Ex-prefeito de Londres defende limite de 32 km/h nas cidades

 
Primeiro prefeito eleito de Londres, Ken Livingstone, 70, defende uma redução de limites de velocidade ainda mais drásticos do que os implantados em São Paulo pela gestão Fernando Haddad. 

 
Para o político britânico, o combate aos atropelamentos nos centros urbanos exige limite de 32 km/h – referência ao padrão de 20 milhas por hora implantado em 25% das vias de Londres e que levaram à redução das mortes no trânsito. 
 
Em São Paulo, Haddad anunciou que irá padronizar em 50 km/h o limite de todas as avenidas arteriais da cidade até o fim do ano. O prefeito também afirma que irá deixar todas as vias coletoras com máxima de 40 km/h. Livingstone defende outras medidas que vem sendo implantadas na capital paulista pela equipe de trânsito e transportes de Haddad, como as faixas exclusivas de ônibus e as ciclovias. 
 
As duas medidas se tornaram bandeira do petista, mas sofrem críticas de que são implantadas de forma muito rápida, sem planejamento adequado.  Membro do Partido Trabalhista, Livingstone foi eleito prefeito em 2000, quando o cargo foi criado, e reeleito em 2004. Nas duas últimas eleições, em 2008 e 2012, perdeu para o conservador Boris Johnson. 
 
Entre as realizações de seu mandato estão a introdução do “congestion charge”, a cobrança de pedágio para transitar de carro pelo centro comercial de Londres, além da implantação do Oyster card, espécie de bilhete único.  Nessa época, sofreu críticas de que era autoritário e ganhou o apelido de “Red Ken” (“Ken Vermelho”) devido às posições políticas de esquerda. Participou da fundação do C40, grupo que reúne prefeitos de grandes cidades do mundo e, após deixar o cargo, se tornou uma espécie de “guru” da sustentabilidade. 
 
 London Congestion Charge Scheme. Foto:PREMARK / Transport For London.
 
Nesta quarta-feira (9), participou da Cúpula de Prefeitos e do congresso Cidades & Transportes, no Rio. Leia a entrevista que concedeu à Folha, por e-mail.

Folha – Como o sr. lidou com a impopularidade do pedágio urbano em Londres e quais foram os resultados?
Ken Livingstone – Nos dois anos de preparação para a introdução do pedágio, a cobertura da imprensa foi 99% negativa, prevendo um desastre. A opinião pública era mais uniformemente dividida, então eu ignorei a mídia. Mas me certifiquei de que não haveria percalços quando a medida entrasse em vigor.

O sr. acredita que o pedágio urbano seria válido para melhorar o trânsito de uma cidade como São Paulo?
Eu nunca visitei São Paulo, mas qualquer cidade com muito congestionamento deveria adotar um modelo de cobrança.

A redução dos limites de velocidade nas vias urbanas realmente melhoram a segurança ou há outras opções?
A redução dos limites de velocidade reduz também a poluição e os acidentes, então sou a favor. Para reduzir os atropelamentos, precisamos de cruzamentos com semáforos para pedestres e uma velocidade não maior que 32 km/h.

Com uma rede de metrô pequena, o transporte público de São Paulo depende muito dos ônibus. Que ações podem ser adotadas para melhorar esse tipo de meio de transporte?
Quando me tornei prefeito de Londres, em 2000, tínhamos 5.500 ônibus velhos. Ao longo de cinco anos, os substituí por 8.500 ônibus novos e o uso cresceu. Nos últimos 15 anos, o aumento de passageiros transportados foi de 75%. É mais rápido e mais fácil expandir o transporte público por meio de ônibus, uma vez que a construção de um sistema subterrâneo leva muitos anos. O que ajudou a expansão dos ônibus em Londres foi um enorme número de novas faixas só para ônibus, onde os carros foram excluídos.

A Lei de Zoneamento de São Paulo está em discussão atualmente, com uma proposta de ampliar áreas de uso misto entre moradia e comércio. Como isso funciona em Londres?
O planejamento do uso do solo em Londres só começou nos últimos cem anos, por isso a separação de habitação e comércio só é óbvia em nossos subúrbios mais recentes. Na nova área de Canary Wharf, temos permitido que indústria financeira e acomodação residencial sejam construídas lado a lado, reduzindo assim a pressão sobre o transporte.

O uso de bicicleta está crescendo em Londres. Que medidas foram tomadas para melhorar o conforto e a segurança dos ciclistas?
Tem havido um grande aumento no uso da bicicleta, mas o atual prefeito [Boris Johnson] foi muito lento para introduzir ciclovias seguras e segregadas. Ele só começou a fazer isso agora, recentemente, depois de várias mortes de ciclistas. É absolutamente essencial planejar o uso da vias públicas e isso pode ser feito de forma bastante rápida, contanto que os políticos não prevariquem.

A limpeza do rio Tâmisa é famosa mundo afora. O que pode ser feito em São Paulo para melhorar os poluídos rios Pinheiros e Tietê?
O Tâmisa foi usado como esgoto a céu aberto por centenas de anos. Apenas no século 20 é que foram adotadas medidas para acabar com isso e, por volta da década de 1970, começamos a ver um rio mais limpo e com a fauna retornando.

André Monteiro na Folha de S.Paulo.

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