Entenda por que as mercearias estão voltando a ganhar as cidades

Ponto de encontro entre vizinhos e com papel de protagonistas na organização dos grandes centros urbanos, não resistiram à enxurrada de novidades com os novos produtos e marcas que os supermercados trouxeram para as prateleiras.
 
Depois de assumir um papel secundário e quase desaparecer, este setor do comércio voltou a crescer e já é tratado como um “novo” nicho entre os atacadistas. Com um atendimento mais próximo dos clientes e com uma gama de produtos mais selecionada, voltada para o perfil de consumo da região em que estão, o Mercado de Vizinhança, como vem sendo chamado, apresentou um crescimento no faturamento de 7% em 2015, segundo pesquisa do grupo GfK.
Além disso, pela primeira vez desde 2011, quando o estudo começou a ser realizado, os pequenos mercados apresentaram um preço médio mais barato que o das grandes redes de supermercados. Em uma cesta composta por 35 produtos de consumo básico, as mercearias cobraram um valor médio de R$ 232,49, enquanto que os hiper e supermercados tiveram um preço de R$ 233,81.
 

Atendimento mais “humano”
 
“É diferente dos supermercados, onde a gente entra em um corredor imenso, pega às vezes uma fila grande e quase sempre entra e sai sem falar com ninguém.“ Eliana Brum, consumidora.
Moradora de Bento Ferreira, em Vitória, há 30 anos, a representante de vendas Eliana Brum conta que compra na mercearia do bairro pelo menos uma vez por semana desde que a loja abriu, 20 anos atrás. Para a freguesa, o principal atrativo é o contato mais afetuoso com os donos e funcionários. 

Luciane Sampaio, uma das gestoras do Horto Mercado, a mercearia frequentada por Eliana, explica que o atendimento mais próximo do cliente é de fato uma de suas principais estratégias de venda e que o clima nostálgico do “mercadinho da esquina” tem aumentado o número de clientes.“É como se a gente tivesse perdido no tempo. Aqui ainda tenho caderneta para os clientes mais antigos ‘pendurar’ a conta e pagar depois. Tem muita gente mais velha que vem aqui só para conversar”, revela.

 
Perfis dos gestores
 
Lápis na orelha 31% dos donos de pequenos comércios são os donos de mercearia à moda antiga, conhecem bem os fregueses, mas estão pouco dispostos a promover mudanças. Costumam ter grau menor de escolaridade.
 
Varejo profissional
 
20% dos donos de pequenos comércios são lojas maiores, com mais empregados e que possuem um profissional para gerir a operação. Não dependem da presença do proprietário para conduzir o negócio.
 
Promissor solitário
 
23% dos varejistas são mais jovens e possuem alto nível de escolaridade, com lojas mais novas e que costumam utilizar melhor ferramentas tecnológicas. 84% são empresas familiares.
 
Rapidez e comodidade
 
“Ninguém vem aqui para fazer a compra do mês, a maioria compra tudo na cestinha. Só que nem todo mundo está disposto a enfrentar a fila dos grandes mercados.“ Pedro Tozetti, dono do Dim Dom.
O empresário Pedro Tozetti abriu há 34 anos o mini-mercado Dim Dom, em Laranjeiras, em uma época onde o bairro contava com poucas casas. O tempo passou e a região se tornou um dos maiores centros de comércio da Grande Vitória. Pedro explica que no começo, cada novo supermercado que abria, gerava um impacto em suas vendas, mas hoje diz ter aprendido o seu espaço.
 
Pequenos x grandes

Presidente do Sindicato do Comércio Atacadistas e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades), Idalberto Moro afirma que a mudança é vista de maneira positiva e é fruto da capacitação que estes empreendedores passaram graças a grupos como o Sebrae.”Eles tiveram um aumento muito grande na qualidade de atendimento. Hoje a locomoção entre um local e outro além de cara, gasta um certo tempo. As pessoas preferem comprar algo que está perto de casa. Com a crise, as pessoas também passaram a fazer compras de maneira mais fracionada. É um setor que está em franco crescimento”, conta.

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Por Rafael Silva no Gazeta On Line.

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