Balcão traz informalidade e ganha destaque em restaurantes paulistanos

Foi justamente uma viagem ao Japão que despertou no chef Alberto Landgraf a vontade de ter um balcão em sua próxima casa. Nesta semana, ele anunciou sua saída do Epice, premiado restaurante de cozinha contemporânea nos Jardins. “Há uma troca grande. O chef olha para a necessidade e a vontade do cliente. Ao servir, se adapta ao gosto dele”, afirma.

“Estamos em busca de um novo formato para a alta gastronomia, de mais contato com o cliente e preços mais acessíveis. O balcão ajuda.”
 
Em São Paulo, não se trata de um caminho só para a alta gastronomia ou para a cozinha oriental. Novas casas vêm dando destaque ao balcão. São os lugares mais disputados n’A Casa do Porco, no centro, que tem filas de espera superiores a duas horas. Ali, as pessoas comem com as mãos, enquanto tomam drinques. 

Um balcão confortável, da altura das mesas, se espalha pelo Jamile (restaurante com consultoria de Henrique Fogaça, no Bexiga), de onde se acompanha a dor e a delícia de uma cozinha – gente que fala alto, nervos à flor da pele, gente que finaliza pratos, com paz e delicadeza. 

No Tan Tan, eis um microbalcão simpático. Observa-se, dali, por exemplo, cozinheiros a cortar ovos cozidos com fio de nailon. 

O japonês Un há um espaço no andar superior que prioriza menus-degustação em um balcão. “Hoje, tenho um percentual pequeno de clientes que querem mesa. Investimos para que o balcão fosse confortável, com cadeiras com encosto”, diz o dono e chef Tadashi Shiraishi.

 

Renata Vanzetto, do pequenino Ema, fala que essa forma de acomodar os clientes faz parte do conceito da casa. “De cara você sabe que o lugar é despretensioso”, diz.

Para o sociólogo especializado em gastronomia Carlos Alberto Dória, pode existir “qualquer mística” nessa tendência (estar mais perto do chef, por exemplo), mas a economia é determinante. “Há em São Paulo uma falência do serviço. Ele é inconveniente, excessivo e subserviente. Com os food trucks, os cozinheiros se deram conta de que podem ter um serviço mais informal e levaram o balcão ao restaurante. Isso implica redução de custo.”

“É informal e adequado ao momento, de crise”, diz Josimar Melo, colunista da Folha. “Mas há preço para o público, que perde privacidade.”

Isso é bônus no icônico Ita, dos anos 1950, que só atende em balcão, sempre frenético. “O freguês se sente à vontade, meio dono”, diz o proprietário, João Pedro Luiz. “É uma casa, não é um restaurante.” 

Onde sentar

O longo e sinuoso balcão de madeira do Bar Balcão nos Jardins. Foto: Divulgação.

Un
Onde: r. Padre João Manuel, 1.050, Jardim Paulista; tel. (11) 3086-0066.
Como é: Elegante, espaçoso e corta caminho para saber qual é a melhor pedida do dia.

Balcão
Onde: r. Dr. Melo Alves, 150, Cerqueira César; tel. (11) 3063-6091. 
Como é: Em zigue-zague, tem 25 metros e troca de olhares entre vizinhos. 

A Casa do Porco
Onde: r. Araújo, 124, Centro; tel. (11) 3258-2578. 
Como é Bom para pedir porções, comer com as mãos e provar drinques. 

Conceição Discos

Onde: r. Imaculada Conceição, 151, Santa Cecília; tel. (11) 3477-4642. 
Como é Pratos reconfortantes e um bate-papo com a sorridente cozinheira, Talitha Barros. 

Ema
 

Onde: r. da Consolação, 2.902, Cerqueira César; tel. (11) 98232-7677. 
Como é: “É o lugar mais legal da casa”, diz Renata Vanzetto, que faz amigos entre clientes. 

Estadão

Onde: Vd. Nove de Julho, 193, Centro; tel. (11) 3257-7121. 
Como é: Até de madrugada, tem pê-efe, sanduíche de pernil, cerveja e conversa longa. 

Jamile

Onde: r. Treze de Maio, 647, Bexiga; tel. (11) 2985-3005. 
Como é: Confortável e espaçoso, com cadeiras, de onde se vê de perto a finalização dos pratos. 

Ita 

Onde: r. do Boticário, 31, República; tel. (11) 3223-3845. 
Como é: Cozinha boa e barata, pudim delicioso e interação entre todos.
 
Tan Tan Noodle Bar

Onde: r. Fradique Coutinho, 153, Pinheiros, tel. (11) 2373-3587.
Como é: O balcão alto, em que se vê muito de perto o trabalho na minúscula cozinha.

***
Com informações do Caderno Comida da Folha de S.Paulo.

 
 

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