Redução de acidentes em SP poupa um hospital todo em leitos, diz prefeitura

Com menos feridos, é como se fossem liberados 147 leitos por dia, equivalentes a um hospital pequeno, conforme levantamento da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), ligada à gestão Fernando Haddad (PT).

Os dados do impacto dos acidentes viários na rede de saúde foram levantados a partir de registros do SUS (Sistema Único de Saúde).

A gestão Haddad atribui a diminuição dos acidentados à intensificação do programa de redução das velocidades das vias da cidade, que inclui a mudança nos limites das marginais Tietê e Pinheiros – que será revista pelo prefeito eleito João Doria (PSDB).

A trajetória de queda das internações por acidentes de trânsito vem ainda da gestão Gilberto Kassab (PSD), no início da década, mas foi acentuada nos últimos três anos.

No primeiro semestre de 2010, houve 5.412 autorizações de internação dessas vítimas, contra 5.258 no mesmo período de 2013 –uma diminuição de 3%. No primeiro semestre de 2016, 3.804.

O cálculo da “economia” de leitos é feito pela CET com base na diminuição de feridos ano a ano e no tempo médio de internação de acidentados. O total de 147 vagas supera as existentes num hospital do porte do de Pirituba (107) e fica um pouco abaixo da unidade da Cachoeirinha (180), ambos na zona norte.

 

Fonte: CET

Fonte: CET.

Pedestres

As políticas de proteção aos pedestres começaram a ganhar força ainda na gestão Kassab, que baixou a velocidade de parte das vias de 70 km/h para 60 km/h.

Desde então,   Depois aparecem os ciclistas (37%), ocupantes de veículos (29%) e, por último, os motociclistas (21%).

“Em outubro de 2013, houve a implantação de área 40 km/h no centro. O índice de acidentes reduziu”, diz Tadeu Leite, diretor da CET. O programa foi expandido para outras regiões e, em julho de 2015, a redução de velocidade chegou às marginais.

Leite afirma que a redução da velocidade é proporcional à gravidade dos acidentes. Ele atribui ao comportamento de risco de parte dos motociclistas a redução menor em relação aos outros modais.

A estimativa da CET é que a economia em gastos hospitalares foi da ordem de R$ 32 milhões –dinheiro suficiente para construir seis UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Em relação aos gastos, a exceção são os ocupantes de veículos, cuja internação se tornou mais cara e mais longa. A CET ainda não sabe explicar a razão do aumento de gravidade desses acidentes.

Trajetória

O levantamento aponta que a diminuição de internações na cidade de São Paulo contrasta com outros resultados do Estado e do Brasil.

No país, os hospitalizados por acidentes subiram de 70.339 no primeiro semestre de 2010 para 87.633 no mesmo período deste ano, alta de 25%, pelos dados do SUS.

No Estado, os números ficaram praticamente estáveis nesta mesma comparação, de 18.370 para 18.513 (1%).

O superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Luiz Carlos Mantovani Néspoli, afirma que a cidade de São Paulo vem de uma trajetória de quedas nos acidentes desde a década de 1980.

“O pico de acidentes em São Paulo foi em 1986. [Desde então] a cidade vêm adotando medidas eficientes”, disse. Ele cita desde a fiscalização do cinto de segurança e de capacete em motociclistas até ações de pró pedestres e de redução de velocidade das vias.

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Por Artur Rodrigues na Folha de S.Paulo. 

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