecemos como peruas ou “station wagons”) na garagem quase sempre. Troco pelas pedaladas e já sei que em breve vou também circular de “Viriato” por aí. Só espero que os charmosos “elétricos” que correm pelos trilhos de Lisboa, por exemplo, continuem a encher de graça as ruas portuguesas. Sou a favor da revolução dos “Viriatos”, dos modelos com sensores a laser, mas nada como um bondinho e seu motorneiro… 

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Marcos Freire mora com a família em Ovar, Portugal, pequena cidade perto do Porto, conhecida pelo Pão de Ló e pelo Carnaval. Marcos é jornalista, com passagens pelas principais empresas e veículos de comunicação do nosso país. Escreve quinzenalmente no São Paulo São.

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