Novas evidências dos impactos das ‘Ruas do Brincar‘

Espantada com este resultado, a OMO lançou uma campanha chamada “Libertem as crianças”, assinada pelo publicitário Ken Robinson, conhecido pelo trabalho com criatividade, inovação e educação, e por Stuart Brown, diretor do Instituto Nacional do Jogo. 

Anterior ao estudo da OMO e ao programa Ruas Abertas de São Paulo, o post  “Liberdade na cidade? interstícios urbanos” abordou o início das Ruas de lazer na cidade, a CRA – Ciclovias Recreativas de las Américas  e outros temas.

Nesta semana foram publicados vários estudos sobre as Playing out Streets ou Play Streets da Grã Bretanha, onde são mostradas fortes evidencias sobre seus benefícios. Reproduzimos na integra o texto traduzido para o português. Pode-se ler o original aqui http://playingout.net/street-play-is-good-for-health-and-communities/

Novas evidencias dos impactos das Ruas do Brincar 

Crianças mais saudáveis e comunidades mais felizes é o impacto produzido pelas Ruas do Brincar (Playing out)! É o que confirmam três informes publicados neste final de julho:

1) PLAYING OUT Streets

Primeiramente, uma pesquisa aplicada na rede britânica das “Playing out” streets mostrou como o modelo provisório da Rua do Brincarestá causando uma repercussão profunda nas crianças, adultos e em toda a comunidade de cada rua. 

Os principais impactos verificados são:
 
– A maioria das pessoas atestou que as crianças aprenderam ou melhoraram suas habilidades físicas e competências sociais, como andar de bicicleta (80%) e interagir com outras crianças (88%)

– A maioria afirmou que graças ao resultado das ruas do brincar elas conheceram mais pessoas vizinhas de sua rua (91%) e passaram a ter um maior sentimento de pertencimento em relação ao seu bairro (84%)

– Como destaque, em tempos nos quais as ações comunitárias são mais importantes do que nunca, aproximadamente um terço dos pesquisados respondeu que participar das ruas do brincar os levou a estar mais envolvidos com outros grupos e atividades comunitárias.

Um pai relatou: “Eu me sinto mais engajado para realizar mudanças positivas em minha comunidade e na rua onde moro. Eu sinto com mais força que pertenço à minha rua, o que me deixa mais confiante para dar maior independência a minha filha”. Pode acessar a reportagem completa aqui Playing Out Survey Report 2017 

Foto: Playing Out (UK).

(2) Estudo de Avaliação da Universidade de Bristol
 
Dois outros importantes e recentes estudos pesquisando os impactos das Ruas do brincar foram publicados. Ambos se baseiam no projetodesenvolvido entre 2013 e 2016, do Departamento de Saúde britânico, no qual Playing Out é um parceiro chave, junto com Play England and London Play.
 
O estudo de Bristol apresentou principalmente os  efeitos produzidos nas crianças. A professora Angie Page, em seu trabalho “Por que o fechamento temporário das ruas para o brincar faz sentido para a saúde pública”,  mostra como essas soluções simples e de baixo custo podem trazer “uma grande contribuição para os níveis de atividade física das crianças”, sendo que as crianças que participam das ruas do brincar realizam entre três a cinco vezes mais atividade do que num dia “normal” após voltarem da escola.
 
Usando GPSs e acelerômetros, verificou-se que as crianças estiveram fora de casa em uma grande parte do tempo (>70%) em que as ruas eram fechadas aos carros e abertas para o brincar, e gastaram em média 16 minutos por hora com atividade física de moderada a vigorosa. Um outro resultado percebido foi de que este brincar ativo e do lado de fora das casas as incentivava mais a sair do sedentarismo do que as atividades esportivas.

Foto: Play street na Australia.

(3) Informe Play England: Ruas do Brincar em regiões desfavorecidas
 
O informe consolidado “Iniciativas de Ruas do Brincar em regiões desfavorecidas: experiências e temas emergentes”  foi escrito pelo pesquisador e autor Tim Gill. Baseado em entrevistas com pessoas envolvidas com Ruas do Brincar de cinco municipalidades, o informe destaca as barreiras mais comuns que os moradores sofrem para organizar Ruas do Brincar e alguns fatores particulares -desafios e vantagens- relacionados às áreas de brincar em áreas mais carentes.

Play Street em Nova York. Foto: The New York Times.Os argumentos para apoiar as Ruas do Brincar

As conclusões finais destes estudos é que onde acontece o modelo das Ruas do Brincar, organizadas pelos moradores, há um efeito profundo e duradouro para as crianças e, mais ainda, para a comunidade.
 
Como são atividades de baixo custo, sustentáveis e aplicáveis universalmente, elas transformam em realidade o sonho de qualquer dirigente político.

Os governos nacionais, assim como as autoridades locais, precisam redobrar seus esforços para criar políticas públicas e fornecer o suporte prático necessário para que o processo seja simples a ponto de que qualquer morador possa apoiar e sustentar o brincar livre para as crianças do lado de fora de casa.

Foto: Play Street London (UK) / Community Lovers Guide.Nota Final
 
A publicação dos estudos nesta semana provocou um grande interesse por parte das mídias sociais e dos meios de comunicação. Começando pela BBC Breakfast TV, a nossa equipe do Playing Out, fantásticos moradores ativistas das Ruas do Brincar e crianças, amigos especialistas como Tim Gill e Adrian Voce, colegas da Universidade de Bristol… Todos realizamos umas vinte entrevistas só na segunda feira 31 de julho. Deixamos aqui algumas das matérias:
 
Telegraph: http://www.telegraph.co.uk/science/2017/07/31/close-roads-children-can-play-street-like-parents-did-say-public/
 
BBC Breakfast: http://www.bbc.co.uk/iplayer/episode/b08zhd4l/breakfast-31072017 (at 1:23:44).
 
BBC Woman’s Hour: http://www.bbc.co.uk/programmes/b08z983h (select Playing Out ‘chapter’).
 
BBC Points West: http://www.bbc.co.uk/iplayer/episode/b08zdyfx/points-west-evening-news-31072017 (at 14.15 – only available until 1//8/17).
 
Child in the City https://www.childinthecity.org/2017/07/31/new-research-highlights-impact-of-street-play/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Newsletter%20week%202017-31

***
Irene Quintáns é arquiteta urbanista com pós-graduação em Estudos Territoriais, Políticas Sociais, Mobilidade, Habitação e Gestão Urbanística. É fundadora e diretora da Rede OCARA onde este artigo foi publicado originalmente.

 

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