Estudo avaliou se a poluição do ar pode anular os benefícios das pedaladas

O estudo comparou riscos da poluição do ar à saúde, cruzados com os benefícios relacionados à prática do ciclismo ou da caminhada durante as viagens, levando em conta diversos cenários de concentrações de detritos na atmosfera e de duração das viagens. O objetivo era medir em qual momento os prejuízos à saúde causados pela exposição superaria os benefícios da escolha do modo ativo de locomoção.

Na quase totalidade dos locais pesquisados, pedalar ou caminhar ainda é um bom negócio, mesmo em locais poluídos. “Constatamos que, em 98% das cidades no mundo, os benefícios à saúde proporcionados pela caminhada ou por andar de bicicleta só começam a ser superados pelos malefícios da exposição à poluição do ar depois de muitas horas”, afirmou Thiago Hérick de Sá, pesquisador do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

O estudo envolveu profissionais da University of Cambridge e do Imperial College London, do Reino Unido, da University of Zurich, da Suíça, da University of Edinburgh, da Escócia, e do Center for Research in Environmental Epidemiology, da Espanha.

Mesmo no Brasil?

A capital paulista é apontada com concentração média de material particulado em 2,5 microns de diâmetro na atmosfera, de 22 microgramas por metro cúbico (ug/m3), segundo o especialista da USP. Esse ponto de inflexão só prejudicaria o ciclista, portanto, em um cenário de utilização superior a sete horas de pedalada ou 16 horas de caminhada por dia.

Em 2015, um estudo feito em parceria entre a Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo), a ONG Transporte Ativo, Observatório das Metrópoles, e com apoio do banco Itaú, intitulado “Perfil de quem usa bicicleta na cidade de São Paulo”, apontou que 63% das viagens feitas na cidade de São Paulo levaram em média até meia hora, a cada dia.

Esse mesmo estudo, em nível nacional, também mostra que a maioria dos deslocamentos é feito em viagens de até 30 minutos.

Cidades do futuro

Hérick, ao lado de pesquisadores da Austrália, Estados Unidos, Inglaterra, China e Índia, chegou à conclusão de que em cidades onde moradia, postos de trabalho e serviços estão mais próximos uns dos outros, há a possibilidade de aumento do número de pessoas que utilizariam modos ativos de transporte. Esse aumento teria por consequência a redução de poluentes e de mortes.

Foram levadas em consideração alterações no uso do solo urbano e nos deslocamentos, o que poderia resultar na diminuição de feridos e mortos no trânsito e de vítimas de doenças cardiovasculares e respiratórias.

“Se tivéssemos uma cidade mais adensada, onde as pessoas morassem mais próximas uma das outras, com um uso de solo mais diversificado e um sistema de mobilidade mais sustentável, isso resultaria em grandes ganhos para a saúde da população”, afirmou Hérick.

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Por William Cruz no Vá de Bike.

 

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