Viver nesse calor

Nessa atmosfera sufocante o frescor de uma chuveirada rápida dura apenas alguns segundos, e caminhar pelas ruas sob o sol é uma experiência semelhante a ficar fechado em uma sauna seca ou numa sala de banho turco.

Tem gente entrando numa sorveteria apenas para “estacionar” perto do freezer. Outros permanecem mais tempo em agências bancárias só para aproveitar o friozinho de 19 graus. É provável que os shoppings tenham registrado um aumento maior de frequentadores nos períodos da manhã e à tarde, graças à sensação de frescor gerada pelo ar condicionado central, um equipamento primordial nesses centros de compras.

Não há desodorante que resolva o efeito da transpiração, nem maquiagem que fique intacta às ações dos raios solares, e muito menos uma fragrância duradoura imune ao suor que, depois de seco, deixa aquele salgadinho natural.

Bebida gelada é produto em extinção. Alguns bares estão aceitando reserva de cervejas com até 12 horas de antecedência, e senhas estão sendo comercializadas a preço de ouro por gente que depende das “loiras” para encarar o expediente no trabalho ou uma aula de cálculo 1.

Unidos numa startup, um grupo de estudantes do curso de tecnologia, desenvolveu um aplicativo que permite reservar a cerveja no bar predileto com até 36 horas de antecedência, e oferece preços diferenciados em função da temperatura da bebida. Para quem não fez reserva, a cerva é servida em temperatura ambiente e em canecas de chá.

Para alguns especialistas a “Beer” quente tem propriedades medicinais e combina bem com pão na chapa. Se tomada antes de dormir pode produzir um efeito relaxante que favorece um sono longo, tranquilo e livre de pesadelos.

Informe dos organizadores dos blocos deste Carnaval aconselha que os foliões sejam criativos em suas fantasias, usem tecidos leves, mas evitem o modelito “Adão, Eva e folha de parreira”. Afinal, com esse calor insuportável não será difícil que alguns engraçadinhos resolvam desfilar nas ruas do jeito que vieram ao mundo. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

 

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