Parques urbanos, símbolos de qualidade de vida nas grandes cidades

Ágora (ἀγορά; “assembleia”, “lugar de reunião”, derivada de ἀγείρω, “reunir”) é um termo grego que significa a reunião de qualquer natureza.

Da Redação.

A origem dos espaços públicos se deu na Grécia Antiga, em função da reforma política de Clístenes, surgindo contemporaneamente à democracia grega. Assim, na Grécia, o espaço público, representado principalmente pela Ágora, era o lugar do reconhecimento da liberdade e da igualdade, condições que permitiam intervir na vida política da polis.

A história dos parques se confunde com a história dos jardins renascentistas, os quais foram inspiração para criação dos parques na Europa, em especial na Inglaterra. Estes espaços se destacaram em meio às novas ideias paisagísticas, principalmente em países como a Itália, França e Inglaterra. 

Gradualmente, os espaços públicos exteriores e seus benefícios foram evoluindo como elementos importantes na estratégia de urbanização das cidades. Os planos de Haussmann em Paris e de Cerdá, em Barcelona, também de meados do séc. XIX, já levavam em conta a criação de parques e espaços públicos. E incluíam quase tudo além de edifícios: ruas, largos, praças, áreas verdes e, eram planejados como parte integrante de um grande sistema urbanístico.

O Jardin d’Acclimatation em Paris, fundado em 1854. Imagem: In Park Magazine.

Segundo Fred Kent, presidente da Project for Public Spaces (https://www.pps.org/), um parque e a sua área envolvente não precisam existir apenas para nos relacionarmos com a natureza, podem e devem também ser espaços para trocas culturais e sociais. Um parque, para ser vivo, deve ter em sua programação várias atividades: mercados e feiras que lhe conferem um dinamismo comercial, atividade física como corrida, caminhadas e yoga, atividades culturais como cinema ao ar livre, exposições de arte e outros eventos com a participação da comunidade. No fundo, dinamizar a socialização entre as pessoas é o mais importante.

A evolução

Dos anos 30 do século XX aos anos 60, o lado social e os aspectos paisagísticos dos parques de vizinhança desapareceram gradualmente. Sua finalidade original foi esquecida, talvez influenciada pelo sucesso de áreas que forneciam entretenimento para as massas. Tendeu-se a transformar as áreas de esportes e os jogos, em função da facilidade da manutenção e até mesmo as áreas foram cobertas frequentemente com asfalto ou concreto.

Na década de 1970, com o surgimento de uma preocupação ecológica, os parques voltaram a ser elementos indispensáveis no espaço urbano, como espaço verde, ou seja, um reduto de natureza nos centros urbanos.

O Jardim Botânico de Copenhague é um espaço verde único no coração da cidade. Foto: Kiev.Victor / Shutterstock.

Jan Gehl, arquiteto e urbanista dinamarquês, sublinha a importância de uma transformação gradual no desenvolvimento urbano, com o objetivo de fazer mudanças que sejam sustentáveis, no sentido de dar tempo às pessoas de se ajustarem às mudanças físicas da cidade.

Ao integrar os parques na vida cultural dos bairros, ao atribuir responsabilidades de manutenção às pessoas, ao permitir-lhes criar novos programas e, em alguns casos, até permitir que eles desenhem partes do parque, verifica-se uma renovação da área e seu entorno e mudanças positivas no comportamento da comunidade, muitas vezes em lugares onde se acreditava ser impossível.

Hyde Park: localizado na região central da capital britânica, o antigo parque data do século XVII. Foto: Getty Images.

Atualmente, muitas cidades estão se dando conta de que os parques podem contribuir significativamente para a melhoria da qualidade de vida urbana. Se os parques urbanos evoluírem da sua atual função, que é primariamente de lazer, e ganharem um novo papel como catalisadores da convivência saudável da população, tornam-se um componente essencial na transformação e melhoria da vida em nossas cidades.

Depois da pandemia

Lazer no Parque do Ibirapuera após a flexibilização do isolamento social durante a pandemia de covid-19. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.

Pesquisa ‘Acesso aos Espaços Públicos na Pandemia’ foi realizada em duas fases pelas organizações SampaPé! e Metrópole 1:1 em maio e outubro de 2020, para saber como as pessoas estavam vivenciando os espaços em um momento mais restritivo e menos restritivo do plano municipal, respectivamente, refletindo sobre a vida urbana e se re-apropriando da cidade. 

Os resultados indicaram três grandes temas em foco para a transformação da cidade nos próximos anos, tendo em comum a demanda por proximidade, acesso e conexões. 

O desejo de estar próximo à natureza foi um fator recorrente na pesquisa, sendo as alternativas que abordavam sobre a arborização e espaços verdes, as mais escolhidas. Além de áreas verdes e natureza mais perto, as pessoas também querem poder ter mais acesso nos seus próprios bairros a distâncias facilmente percorridas a pé. 

E, por último e ainda seguindo o conceito das ‘Cidades de 15 minutos’, além de acessar mais equipamentos, serviços e produtos perto, as pessoas passaram a refletir sobre as externalidades negativas de uma cidade que gera deslocamentos tão longos feitos por veículos motorizados, e até mesmo os curtos, para o ar que respiram. Dessa forma, infraestrutura para mobilidade ativa também é um dos grandes desejos para a cidade, assim como o aumento do hábito de se deslocar ativamente.

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A Tegra Incoporadora é responsável por mais de 30 espaços públicos em São Paulo com seu programa “Gentilezas Urbanas“. Entre os espaços assumidos pela empresa, estão calçadas, canteiros, muros e praças como a Vinicius de Moraes, a Ayrton Senna e uma quadra da Avenida Paulista entre a Rua Pamplona e Alameda Campinas, que são revitalizados e mantidos pela companhia.

O São Conexões é um oferecimento da Tegra Incorporadora.

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