Prêmio Obel 2021 é atribuído ao conceito da “Cidade de 15 minutos”

As principais características da teoria são a criação de um ritmo de cidade com base nas necessidades humanas. Foto: Emilie Koefoed / Obel Prize.

Por Andreea Cutieru | Traduzido por Rafaella Bisineli.

A teoria urbana da cidade de 15 minutos (que inspirou e inspira o São Conexões) recebeu o Prêmio Obel 2021, em reconhecimento ao valor do conceito para a criação de ambientes urbanos sustentáveis e centrados nas pessoas. Criado pela primeira vez em 2016, pelo professor da Sorbonne Carlos Moreno, o termo define um modelo urbano altamente flexível. O modelo garante a todos os cidadãos o acesso às necessidades diárias em uma distância de 15 minutos, quebrando assim a hegemonia do carro, e reintroduzindo as qualidades das cidades históricas no planejamento urbano contemporâneo.

Para Carlos Moreno, “As cidades são os sistemas mais complexos criados pelos humanos.”. Foto: Divulgação.

O conceito da cidade de 15 minutos implica ter todas as comodidades necessárias a uma curta caminhada, viagem de bicicleta ou com o transporte público. A estratégia descentraliza a economia local, com cada bairro apresentando todos os aspectos da vida urbana, de locais de trabalho, de negócios a recreação, áreas verdes e habitação. As principais características da teoria são a criação de um ritmo de cidade com base nas necessidades humanas, projetando espaços multifuncionais e criando uma diversidade funcional, para evitar o deslocamento em busca de atividades essenciais em outros lugares. Como parte do pensamento de um planejamento urbano sustentável, o modelo ajuda a reduzir o uso do carro e as emissões de carbono, reduz o tempo de deslocamento e, ao mesmo tempo, configura mais espaços públicos.

As cidades são os sistemas mais complexos criados pelos humanos. E uma das características de um sistema complexo é a impossibilidade de prever sua evolução. Precisamos considerar as cidades como sistemas complexos e imaginar novas maneiras de gerar soluções adaptáveis. Foi assim que comecei a propor a cidade viva, em vez da cidade inteligente. Precisamos abandonar essa ideia da cidade controlada pela tecnologia. – Carlos Moreno.

A teoria, inicialmente considerada utópica, ganhou força durante a pandemia, quando os tomadores de decisão começaram a reconsiderar dramaticamente as premissas da vida urbana. A rede de cidades C40 começou a promover o conceito como uma estratégia de recuperação pós-pandemia, e a ideia entrou no campo da política urbana, com Paris dando passos ativos para implementar o modelo. A mudança urbana da cidade foi liderada pela prefeita Anne Hidalgo, que convidou Moreno a se envolver no processo. O modelo da cidade de 15 minutos foi adotado em outras cidades, incluindo Houston, Milão, Bruxelas, Tóquio, Valência, Chengdu e Melbourne.

Pedestres em Nakameguro, bairro da periferia de Tóquio no Japão. Foto: Toomore Chiang / Flickr.

Com formação em matemática, robótica e inteligência artificial, Moreno mudou seu interesse para outro sistema complexo, o ambiente urbano, e decidiu usar seus conhecimentos para entender e gerenciar melhor as cidades. O professor estuda atualmente uma nova versão da teoria, o território de 30 minutos, em ambientes de menor densidade.

O conceito da cidade de 15 minutos implica ter todas as comodidades necessárias a uma curta caminhada, viagem de bicicleta ou com o transporte público. Foto: Soren Bang Clemmesen.

Atualmente em sua terceira edição, o Prêmio Obel é um prêmio jovem que homenageia contribuições arquitetônicas excepcionais para o desenvolvimento humano, seja na forma de um edifício, de um plano diretor, um projeto paisagístico, uma teoria ou uma exposição. A cada ano, o prêmio assume um foco particular, sendo este ano “soluções inspiradoras para os desafios que as cidades enfrentam”. Os dois vencedores anteriores foram o Centro de atendimento a pessoas com deficiência Anandaloy projetado por Anna Heringer, e o Art Biotop Water Garden de Junya Ishigami.

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Andreea Cutieru é arquiteta residente em Bucareste com um grande interesse na complexidade programática da arquitetura contemporânea. É apaixonada por arquitetura que aumenta o capital social e a qualidade de vida.

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