‘Deus é uma mulher preta’: um filme sobre as mães negras da periferia

“Deus é uma mulher preta”. É a partir dessa formulação que Vinícius Silva, 25 anos, estudante de cinema na Universidade Federal de Pelotas, busca produzir um curta-metragem. A ideia do filme “Deus”, que vai trazer às telas o universo cotidiano de uma mãe negra na periferia de São Paulo, nasceu da própria trajetória pessoal de Vinícius, que será o primeiro de sua família a concluir um curso universitário.

“Minha vida deu várias voltas, já fiz muita coisa errada e voltei. Eu pensei: ‘como que eu consegui chegar aqui?’ Quando pesquisei a fundo minha história, a resposta caiu nas mulheres da minha família”, conta Vinícius. O filme irá retratar a rotina de sua tia, Roseli, trazendo, não apenas os aspectos negativos da vida na periferia de uma grande cidade, mas também todos os momentos de alegria que permeiam o dia a dia dessas mulheres.

Financiamento coletivo quer viabilizar o filme, que vai retratar o cotidiano de mães negras da periferia. Imagem: divulgação.
 

“A gente não vê essas mulheres sendo retratadas. E quando vê, é um puro sofrimento. Mas a vida na periferia não é só sofrimento. Tem alegria, carinho”, explica o cineasta. Ele lembra ainda a importância do papel desempenhado pelas mães para os jovens de periferia. “Na periferia, os caras muitas vezes não respeitam lei, não respeitam nada, mas respeitam a mãe”, completa.

O título do projeto, que será produzido também pelas estudantes Débora Mitie e Huli Balász, nasceu a partir da música “Mãe”, de Emicida. Na faixa, o rapper canta uma homenagem à sua mãe e explana em um trecho “Desafia, vai dar mó treta / Quando disser que vi Deus / Ele era uma mulher preta”.

Confira o trailer do curta: https://youtu.be/dVXAhSKNfo4

Vinícius conta que, depois de escutar a música, percebeu qual seria o tema de seu projeto de conclusão de curso, e se juntou aos colegas para a realização de “Deus”.

“O filme, como representação da realidade, busca dar visibilidade e homenagear essas mulheres que sustentam boa parte do país. Mantêm a casa, tem que trabalhar e ainda educar seus filhos. Ela é divina por dar a luz, cuidar e ter bondade, mas também pela capacidade de colocar na linha. Sem elas um preto pobre de periferia não chega aos 15.”

Quando começou a bolar o projeto, Vinícius entrou em contato com a produção de Emicida, que autorizou gratuitamente a utilização da música no filme.

Além de abordar a questão de representação dessas mulheres no cinema de outra forma, o filme busca trazer uma discussão simbólica, “quebrando a ideia de que deus é algo masculino”, como explica Vinícius. “Também queríamos provocar a ideia de que Deus não tem sexo. Mas, para a sociedade, ele é Senhor, é um cara. Para a gente, ele nunca foi um cara. É uma mulher.”

Para viabilizar a produção do filme, os estudantes criaram uma campanha de financiamento coletivo no Kickante, que busca cobrir os custos de produção para a realização do curta. 

Clique aqui para contribuir.

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Thiago Gabriel no Vaidapé.

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