A 2a edição do ‘What Design Can Do‘ São Paulo colocou o design no centro das discussões transformadoras

Cinco macrotemas guiaram a programação: o que o design pode fazer pelas questões urbanas; pela comunicação; pelos refugiados; pela consciência cultural; e pelo combate à violência contra a mulher. Ao todo, centenas de pessoas compareceram à FAAP para acompanhar as 16 palestras de profissionais de diversas nacionalidades e áreas de atuação, as 14 sessões especiais de aprofundamento e as demais atividades oferecidas pela conferência, incluindo pocket shows de Xênia França e Rico Dalasam.

DIA 1 | 13.12

O primeiro dia do WDCDSP 2016 foi marcado por uma explosão de salgadinhos verdes, discussões sobre comida e urbanismo e comunicação visual. A jornalista, empreendedora social e cicloativista Aline Cavalcante abriu a programação do dia, acendendo o debate sobre o uso de carros em São Paulo. “Eu luto pela minha cidade”, afirmou Aline, defendendo que as pessoas deem menos valor a ao carro e, assim, humanizem a cidade. 

Marko Brajovic, arquiteto croata radicado em São Paulo, subiu ao palco do Teatro FAAP na sequência para falar sobre como a natureza, os fenômenos naturais e os processos biológicos inspiram seu trabalho. “A natureza é uma designer com 3.8 bilhões de anos de experiência”, ele explicou. 

O tema comida e a cidade foi abordado pelos três palestrantes seguintes. Quem deu início às discussões foi o jornalista Jan Knikker, sócio do proeminente escritório de arquitetura holandês MVRDV, que mostrou ao público como o projeto do Mercado Municipal de Roterdã deu nova vida à cidade. Trata-se de um projeto de uso misto que, em forma de arco, abriga um espaço comercial e um edifício residencial. “Isso é mais que arquitetura. Isso é urbanismo”, Knikker concluiu.

De certa forma, isso também poderia ter sido dito pelo chef Rodrigo Oliveira sobre o seu estrelado restaurante, o Mocotó, que também pode ser considerado um empreendimento de grande impacto na cidade. Localizado na Vila Medeiros, zona norte de São Paulo, o espaço é conhecido por oferecer pratos bem elaborados da culinária nordestina a preços acessíveis.

O designer de experiências britânico Sam Bompas, do duo Bompas & Parr, encerrou as palestras do período da manhã com um panorama da carreira da dupla, trazendo experiências que incluem esculturas de gelatina e receitas preparadas com lava. Para mostrar ao público um pouco mais sobre o seu universo, Sam criou uma experiência literalmente explosiva: uma “bomba” de salgadinhos verdes, “detonada” graças à mistura de nitrogênio líquido e água fervente. 

As sessões da tarde foram marcadas por falas sobre o impacto visual. Primeiro, a designer gráfica brasileira Elaine Ramos, ex-diretora de arte da editora de arte Cosac Naify e sócia da recém-fundada editora, a Ubu. Para encerrar a programação do dia, a jovem estilista senegalesa Selly Raby Kane falou sobre a cena criativa de sua cidade natal, Dacar; e sua carreira, com criações que já chamaram a atenção até da cantora Beyoncé. “Nós somos os embaixadores de nossos países, mudando a perspectiva em nossos mundos. A criatividade pode proporcionar isso”.

DIA 2 | 14.12

Uma das questões discutidas durante o WDCDSP 2016 foi o combate à violência contra a mulher. O assunto, que tem suscitado cada vez mais debates no Brasil, foi tema de duas breakout sessions – sessões especiais de aprofundamento, que acontecem entre as palestras do palco principal -, que deverão servir de guia para pesquisas futuras da plataforma What Design Can Do. Além disso, o promotor público holandês Martin Witteveen deu início aos debates do dia trazendo uma perspectiva internacional sobre o tema.

O cofundador da consultoria de design estratégico Tátil, Fred Gelli, participou do primeiro bloco de palestras. Em sua fala, contou sobre o processo de desenvolvimento da identidade visual dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016, que resultou em duas marcas tridimensionais. Nas palavras de Gelli, o segredo do bom design passa pelo conceito de “nunca criar para o público, mas criar com o público”. 

O princípio também guia o designer transdisciplinar holandês Rogier Klomp, que cocriou o Propaganda by the People, um projeto interativo e colaborativo que tem como objetivo coletar ideias de cidadãos comuns para o futuro da Europa. Klomp também discorreu sobre o seu trabalho com big data. Para ele, “essencialmente, é um termo que quer dizer que os dados coletados online podem ser usados para outras finalidades”.

O segundo bloco de falas da manhã foi dedicado aos refugiados. A sessão começou com um documentário curta-metragem italiano, Med Frontiera Liquida, que traz uma narrativa sobre a crise de refugiados no mar Mediterrâneo. Em seguida, ainda sob impacto do filme, o público ouviu o fundador do WDCD, Richard van der Laken, apresentar os cinco projetos finalistas do primeiro desafio internacional lançado pela organização, o  What Design Can Do for Refugees. 

Em seguida, ao vivo de Atenas, o jornalista brasileiro André Naddeo apresentou ao público o seu trabalho com refugiados, incluindo os projetos Drawfugees e I’m Immigrant. Com estes projetos, o jornalista permite que os refugiados possam ter voz própria. Já o artista multimídia holandês Jan Rothuizen contou um pouco sobre a experiência em campos de refugiados, apresentando ao público o seu projeto interativo Refugee Republic, um mapa online e navegável do Campo Domiz, no Iraque.

Após as breakout sessions, o público voltou ao Teatro FAAP para assistir à pesquisadora e designer gráfica colombiana Roxana Martínez, que discorreu sobre o seu trabalho de documentação do design vernacular colombiano, feito através do projeto Populardelujo, do qual é cofundadora. O projeto tem por objetivo valorizar o design informal das ruas, muitas vezes desprezados por profissionais do design formados por universidades.

O encerramento do segundo dia – e do WDCDSP 2016 – coube ao designer, publicitário, artista e curador de fotos amadoras holandês Erik Kessels. O criativo holandês conduziu uma hilária palestra sobre o seu último livro, Failed It!, uma celebração do erro como impulsionador da criatividade, na qual também apresentou alguns de seus trabalhos na aclamada butique criativa KesselsKramer, da qual ele é cofundador. Kessels ainda divertiu o público trazendo exemplos do quão rica a busca por imagens aleatórias na internet e em feiras de rua pode ser no trabalho de curadoria de imagens.

Foram 16 palestras e 14 sessões especiais além de pocket shows de Xênia França e Rico Dalasam. Foto: Sergio Caddah.

Breakout sessions

As sessões especiais de aprofundamento ocorreram simultaneamente entre as palestras do palco principal, em diferentes espaços da instituição. Ao todo, foram 14 sessões especiais, sete por por dia, sobre temas específicos.

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Com informações da Mutato.

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