Polêmico, o ‘Shopping Trem‘ funciona como alternativa nos vagões da CPTM

Essa rotina puxada de 12 horas dedicadas à labuta diz respeito a uma das atividades crescentes na cidade de São Paulo: a de comércio ambulante nos vagões dos transportes públicos sobre trilhos. Por causa do desemprego, o número de trabalhadores sem carteira assinada aumentou no Brasil. O comércio de ambulante nos trens e metrôs de São Paulo – que é proibido –  atraiu muita gente.

Apesar do aviso sonoro que orienta não adquirir os produtos oferecidos, é quase impossível evitar esse negócio de venda direta, que garante renda e sobrevivência desses empreendedores, e satisfaz o desejo de compra de muitos passageiros.

Para entrar, é uma disputa. Logo, o barulho dos trilhos é abafado por outros sons. Trem vazio ou lotado, as ofertas se multiplicam. Tem muito mais do que comida. O comércio a bordo ganhou até nome: “Shopping Trem“.

“Por dia dá pra tirar na média de R$ 150, R$ 200”, conta o ambulante Anderson Felipe. “Trabalhava como auxiliar de limpeza. Fui demitido de lá e vim para o trem. Aí estou na luta”, diz o ambulante Carlos Eduardo. “Se eu tiver a oportunidade de arrumar outro serviço, registrado, com certeza eu largo isso aqui e vou pra lá”, diz outro ambulante.

Com um discurso “padronizado” que destaca benefícios e, no caso dos produtos perecíveis, a validade do prazo, o preço barato é o que mais estimula a aquisição por impulso.

Água, biscoito, carteira porta-documento, fone de ouvido e tantas outras variedades circulam pelos vagões sob a batuta de jovens adultos, homens em sua maioria, os quais percorrem os diferentes trajetos de idas e vindas.

Tudo indica que essa modalidade de comércio seja estruturada, e talvez integre uma rede informal de varejo com distintos canais de distribuição e com atuação nacional.

Segundo a direção da CPTM, a prática é combatida, principalmente, pelo fato de os produtos comercializados terem procedência duvidosa. Esse tipo de comércio é caracterizado como infração administrativa e resulta na retirada do ambulante do sistema e na apreensão das mercadorias, sem outras consequências. Em nota, além de destacar a ação das equipes de segurança, a CPTM afirma que “a solução para a questão também passa pela conscientização dos usuários no sentido de que não comprem produtos no interior dos trens”.

Antes de desembarcar escutei esse convite de outro vendedor para um colega de atividade: “Estou armando um esquema para fazer esse trabalho em Brasília. Vamos juntos?

De cara o amigo aceitou, dizendo que seria uma oportunidade de ampliação de mercado na capital federal. Ele também sugeriu concentrar lá o serviço na comercialização de porta-documento, um acessório útil para políticos sob investigações, e muito indicado para os cidadãos de bem, porque permite guardar dinheiro e os principais documentos num único lugar.

Os vendedores do Shopping Trem capricham no marketing e na demonstração, mas o que garante mesmo a venda é o precinho imbatível e sem concorrência.

Por aqui, fico. Até a próxima.

***
Leno F. Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

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